Por Esmael Morais

Coluna do Jorge Bernardi: Massacre do Centro Cívico foi questão social resolvida a bala como na Guerra do Contestado, há 100 anos

Publicado em 16/05/2015

Não foi diferente, quando em 1915, chegava a notícia de que 600 “jagunços” haviam sido mortos no reduto de Santa Maria. A verdade era outra, a maioria das vítimas, de Santa Maria (hoje Timbó Grande), foram crianças, mulheres e idosos. Na batalha do Centro Cívico as vítimas foram professores, estudantes, funcionários públicos e alguns militares de baixa patente.

Mas a violência do Centro Cívico ganhou o mundo, milhões de pessoas, em dezenas de línguas, ouviram e assistiram as imagens em que mais de 200 manifestantes foram humilhados em sua dignidade.

A imagem do Paraná, como um estado civilizado, foi irremediavelmente manchada. No contestado, foram mortas de 3 a 8 mil pessoas. E, um século depois, poucos sabem do que lá aconteceu. O genocídio foi estrategicamente escondido.

Quando da assinatura do acordo de limites entre Santa Catarina e o Paraná, encerrando a contenda, o presidente Venceslau Braz disse: “…contestado, onde tantos brasileiros perderam a vida em luta fraticida, e tanto dinheiro foi despendido inutilmente. A solução deste caso encerra um ensinamento e firma um exemplo”.

O massacre do Centro Cívico é uma prova inequívoca de que a lição não foi aprendida pelos nossos governantes. Hoje, como no passado, prevaleceu a força das armas.

*Jorge Bernardi, vereador de Curitiba pelo PDT, é advogado e jornalista. Mestre e doutorando em gestão urbana, ele escreve aos sábados no Blog do Esmael.