Coluna do Jorge Bernardi: Massacre do Centro Cívico foi questão social resolvida a bala como na Guerra do Contestado, há 100 anos

Nota do editor: o colunista Jorge Bernardi lançará nesta quarta-feira (20), a partir das 19 horas, no Palacete dos Leões (av. João Gualberto, 530), o livro “A Guerra do Contestado em Quadrinhos”.

Nota do editor: o colunista Jorge Bernardi lançará nesta quarta-feira (20), a partir das 19 horas, no Palacete dos Leões (av. João Gualberto, 530), o livro “A Guerra do Contestado em Quadrinhos”.

Jorge Bernardi*

O que há em comum entre o massacre dos professores, em 29 de abril deste ano, no Centro Cívico, e a Guerra do Contestado, ocorrida há 100 anos em terras disputadas pelo Paraná e Santa Catarina? A resposta é a cultura da violência que vigora em nossa sociedade e por ela, os conflitos sociais devem ser resolvidos a bala.

Há um século as forças repressoras resolveram os problemas sociais na base da bala do canhão, da metralhadora e do fuzil, levando a morte milhares de camponeses famintos e armados basicamente com espadas e lanças de pau, revólveres e espingardas.

Atualmente usam-se bombas de gás lacrimogêneo, balas de borracha que ferem, física e moralmente, as vítimas, armadas apenas com a força moral.

No século passado, terras ocupadas por sertanejos há gerações, com riquezas naturais (erva mate e araucárias) foram entregues e “vendidas” pelas elites políticas, ao explorador estrangeiro.

Agora o pródigo desgoverno do antes “bom moço”, ameaça a aposentadoria de milhares de funcionários públicos do Paraná.

Os 100 anos que se passaram, infelizmente, não mudaram a cultura da violência, que aqui impera. Enquanto o “Caveirão” jogava água e bombas nos manifestantes, do terceiro andar do Palácio Iguaçu, comissionados aplaudiam e comemoravam como numa arena romana.

Não foi diferente, quando em 1915, chegava a notícia de que 600 “jagunços” haviam sido mortos no reduto de Santa Maria. A verdade era outra, a maioria das vítimas, de Santa Maria (hoje Timbó Grande), foram crianças, mulheres e idosos. Na batalha do Centro Cívico as vítimas foram professores, estudantes, funcionários públicos e alguns militares de baixa patente.

Mas a violência do Centro Cívico ganhou o mundo, milhões de pessoas, em dezenas de línguas, ouviram e assistiram as imagens em que mais de 200 manifestantes foram humilhados em sua dignidade.

A imagem do Paraná, como um estado civilizado, foi irremediavelmente manchada. No contestado, foram mortas de 3 a 8 mil pessoas. E, um século depois, poucos sabem do que lá aconteceu. O genocídio foi estrategicamente escondido.

Quando da assinatura do acordo de limites entre Santa Catarina e o Paraná, encerrando a contenda, o presidente Venceslau Braz disse: “…contestado, onde tantos brasileiros perderam a vida em luta fraticida, e tanto dinheiro foi despendido inutilmente. A solução deste caso encerra um ensinamento e firma um exemplo”.

O massacre do Centro Cívico é uma prova inequívoca de que a lição não foi aprendida pelos nossos governantes. Hoje, como no passado, prevaleceu a força das armas.

*Jorge Bernardi, vereador de Curitiba pelo PDT, é advogado e jornalista. Mestre e doutorando em gestão urbana, ele escreve aos sábados no Blog do Esmael.

19 Comentários

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  1. Uru, incluso en ese poster que pones Brigitte Nielsen se me parece un poco a Rose McGowan…
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  2. Porto Alegre, 17/05/15.

    Bom domingo a toda(o)s.

    ou professor de história aqui no RS e me interessou a cartilha pois esse conteúdo, abordo bastante nas ulas com as turmas e qualquer contribuição para que se esclareça melhor nossa história sempre será bem vinda. Como posso conseguir essa Cartilha ?

  3. Por outro lado, temos esses deputados com fome de propinas após serem eleitos, assim como magistrados justificando abonos de moradia pela necessidade de comprar ternos e andar de carrões… E comissionados do governador mamando para satisfazer os desejos do governador e dos secretários. Enquanto isso não for sério nada adiantara. Este escalão corruptível desanima qualquer cidadão de bem, vejam os pedágios e a qualidade de nossas estradas e nada fazemos contra isso. VERGONHOSO PARANÁ… Vamos mudar isso?

  4. muito boa comparação.
    Barbárie de um planeta primitivo.Teo Lima

  5. Li a coluna do vereador… li os comentários… mas ainda acho que a culpa é da Assembleia Legislativa! Sabemos que existem mais de trinta inimigos sentadinhos lá dentro, anotem os nomes, guardem numa boa pasta e nos vemos no futuro, bom sábado.

  6. Quem representa a “Southern Brazil Lumber & Colonization Company” hoje?

    • O Paraná Banco do Sr. Joel Malucelli é lógico. O cara que vai abocanhar a previdência dos funcionário públicos quando o Betinho quebrar a oficial. Vai empurrar os funcionários para um MARAVILHOSO plano de previdência privada.

  7. Jorge Bernardi sei que o sr não me conhece mas eu quero lhe agradecer pela ajuda que recebi do senhor em outubro do ano de 2000

    • Vereadores, deputados e senadores, devem legislar, construir leis sólidas para que tenhamos um país sólido e decente, justo com oportunidade para todos. ESSE NEGÓCIO DE PARLAMENTAR SAIR DISTRIBUINDO ESMOLA É POPULISMO.

  8. O RICINHA IMPLANTOU UM VERDADEIRO TERRORISMO DE ESTADO NO PR! Um povo simplório elegeu este BUCÉFALO como governador do ESTADO!

  9. Brilhante texto ! Jorge Bernardi mostra a história por um outro ângulo. O que se aprendia nos bancos escolares era uma farsa. Sempre me indignei com essa luta entre paranaenses e catarinenses. Uma barbárie! E o massacre dos colegas não foi diferente. Felizmente, nesses tempos de democracia , os educadores poderão mostrar aos alunos o lado torpe dessa história.

  10. Realmente a violência e a truculência imperam aqui no estado, mas nem poderia ser de outra maneira, devemos lembrar que aqui vivemos como na época da monarquia. Temos os imperadores, os príncipes, os marqueses, barões, etc. Tudo mantido sob a mentira do estado democrático brasileiro, QUE AINDA NÃO ACONTECEU. Os vassalos paranaenses elegem o avô, depois o pai, os filhos, os sobrinhos, as esposas, os irmãos, os primos, os capangas, etc; VÃO VOTANDO SEMPRE NOS MESMO….E A OLIGARQUIA POLÍTICA VAI SE ETERNIZANDO, RUMO AO APOCALIPSE…

    Ney Braga cria política de Bento Munhoz da Rocha, deu vida política à José Richa, que participou ativamente da campanha dele ao governo em 1960 e chegou ser até chefe de gabinete. Em 1965 Richa rompe com Ney, por ele ser puxa saco. Começa a trajetória da era Richa, o Zé até aparentemente um bom político, nos deixou como herança esse piá dele, o Carlos Alberto, QUE ESTÁ TORNANDO A VIDA DE TODOS OS PARANAENSES CADA VEZ PIOR. Falta espelho na casa do Beto.

    Recomendo a todos que deê uma lida em “Famílias, poder e riqueza: redes políticas no Paraná em 2007” de Ricardo Costa de Oliveira, disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-45222007000200008

    PENSEM PARANAENSES:
    SE CONTINUAREM A FAZER AS MESMAS COISAS DE SEMPRE, CONTINUAR VOTANDO NAS MESMAS PESSOAS DE SEMPRE, NO MESMO GRUPO DE PESSOAS,
    COMO ESPERAM MUDAR A VIDA DE VOCÊS E TORNÁ-LA MELHOR, PLENA E FELIZ?

  11. O PARANÁ REALMENTE PODE SER CONSIDERADO UM ESTADO TERRORISTA DENTRO DAQUILO QUE QUERÍAMOS QUE FOSSE UM ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO?

    Terrorismo de Estado consiste num regime de violência instaurado por um governo, em que o grupo político que lhe cerca detém o poder se utiliza do terror como instrumento para tentar conduzir e manter a governabilidade. Caracteriza-se pelo uso violento e sanguinário do instrumento de repressão do Estado para encobrir organizações criminosas dentro deste mesmo estado, restringindo os direitos humanos e até liberdades legais e virtuais. Um estado terrorista usa a força e violência contra seus cidadãos de bem com a intenção de intimidar ou coagir com reservas ideológicas e, assim, alcançar uma posição dominante ou estadia política permanente no poder do político que lhe governa.
    Os Oficiais (Cúpula); Sargentos, Cabos e Soldados (Base Trabalhadora) da Polícia Militar do Paraná não podem ser vistos ou tratados como uns “Eichmanns de farda caqui” que no caso da história da humanidade foi o sobrenome de um comandante militar e chefe político nazista que não sentiu remorso por levar milhões à morte, mas o interessante que não era psicopata!
    Ou seja, quando os juízes perguntaram em maio de 1960 ao homem calvo, de óculos grossos e olhar calmo, “se sentia culpa pela morte de milhões de judeus durante o Holocausto”, o chefe nazista Otto Adolf Eichmann pensou um pouco. E disse, “que não”. Funcionário de Adolf Hitler, era o responsável pelos trens que conduziam as vítimas até os campos de concentração. Ajudar em milhões de mortes e não sentir nada é indício de psicopatia, certo? Não. Essa questão estava errada, escreveu a filósofa Hannah Arendt, no livro “Eichmann em Jerusalém”. “Ele não era doente, apenas um funcionário-padrão. No fim, agiu certo e para o “bem” de um sistema, esse, sim, essencialmente criminoso. Como seria possível condenar Eichmann, e não a nação inteira, que considerava certo matar judeus?”
    Esperava-se encontrar em Eichmann uma aberração psiquiátrica. Mas meia dúzia de psiquiatras atestou “a sua normalidade”. Ele seria “ao menos mais normal do que fiquei depois de examiná-lo”, teria dito um dos médicos. Seu comportamento com a mulher, os filhos, a família e os amigos era “não apenas normal mas inteiramente desejável”. Adolf O. Eichmann “não se achava um monstro. Apenas cumpria ordens. Só ficava com a consciência pesada quando não fazia aquilo que lhe ordenavam – embarcar milhões de homens, mulheres e crianças para a morte, com grande aplicação e o mais meticuloso cuidado”, escreveu a filósofa Hannah Arendt: “Eichmann sabia o que fazia e o fez bem. Daí sua frase que chocou o mundo: Arrependimento é para criancinhas”.
    Seu caso não era o de um antissemita. “Por trás da comédia dos peritos da alma estava o duro fato de que não se tratava, evidentemente, de um caso de sanidade moral e muito menos de sanidade legal.” Eichmann não era psicopata, mas um homem comum. “Esse novo tipo de criminoso comete seus crimes sob circunstâncias que tornam impossível para ele saber ou sentir que está fazendo algo errado”, escreveu Arendt. É o que ela batizou de “banalidade do mal”.

  12. ‘ZAGERADO….”
    Sem querer entrar no mérito, mas sempre condenei exageros e hipocrisia. Li um dos livros sobre o contestado a 15 dias. Nada a ver, nenhuma comparação… este eterno vereador, o que se elegeu com o gibi na década de 80) que nunca teve uma lei substancial, só gost e quer (como a maioria dos que aqui são “colunista”.
    Tbém sobre esta foto vou meter meu “pitaco”. Se não e montagem, foi teatral. Vejam que não tem ninguem por perto, ela está em “campo aberto”, degarrada dos demais. Então muito esquisito que uma professora tivesse ficado pra tras da multidão de manifestante, sendo alcançada pelos policiais. OU ela ficou parada esperando, pra provocar a foto, ou foi de encontro enquanto com os policiais e depois ensaiou correria, enquanto o parceiro já a esperava com a máquina em foco.
    Sou contra a violencia, mas tbém contra o confronto provocado e mais ainda com teatros como desta moça.

    • SAI PRA LA “COMISSIONADO”(Zagerado) ENTRE TODAS AS BESTEIRAS QUE FALOU A PROVA MAIS CONCRETA QUE É MESMO AMIGUINHO DO DÉSPOTA É QUE NEM SABE ESCREVER E MUITO MENOS EXPOR AS IDÉIAS CLARAMENTE NA ESCRITA!!!! FUGIU DA ESCOLA E NUNCA LEU UM LIVRO COMO SEU PATRAOZINHO,SABE AQUELE…. O betinho(com letras minúsculas mesmo porque não é digno nem de aplicar pronome próprio a este ser de outro muuuuundo……).

    • não meu Senhor! Pelo seu relato o Sr é a favor da violência e um insensível.

    • Não, pelo teor do seu comentário o Sr é a favor da violência e uma pessoa insensível..

  13. Parabéns pela analogia dos fatos, realmente um século depois as coisas são resolvidas a toque de caixa e a palavra “avançar” do comandante à tropa para acabar com uma aglomeração.
    Hoje quem foi o professor (a) de História do Governador beto Richa de estar envergonhada.