Por Esmael Morais

Coluna do Reinaldo Almeida César: Professor não é black bloc nem vândalo; e a praça é do povo

Publicado em 29/04/2015

São uma classe igualmente sofrida, os praças em especial.

São servidores públicos, fardados, militares. Mas, ainda assim, servidores do Estado, dos quais sempre se espera ações em defesa de uma sociedade livre e democrática.

Vivem o tempo todo no limite da tensão. Auxiliam partos dentro de viaturas. Acolhem aflições. Possuem filhos em escola pública. São parentes de professores.

Esperam há anos pela prometida e nunca implementada equiparação com os investigadores da Polícia Civil.

Vieram para Curitiba sem diárias, empilhados em ônibus, sem nenhuma condição de trabalho.

Tudo no improviso, foram despejados de hotel por falta de crédito no cartão corporativo.

Curitiba, tão carente de segurança pública, nunca viu um contingente de policiais daquele tamanho.

Soube que até os policiais do Batalhão de Fronteira, lá do outro lado do Estado, estão de prontidão.

E que, aqui em Curitiba, os policiais da Banda de Música da PM igualmente receberam aviso que podem ser convocados para se apresentar em frente à ALEP, a qualquer momento.

Talvez seja para executar “Pompa e Circunstância”, de Elgar ou a “Cavalgada das Walkírias”, de Wagner, como consagração final, no epílogo deste controverso, para não dizer perverso, processo legislativo.

Não olhem para os policiais militares, visivelmente constrangidos naquele confronto.

Eles seguem ordens e comandos. Olhem para cima.

Sigo com uma indagação aguda. Por que? Para que? Qual o desespero em votar este projeto de lei que avança com mão grande no fundo previdenciário?

A frase lapidar da semana é do combativo Deputado Nereu Moura: se o projeto fosse bom, não precisava da polícia.

Triste mesmo foi ver as cenas da tropa de choque, jato d’água, veículo de intervenção, bombas de efeito moral e spray de pimenta, lançados contra professores, servidores e cidadãos de bem, que queriam apenas postar um carro de som ao ar livre, numa praça pública, para, como convém numa democracia, expressarem suas opiniões.

O episódio manchou o Paraná e lançou uma névoa de vergonha que dificilmente se dissipará.

Tudo na presença das santas imagens de La Salete e dos seus Maximin e Mélanie, numa praça linda, pensada pelo genial Alfred Agashe e construída pelo dinamismo de Bento Munhoz da Rocha Neto que, no pasarán!, continuará sendo sempre do povo.

*Reinaldo Almeida César é delegado da Polícia Federal. Foi secretário da Segurança Pública do Paraná. Chefiou a Divisão de Cooperação Policial Internacional (Interpol). Escreve nas quartas-feiras sobre “Segurança e Cidadania”.