Coluna do Marcelo Araújo: ‘Em defesa da cota de passagens aéreas para esposas dos deputados’

marcelo_charge_monica.jpgMarcelo Araújo*

Diante de tantos escândalos que envolvem o reajuste de verbas parlamentares, auxílio-moradia entre outras benesses, a que me pareceu mais pitoresca é da cota de passagens aéreas para as esposas dos deputados federais. Pitoresca porque a reivindicação não partiu dos parlamentares, mas sim das esposas, que se reuniram com Eduardo Cunha (PMDB-RJ) quando de sua posse na presidência da Câmara dos Deputados.

O benefício está recebendo duras críticas, mas vamos entender o que poderia ter motivado essa reivindicação além da saudade arrebatadora dos maridos, deixando bem claro que são ilações hipotéticas.

O parlamentar costuma ter sua semana dividida quase de forma equânime entre Brasília e sua base, o que poderia lhe permitir ter duas vidas paralelas. O poder e o dinheiro, individualmente, tornam o indivíduo mais atraente e até bonito, e, unidos, o deixa irresistível. Brasília é um lugar onde poder e dinheiro afloram a beleza, atração e sedução.
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Vamos pegar carona no exemplo do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e Mônica Veloso, cuja relação se eternizaria se não fosse a inesperada paternidade e repercussão do caso, especialmente pela necessidade de verbas para cobrir os rombos decorrentes da paixão, do amor e de seu fruto.

Como diziam as revistas da época, ela abalou a República. E o problema é quando a amante se sente traída pela esposa e resolve vingar-se chantageando e expondo segredos dos bastidores do poder que são falados em meio a frases de paixão.

Quando a amante de Alberto Yussef saiu na capa da Playboy muito se falou que teria sido um momento de descontração, mas eu entendi que foi um momento de tensão porque, se ela apareceu, outras também podem aparecer.

Já não se sabe se a preocupação com escutas telefônicas é com a corrupção ou a exposição da vida paralela, pois a perda é do dinheiro, do poder e da família.

Também acho injustas as caricaturas que representam a figura da esposa de forma negativa em seus atributos físicos e daquilo que se entende por beleza (não aplicável no caso do senador Aécio Neves), pois a beleza dos maridos também não advém de seus atributos físicos.

Estando acompanhados de suas esposas não haveria tanta necessidade de idas e vindas à s suas bases, salvo quando da real necessidade, e o parlamentar sofreria menos desgaste com viagens, concentrando-se no trabalho, na família e nos bons costumes.

Não significa que as esposas não gostem nem mereçam desfrutar de mordomias advindas do poder e do dinheiro, mas me parece que elas são menos tolerantes com a corrupção que as amantes.

Quem sabe se aquilo que aparenta ser um desperdício, uma regalia, possa ser um passo para por ordem na casa?

De multa eu entendo!

*Marcelo Araújo é advogado, presidente da Comissão de Trânsito, Transporte e Mobilidade da OAB/PR. Escreve nas segundas-feiras para o Blog do Esmael.

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