Coluna do Enio Verri: “Reforma política ampla e popular”

verr.jpg*Enio Verri

As dificuldades políticas vivenciadas pelo Brasil que motivaram, desde sexta-feira (13), manifestações pelo País – infelizmente, houve ainda quem defendesse o ódio contra um partido, minorias e a apologia ao nazismo, ditatura militar e até mesmo a escravidão -, tem solução: a reforma política.

O descontentamento com o sistema político brasileiro exige decisões emergenciais que contemplem tanto o Poder Público quanto a população. É fato, que a Câmara dos Deputados e a Presidente Dilma Rousseff já deram o primeiro passo ao propor e instalar uma comissão para debater o tema. Porém, é preciso ir além.

É com este objetivo que o Partido dos Trabalhadores defende uma constituinte para debater e elaborar um novo sistema eleitoral. Uma reforma ampla e popular, em diálogo com todos os setores da sociedade e que respeite as características de um país continental e com uma cultura rica e heterogênica.

Defende-se, assim, o fortalecimento dos partidos políticos e, consequentemente, o enfraquecimento do personalismo do voto. Trata-se de encontrar medidas, como o Sistema de Representação Proporcional de Lista Fechada, que valorizem a escolha por partido em vez de um competidor.

É difícil acreditar em mudanças em um sistema que privilegia o personalismo e individualismo em vez de ideologias e conteúdos programáticos dos partidos políticos. É uma contradição defender o voto no indivíduo e esperar representatividade dos partidos políticos ou bancadas nos poderes legislativos.

Mas o modelo é muito mais complexo e mais profundo. Não trata apenas de fortalecimento de partidos, mas também de analisar outras perspectivas impostas no sistema, como o financiamento eleitoral. Atualmente, os candidatos com carreiras sólidas e com chances reais de se (re) elegerem tendem a ser beneficiados pelos financiadores privados.

As desigualdades do modelo são gritantes e demandam atenção, atitude e um amplo debate para que ilegalidades presentes no modelo eleitoral sejam inibidas. Mas que principalmente, sejam o alicerce de uma sociedade mais justa e representada por diversos setores da sociedade.

*Enio Verri é deputado federal, presidente do PT do Paraná e professor licenciado do departamento de Economia da Universidade Estadual do Paraná. Escreve nas terças sobre poder e socialismo.

2 Comentários

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  1. Acho que a única solução é instalando fuzilatórios… Por bem não há o que fazer mais, apesar das investigações, ainda continua roubando na Petrobrás…

  2. Enio, propor e instalar comissões, sempre foi o 1º
    passo de todos os processos de “embromation” que
    aconteceram no Brasil até hoje.
    A Constituinte de 88 já era pra ter sido elaborada
    por deputados constituintes, eleitos exclusivamente
    para essa finalidade, mas a politicalha de sempre
    se outorgou a si mesma, essa nobre missão.
    Deu no que deu: merda.
    Alguém acredita que Dilma e o (PT + PMDB) darão
    jeito no Brasil?
    Que os políticos corruptos e corruptíveis darão
    jeito no Brasil?
    Se existirem uns poucos bons, eles servem apenas
    de pretexto e justificativa para a permanência
    dos maus.
    Que os Juízes que, “novefora” os salários
    nababescos, ainda embolsam R$ 4.300,00 de auxílio moradia, mesmo os que moram na mesma cidade em que trabalham, nos darão guarida ou nos salvarão?
    Não Enio, temos que formatar o HD, e começar por
    reescrever a uma nova Constituição.
    Mas isso não é tarefa para essa “gente” que citei
    acima.