Coluna do Reinaldo Almeida César: “Capa e sunga vermelha não resolvem problema na segurança pública”

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Delegado da PF Reinaldo Almeida César, em sua coluna desta quarta, anuncia a criação de um "Observatório", por e-mail, para receber denúncias na segurança pública; ele afirma que os problemas da área não são para ser resolvidos de forma solitária, “enfiando uma capa sobre a cabeça e uma sunga vermelha por cima das calças, beira o ridículo e fica roçando num tipo penal muito conhecido, chamado estelionato”, critica sem, no entanto, citar o secretário Fernando Francischini, o Batman; colunista classifica como “vexatória” a Operação Verão e condena “passa-moleque” nas promoções e progressões “que não saem”, bem como o calote no terço de férias e nas aulas ministradas em academia, falta de comida às mesas dos quartéis da PM, enfim; “Teremos muito o que debater”, propõe Reinaldo Almeida César, que já foi secretário da Segurança Pública do Paraná entre 2011 e 2012; leia o texto e compartilhe.
Delegado da PF Reinaldo Almeida César, em sua coluna desta quarta, anuncia a criação de um “Observatório”, por e-mail, para receber denúncias na segurança pública; ele afirma que os problemas da área não são para ser resolvidos de forma solitária, “enfiando uma capa sobre a cabeça e uma sunga vermelha por cima das calças, beira o ridículo e fica roçando num tipo penal muito conhecido, chamado estelionato”, critica sem, no entanto, citar o secretário Fernando Francischini, o Batman; colunista classifica como “vexatória” a Operação Verão e condena “passa-moleque” nas promoções e progressões “que não saem”, bem como o calote no terço de férias e nas aulas ministradas em academia, falta de comida às mesas dos quartéis da PM, enfim; “Teremos muito o que debater”, propõe Reinaldo Almeida César, que já foi secretário da Segurança Pública do Paraná entre 2011 e 2012; leia o texto e compartilhe.
Reinado Almeida César*

Na semana passada, ao estrear aqui, no Blog do Esmael – este ambiente democrático que acolhe, como poucas vezes visto na imprensa do Paraná, um amplo espectro de diferentes opiniões e de múltiplos pensamentos, agregando gregos e baianos – cometi uma falha, daquelas que se costuma dizer imperdoável.

É que na ânsia de participar deste estimulante espaço de ideias, com os dedos tamborilando sem parar no teclado, acabei não dizendo aos prezados leitores, afinal de contas, a que vim.

Em outras palavras, não registrei o que, sem descabida pretensão, imagino poder contribuir ao lançar aqui, semanalmente, algumas de minhas percepções.

O tema da segurança pública toca a todos nós.

Como já disse e escrevi algumas vezes, uma pessoa pode nascer e morrer sem ter pisado um só dia numa sala de aula de escola pública, nem ter sido medicado em posto ou hospital da rede pública, com uma aspirina que fosse.

Não falo de mim, devo tudo ao ensino público, onde fui alfabetizado e, anos depois, colei grau em Direito. Sou orgulhoso filho de professora aposentada da rede estadual. Sou da geração que se vacinava e se consultava em postos de saúde da rede pública. Nasci em hospital público.

Falo do Brasil, triste realidade. Falo do mercantilismo do ensino e da privatização sem limites na saúde.

Enfim, realidade por todos conhecida.

Mas, volto ao tema.

Mesmo quem nunca ouviu a doce voz de uma professora pública ou a boa orientação de um médico público, precisará das forças de polícia.

Segurança pública não é melhor nem mais importante que educação, saúde e outras políticas públicas. Mas ela é, sem dúvidas, o único serviço verdadeiramente universal, dirigido a todos indistintamente.

Só o Estado tem o monopólio da força. Polícias, desde sempre, serviram para garantir ao homem sua vocação de viver em grupos sociais.

Forças de segurança, em nome do Estado, agindo com os inafastáveis princípios da ética e respeitando as franquias da dignidade humana, organizam a sociedade, fazem imperar a lei, garantem a paz social.

A derrocada de uma sociedade começa com o enfraquecimento de sua forças de controle.

Proponho, então, que este espaço, em lugar de ser uma coluna monocórdia, onde só o colunista lança ideias, seja a resultante de uma reflexão coletiva.

Não quero aqui o samba de uma nota só.

Vamos, juntos, colunista, interessados e curiosos leitores – não sei se a ordem correta é essa – colocar luzes sobre a gestão da segurança pública no Paraná.
Porém, com uma regra.

Não vamos fulanizar o debate. Não vale a pena.

Vamos fazer análises impessoais. Aqui, nomes e epítetos são como o anti-herói dos contos de Harry Potter. Não merecem ser pronunciados.

Quem acha que resolve as coisas na segurança pública de forma solitária, enfiando uma capa sobre a cabeça e uma sunga vermelha por cima das calças, beira o ridículo e fica roçando num tipo penal muito conhecido, chamado estelionato. Segurança pública é obra coletiva.

Vamos conversar, de forma transversal, analisando o que foi realizado e o que deixou de ser feito no atual período de governo, que se iniciou em 2011, na área da segurança.

Vamos reler o “Metas de Governo/2011-2014” e o “Plano de Metas/2015-2019”, registrados solenemente em cartório pelo então candidato Beto Richa e ambos facilmente encontrados na internet, em versão integral. Qualquer Google ou Bing acha.

Vamos revisitar tudo o que foi prometido e aquilo tudo com o que o governo se comprometeu ao lançar, com pompa e circunstância, em agosto de 2011, o plano PARANÁ SEGURO, cuja logomarca, fruto do talento criativo dos irmãos Nenê e Gugu Guimarães, da G8, é até hoje utilizada à exaustão.

Em nome do Paraná e das gerações que nos sucederão, vamos discutir com clareza, o que foi feito e o que deixou de ser; o que está sendo realizado e o que não está.
Para isso, esta coluna criou o e-mail observatoriodasesp@gmail.com.

Assim mesmo, digitando tudo junto, em minúsculo, sem acento.

Mande suas opiniões, contribuições, críticas, pitacos.

Aqui vale tudo, no mais elevado espírito público e sem qualquer tipo de censura, que será sempre abjeta e condenável, sob qualquer forma torpe que se manifeste.

Envie sua sugestão de pauta, sua inquietude. De minha parte, fica o óbvio compromisso de garantia da preservação da fonte, preceito aliás, tão caro na Constituição Cidadã do Doutor Ulisses.

Estou certo do farto material que teremos para debater.

Pelo que tenho visto e ouvido, nos últimos tempos, com a vexatória Operação Verão, de pouco efetivo e diárias atrasadas, pelo passa-moleque nas promoções e progressões que não saem, pela negação do sagrado pagamento do terço de férias e de aulas ministradas em academia, pela comida que não chega às mesas dos quartéis, pelo corte dramático nos recursos da SESP, pela inércia na contratação dos que aguardam, com angústia, a chamada para a etapa seguinte do concurso e a nomeação prometida, entre outras questões, teremos muito o que debater.

Como diria o genial José Simão: por aqui, pauta é o que não falta.

Desculpem-me, pois, pela involuntária falta de apresentação na semana passada.
Pensando bem, foi melhor assim.

Alguém, fazendo o papel de Joãozinho nas piadas de infância, poderia dizer, maldosamente, que as promessas da segurança eram próprias do primeiro de abril, dia em que apresentei minha primeira coluna.

*Reinaldo Almeida César é delegado da Polícia Federal. Foi secretário da Segurança Pública do Paraná. Chefiou a Divisão de Cooperação Policial Internacional (Interpol). Escreve nas quartas-feiras sobre “Segurança e Cidadania”.

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