Por Esmael Morais

Homens da Lava Jato posam como semideuses para Folha. Arrogância?

Publicado em 05/04/2015

Os procuradores também fazem dois apelos. O primeiro, para que os executivos e empresários presos há mais de 120 dias, de forma preventiva, não sejam soltos pelo Supremo Tribunal Federal. O segundo, para que os acordos de leniência negociados pela Controladoria-Geral da União com as empresas, que preveem o pagamento de multas, mas preservam vivas as construtoras, sejam inviabilizados.

“Se houver a soltura de réus agora, muitos deles com dinheiro sujo escondido no exterior, esses processos podem ser atrasados por dez, quinze anos”, disse Deltan Dellagnol.

“A CGU foi feita para controlar corrupção de funcionários públicos, não para ser a salvadora do emprego. Se o governo quer criar um Proer, que o faça no lugar certo, que é o Congresso”, completou Carlos Fernando Lima.

O argumento do governo para negociar os acordos de leniência é a necessidade de preservar as empresas, os empregos e o conhecimento adquirido pelas empreiteiras. Desde o início da Operação Lava Jato, mais de 250 mil empregos foram eliminados no setor de construção.

Onde está o bom senso?

Ontem, o jornalista Mauro Santayanna publicou um artigo em que questiona a indiferença do Poder Judiciário aos efeitos sociais da Lava Jato e questiona: onde está o bom senso?

“No contexto da Operação Lava Jato, centenas de milhares de trabalhadores e milhares de empresas já estão perdendo seus empregos e arriscando-se a ir à falência, porque o Ministério Público, no lugar de separar o joio do trigo, com foco na punição dos corruptos e na recuperação do dinheiro – e de estancar a extensão das consequências negativas do assalto à Petrobras para o restante da população – age como se preferisse maximizá-las, anunciando, ainda antes do término das investigações em curso, a intenção de impor multas punitivas bilionárias às companhias envolvidas, da ordem de dez vezes o prejuízo efetivamente comprovado”, disse ele (leia aqui a íntegra).