Governo Richa faz “blitzkrieg” contra professores no Paraná

Judiciário paranaense perdeu a capacidade de mediar a greve dos educadores, que hoje completou 34 dias, em virtude da suspeita de que o auxílio-moradia de R$ 4,7 mil mensais desequilibre favoravelmente a Beto Richa; impasse parece ser tática de “terra arrasada” do governador tucano para quebrar a APP-Sindicato -- a “espinha dorsal” do movimento do magistério e dos servidores públicos conflagrados.

Judiciário paranaense perdeu a capacidade de mediar a greve dos educadores, que hoje completou 34 dias, em virtude da suspeita de que o auxílio-moradia de R$ 4,7 mil mensais desequilibre favoravelmente a Beto Richa; impasse parece ser tática de “terra arrasada” do governador tucano para quebrar a APP-Sindicato — a “espinha dorsal” do movimento do magistério e dos servidores públicos conflagrados.

Desde a semana passada, o Palácio Iguaçu colocou em prática uma verdadeira “blitzkrieg”—termo criado pelos nazistas para designar “guerra-relâmpago” – contra professores e servidores públicos em greve no Paraná.

O Blog do Esmael anotou que o governo Beto Richa iniciara guerra suja contra educadores nas redes sociais cuja intervenção no Facebook e grupos de WhatsApp objetivam cindir a categoria, semear a desconfiança, e disseminar informações falsas. Esse trabalho ciberterrorismo é coordenado pela “Tenda Digital”, uma organização clandestina que funciona nos bunkers do Palácio Iguaçu.

Paralelamente, o governo do estado divulgou no Portal Transparência “supersalários” de professores. Os profissionais do magistério contestaram os valores e fizeram “memes” na internet sobre o tema.

Ato contínuo, o governo Richa foi ao Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) solicitar o bloqueio de R$ 1,24 milhão da conta da APP-Sindicato pelos dias parados na greve. A contraofensiva veio com a mesma intensidade: o deputado Requião Filho (PMDB), vice-líder da oposição, também anunciou ação pelo bloqueio de R$ 1,36 bilhão do tesouro estadual para o pagamento da data-base de 8,17%.

Você acha que a “blitzkrieg” acaba por aqui? Claro que não. Os diretores das 2,1 mil escolas vivem momentos de incrível assédio moral. Eles estão sendo enquadrados para que punam educadores em greve. Os que se recusarem ao papel de carrascos sofrem ameaça de processo administrativo e afastamento de cargo, embora todos eles tenham sido eleitos democraticamente pelo voto direto.

Além disso, o Palácio Iguaçu começou a distribuir novamente farta verba de propaganda para rádios e jornais no interior do estado, bem com emissoras de TV. O enredo é o mesmo: criminalizar a greve da educação.

A greve está fácil de resolver, segundo o deputado Professor Lemos (PT). Segundo ele, caiu no 1º quadrimestre o alerta de limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Ou seja, o governo está gastando menos com pessoal e isso possibilita a reposição dos 8,17%. “Basta vontade política”, opina o parlamentar.

O diabo é que Beto Richa parece preferir o cenário de terra arrasada tal qual a tática do Exército Vermelho na 2ª Guerra Mundial contra o exército alemão. Pretende minar a resistência dos educadores prolongando a greve em uma espécie de “perde-perde”.

Mas diferente dos russos que venceram os nazistas, o tucano não tem apoio popular. A rejeição do governador paranaense bateu na casa dos 100%.

Resumo da ópera: “A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa” (Karl Marx, em O 18 Brumário de Luis Bonaparte).

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