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Coluna do Marcelo Araújo: “O bom Anfitrião de uma Curitiba sem dono”

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anfitriaoMarcelo Araújo*

No dia 09/05/15 houve um encontro de carros esportivos de luxo numa churrascaria que fica na Av. N.S. Aparecida (final da Av. Batel), em Curitiba. Na saída houve uma carreata com destino ao Paraná Golf, na BR-376. O vídeo da saída dos bólidos circulou e obrigou a Polícia Rodoviária Federal (PRF) dar uma explicação sobre a escolta oferecida, que se iniciou com a interrupção da referida avenida. A Prefeitura não se manifestou, mas é nesses pequenos detalhes que você vê se uma casa tem dono ou está largada, causando inveja até na ‘Mãe Joana’.

Em 01/02/12, época que eu estava a frente da Setran, houve um atropelamento de torcedor sobre a Rodovia BR-277 em frente ao Parque Barigui, o qual saía do Ecoestádio Janguito Malucelli para pegar seu carro estacionado no parque.

Num primeiro momento a Prefeitura foi acusada de omissão, e à época deixei bem claro que a competência da Setran se encerrava na ponte do Rio Barigui, onde termina a Av. Mário Tourinho, bem como no Parque Barigui fora da faixa de domínio rodoviário, e que caberia a PRF cuidar dessa travessia, como de fato ocorreu no jogo seguinte após insistência da Federação Paranaense de Futebol (FPF).

No caso recente parece que os organizadores nem deram pelota para a Prefeitura, e foram direto e apenas na PRF. Esta por sua vez parece que também não deu pelota para a Prefeitura, e numa situação de normalidade interrompeu uma via não rodoviária da cidade. O trecho da Av. Batel até o início da BR-277 e que via Contorno alcança a BR-376 é inferior a 5km, mas é importante lembrar que se houvesse qualquer acidente ou incidente nesse trecho a PRF sequer Boletim de Ocorrência poderia fazer.

A PRF sabe defender seu espaço, tanto que não admite sequer fiscalização de estacionamento por parte do município nas marginais que se encontram na faixa de domínio.

Da mesma forma que a concessionária Ecovia determinou a retirada de placas destinadas a ciclistas que a Prefeitura através da coordenadoria de ciclomobilidade da Setran indevidamente colocou na BR-277 sentido litoral sem autorização. Veja-se o exemplo da Linha Verde que ainda é uma rodovia federal e há convênio com a prefeitura, mas a PRF está sempre na supervisão.

Como disse na introdução do texto, é nos pequenos detalhes que você vê que uma casa não tem dono, pois nem o cidadão nem outras autoridades dão satisfação, e o prefeitura desfruta de um voyeurismo, como um bom anfitrião.
Aliás, na mitologia grega Anfitrião era marido de Alcmena, e enquanto estava guerreando Zeus tomou a forma de Sósia, escravo de Anfitrião, e acabou por germinar Hércules. Após tudo esclarecido, Anfitrião ficou manso e feliz por sua mulher ter sido escolhida por um deus.

Ao que parece o Prefeito confiou o trânsito a quem não conhece nem estudou o Sistema Nacional de Trânsito, portanto gentilmente ofereço uma aula sobre o assunto, sugerindo atenção especial entre os 18 e 25 minutos da aula.

De multa eu entendo!

*Marcelo Araújo é advogado, presidente da Comissão de Trânsito, Transporte e Mobilidade da OAB/PR. Escreve nas terças-feiras para o Blog do Esmael.

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