“Universidades estaduais geram lucros e não custos para o Paraná”, prova a Beto Richa doutora da Unioeste

Segundo trabalho inédito de professores das Universidades estaduais do Paraná, com participação da professora Mirian Schneider, um emprego em educação pública gera um efeito multiplicador do emprego de 2,34 e da renda 2,53. Isso significa renda, consumo e arrecadação!. A catedrática denuncia tentativa do governo Beto Richa (PSDB) de transferir fundos da educação pública para o setor privado, a exemplo do que ocorreu na fracassado episódio do confisco pelo tucano de R$ 8 bilhões do fundo da Paranáprevidência.

Segundo trabalho inédito de professores das Universidades estaduais do Paraná, com participação da professora Mirian Schneider, um emprego em educação pública gera um efeito multiplicador do emprego de 2,34 e da renda 2,53. Isso significa renda, consumo e arrecadação!. A catedrática denuncia tentativa do governo Beto Richa (PSDB) de transferir fundos da educação pública para o setor privado, a exemplo do que ocorreu na fracassado episódio do confisco pelo tucano de R$ 8 bilhões do fundo da Paranáprevidência.

Nós não somos um custo, nós geramos lucros e arrecadação para o Estado!!. Essa é a afirmação da professora Mirian Beatriz Schneider, doutora do colegiado de Economia da Unioeste, Campus de Toledo. Entre os anos de 2012 e 2014, ela foi a coordenadora local de um grande projeto de pesquisa que estudou o “Impacto das Universidades Estaduais no Desenvolvimento Regional do Estado do Paraná”.

Esse trabalho foi a pedido da Secretaria de Ciência e Tecnologia e da Fundação Araucária, que contou com a participação de professores de todas as universidades estaduais do Paraná. A professora destaca ainda que essa pesquisa tem como fundamento inicial um estudo parecido conduzido pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), em relação ao mundo, e que o projeto pretendeu replicar no Paraná. Dois livros onde são apresentados os resultados dessa vasta pesquisa estão no prelo e em breve estarão disponíveis para a coletividade.

Mirian aponta alguns dados interessantes e em função deles questiona o abandono em que se encontram as universidades: O Estado está deixando de arrecadar muito ao não investir nas estaduais! A educação pública está entre os cinco setores da economia que mais geram renda e, portanto, arrecadação no Paraná!, afirmou. Os dados são parte do trabalho produzido pelos professores da UEM e UNIOESTE: Alexandre Florindo Alves, Carlos Alberto Gonçalves Júnior, Emerson Guzzi Zuan Esteves, José Luiz Parré, José Tarocco Filho, Paulo Rogério Alves Brene, Ricardo Kureski, Ricardo Luis Lopes, Umberto Antonio Sesso.

figMultiplicadores tipo II de produção (MP), remunerações (MR), valor adicionado (MVA), emprego (ME) e índices de ligações intersetoriais de Rasmussen-Hirschman (RH) dos setores do Paraná no ano de 2006.

Sob outro enfoque, o trabalho dos professores aponta que um emprego em educação pública gera um efeito multiplicador do emprego de 2,34 e da renda 2,53. Isso significa renda, consumo e arrecadação.

Outro dado interessante do trabalho (também levando em conta dados de 2006) é que um milhão de reais investido na agricultura, por exemplo, gerava 115 empregos diretos, indiretos, no município, estado e país, com uma renda média anual de R$ 3.389,00. Na educação gerava 117 empregos a mais, no entanto a renda média era de R$ 14 851,00, ou seja, um impacto três vezes maior. Ninguém diz que um milhão investido na agricultura é custo, por que o fazem com a educação?!

Esse enfoque leva em conta somente o aspecto econômico da questão do investimento na educação pública, mas a universidade tem outros efeitos, mais difíceis de quantificar e talvez por isso os gestores públicos têm tanta dificuldade em interpretar os efeitos, no entanto, qualquer sociedade os reconhece. Nem vamos entrar nessa discussão.

De acordo com a professora Mirian, o projeto de autonomia proposto pela governo agiria como uma espécie de torniquete, que ao longo do tempo reduziria investimentos nas universidades, obrigando-as a buscar recursos externos para continuar a crescer, ou levando-as a definhar sistematicamente.

“A quem interessa isso? Se a arrecadação cresceu algo em torno de 46% nos últimos 4 anos, dinheiro existe, mas o que existe também é a determinante do gestor público de transferir esses fundos para a iniciativa privada, da mesma forma que se tentou fazer com a previdência, no entanto, a redução do investimento em educação nunca vem acompanhada da redução proporcional na carga tributária. Muito pelo contrário!”, denuncia.

18 Comentários

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  3. É não subestime a capacidade dos professores,……..não dá pra levar no bico,como os baba ovo da assembleia,…………..

  4. Parabéns Profª Mirian!!! Este estudo revela muita coisa. Não tira mérito da Agricultura, que é um excelente investimento público e revela que o investimento público em educação traz retornos ainda maiores. Viva a Educação Pública do Paraná e do Brasil.

  5. Por isso que amo a Educação. Essa sim é DOUTORA!!!! Para um governador que detesta Educação, não entende nada de Educação, só resta mesmo falar sem conhecimento de causa.

  6. Gostaria de ver o estudo na integra, não tão somente uma reportagem.
    Se cada real que o estado investe em educação é multiplicado, então cada real que as universidades privadas investem, é muito mais ainda, pois além de não gastarem dinheiro público, pagam impostos para o governo do estado.
    Então é muito melhor o estado emprestar dinheiro público para as universidades privadas investirem, arrecadarem impostos, gerar lucros e dividendos e ainda pagarem o estado de volta, não é não? Fora que assim não teríamos tantos funcionários públicos, cidadãos de 1° classe, com muito mais direitos que o cidadão comum, com previdência própria e todas as mordomias de funcionário público, além, é claro, do famigerado ócio e falta de produtividade dos servidores do estado.

    • A diferença é que enquanto o lucro de uma instituição pública significa retorno direto à população, o intuito único de uma instituição privada é enriquecer seus donos, sem nem mencionar a possibilidade de um cidadão ter ensino gratuito e de qualidade, em oposição aos valores cobrados nas IES particulares.
      A Alemanha, por exemplo, que sempre teve taxas muito baixas para o ensino superior, agora não as cobra mais, sejam os estudantes alemães ou estrangeiros. Não se permite que uma sociedade cresça quando apenas o interesse de poucos é atendido, caro Henrique…

    • A diferença é que as universidades públicas concentram quase que totalmente a pesquisa científica e tecnológica do País, enquanto nas universidades particulares, em geral, a ênfase recai somente no número de aulas.

    • Outra coisa, o país não tem grandes institutos de pesquisa. A paesquisa gerada nas universidades oferecem base para novas tecnologias, para o desenvolvimento agrícola e industrial e formação de bons profissionais…

    • Prezado Henrique,
      Respeito sua opiniao, mas discordo de alguns elementos.
      Seu argumento de que o “˜dinheiro investido nas privadas multiplicam mais que na pública”™ nao procede, dentre outras razoes pelo fato de serem poucas instituiçoes de ensino privadas que trabalham com pesquisa e pós graduação, elementos que contribuem sobremaneira para o multiplicador;
      Sim, o dinheiro tem fonte pública, mas qual a razão de pagarmos impostos senão para recebermos bens e serviços públicos?
      “É muito melhor o estado emprestar dinheiro público para as universidades privadas investirem, arrecadarem impostos…”. Menos, Henrique: Já ouviu falar em FIES e PROUNI? O primeiro oferece financiamento público para os estudantes em instituições privadas e o segundo se dá pela renúncia fiscal em favor de vagas nas privadas. Não fossem esses aportes públicos um grande número de privadas não sobreviveria. Isso já compromete sua afirmação de “lucros e dividendos e ainda pagarem o estado de volta”;
      “assim não teríamos tantos funcionários públicos”?: Se buscar informação sobre outros países, verá que a quantidade de servidores por habitante no Brasil está muito baixa. Ademais, o servidor existe para viabilizar, dentre outros, a oferta de bens e serviços públicos à população.
      A “previdência própria” é paga por servidores, assim como os da esfera privada o fazem; O FGTS, por exemplo, não existe para o funcionalismo público; Sobre as mordomias, se soubesse quem vc é, lhe convidaria para conhecer minha repartição e ver quantas mordomias temos.
      “ócio e falta de produtividade”? No Brasil, as privadas comportam cerca de 70% dos estudantes (as públicas 30%); As públicas respondem por cerca de 90% da produção científica (as privadas 10%): ócio e falta de produtividade?, Onde, cara pálida.
      Repito. Respeito sua opinião, mas discordo dela, pois tem pouca base em fatos e é carregada de preconceitos e desinformação.
      Claro, não estamos isentos de falhas, assim como a iniciativa privada não está, mas não somos essa inutilidade que vc tenta pintar.
      Sobre o acesso aos estudos, a pesquisa foi contratada pelo governo. Ela foi feita e entregue. A publicação “na íntegra”, agora, cabe ao Governo Richa/SETI. Esperemos que ele o faça.

  7. Parabéns por esta grandiosa informação!!!!
    É neste sentido que serve a educação e a Universidade!
    NUNCA, foi ou é CUSTO, todavia é um grande difusora de investimentos na geração de renda, emprego e capital não só no entorno de localização mas também para todo o território do Estado e do Pais. Além disso, ela ajuda na cidania, e na formação dos grandes profissionais e até deste gestores que nos machucam a ponto de nos roubar e tirar direitos com a retórica cruel de que tem cortar custos e. além disto tornando as universidades como prática de açougueiros, corta aqui, corta ai, corta lá…ai vai!!!! Mostrar estas “contas” Professora Mirian, é dizer para a sociedade que o retorno econômico é seguro, bem como diminui custos da ingnorância!

  8. Está aí uma informação valiosa para a sociedade e para o governo, cuja governança quase inexiste, há já vista o debacle do orçamento, o deficit dos serviços e obras públicas e o estado de indigência dos órgãos públicos. O governador é um inconsequente, compra um hotel 5 estrelas, com banheiras e heliporto para a Procuradoria do Estado (já em mudança…), e nega o numerário para suporte administrativo dos serviços da defensoria (já reparado na Justiça por liminar).

  9. Óbvio que as universiades estaduais trazem mais custos do que receita para os Paranaenses. Se não bastássemos enviar nossos impostos para outros estados, alguém tem dúvida que a maioria dos alunos das estaduais são de outros estados? Vão na UEL e contem quantos alunos de Direito e Medidicna são do estado de São Paulo. Somos nós paranaenses bancando alunos de outros estados que voltarão para os seus Estados! O próprio Requeijão já quis aprovar um projeto blindando a entrada de alunos de outros estados.

    • Santa paciência… Então, por esse raciocínio, os vários profissionais que atuam nas universidades daqui, que vieram de fora do Estado e dão retorno para a região, ganhando, mas tb gastando aqui, deveriam dar no pé. Outros Estados que formaram esses profissionais perderam… A UEL é de Londrina, fronteiriça com SP. É natural que vários paulistas venham tentar vestibular lá, assim como paranaenses de lá vão a SP tb. Quer dizer que o Estado tem de se fechar, promover quase a xenofobia? Olha, por favor, é tanta insanidade nestes comentários que eu acho que o povo emburrece um pouco, a cada instante, lendo os mesmos.

  10. Mas que adianta falar de trabalho pro Beto Richa, ele não entende do assunto e não tem talento para a coisa. Profissão para ele é mecânico, que arruma kart…

  11. Ótima reportagem, digno de ser compartilhado. A educação é um investimento e não um custo para o Estado, infelizmente alguns entendem ao contrário, mas essa pesquisa vem numa boa hora a confrontar os inconvenientes e sem informação de causa… Parabéns aos pesquisadores envolvidos nesse trabalho!!!

  12. Grande Contribuição para reestabelecer a verdade sobre o Ensino Público. Alem, de tudo, prepara uma nova geração que será mais produtiva intelectualmente.

  13. Excelente reportagem! Mais uma que não sai na velha mídia, que normalmente é patrocinada pelo ensino privado.