Velha mídia esconde “Fora Beto” e maior escândalo da história financeira mundial, diz colunista da Folha

folha_hsbc_richa.jpgNão é o Blog do Esmael, crítico atroz do laissez-faire, quem registra a “desatenção” da velha mídia nacional com o caso HSBC na Suíça, banco que ajudou milionários a ocultar bilhões de dólares, inclusive muitos brasileiros, e esconder! uma “revolução” em curso que sacode o governo Beto Richa (PSDB) no Paraná. à‰ o jornalista Ricardo Melo, colunista do jornal Folha de S. Paulo, quem alerta para essas lacunas! no artigo “HSBC e Beto Richa”.

Cerca de 9 mil brasileiros estão entre os 100 mil correntistas do mundo todo envolvidos na maracutaia do HSBC, que movimentam US$ 100 bilhões ou R$ 300 bilhões em moeda nacional.

A velha mídia nacional que se diz “investigativa” não quer enfiar a mão na cumbuca do HSBC porque, certamente, ela própria ou seus sócios estejam mergulhados na lama. “Esquisito”, registra o colunista da Folha, ao comentar o sumiço do assunto da pauta.

Ricardo Melo também anota na Folha, edição deste domingo (16), que houve uma “revolução” no Paraná capitaneada por servidores públicos, trabalhadores e estudantes que obrigaram o governador reeleito Beto Richa, do PSDB, a recuar no chamado “pacote de maldades” enviado à  Assembleia Legislativa.

“Entre outros disparates, o tucano propunha confiscar a previdência dos servidores para tapar rombos da antiga administração –dirigida por ele mesmo!”, ironizou o colunista, que estranha o fato de deputados chegarem de camburão na sessão que não conseguiu votar o pacote. “Notícia daquelas, de repercussão nacional, exceto na mídia de fora da região.”

“Foi na capital do Paraná. Mesmo Estado onde fica a Londrina do juiz Sérgio Moro, sede do antigo Bamerindus vendido a preço simbólico ao HSBC e do Banestado (Banco do Estado do Paraná), pivô da CPI que durante os anos 90 catapultou o doleiro Alberto Yousseff para manchetes. Mera coincidência, talvez”, finaliza o atento colunista da Folha.

A seguir, leia a íntegra do artigo publicado na Folha de S. Paulo:

HSBC e Beto Richa
Por Ricardo Melo

Escândalo financeiro mundial e vitória contra austeridade ficam escondidos na imprensa

Aproveitando a mais do que merecida folga da querida e competente Vera Guimarães, vou dar uma de ombudsman acidental.

à‰ de estranhar, para dizer o mínimo, o laconismo com que a imprensa “mainstream” local vem tratando um dos maiores escândalos da história financeira mundial.

Falo da revelação de que o HSBC na Suíça ajudou milionários a ocultar bilhões de dólares e assim fugir do fisco em seus países de origem. A lista é ecumênica: inclui desde ricaços tidos como “limpos” até traficantes, ditadores e criminosos dos mais variados.

São mais de 100 mil contas. O valor da maracutaia internacional passa de US$ 100 bilhões. Em moeda local, algo perto de R$ 300 bilhões. O argumento de que o tema está distante do leitor nacional não resiste aos fatos: cerca de 9.000 clientes envolvidos na falcatrua são brasileiros; o HSBC é um dos maiores bancos a operar no país; e, pelo que a investigação conseguiu apurar, a roubalheira decolou depois da aquisição, pelo HSBC, de um banco e de uma holding de propriedade de Edmond Safra. A familiaridade do sobrenome com o Brasil, embora não seja prova de nada, dispensa comentários e deveria ser suficiente para aguçar a curiosidade de qualquer jornalista.

Surpresa: o assunto praticamente desapareceu, a não ser quando encontraram supostas conexões com o pessoal da Lava Jato. Esquisito. E os outros milhares de correntistas brasileiros premiados, desapareceram? A história não fecha. Aliás, é a segunda vez que um trabalho do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos recebe tratamento desprezível no Brasil.

Há pouco tempo, a mesma equipe escancarou manobras tributárias de bancos e multinacionais, brasileiros incluídos, para fugir de impostos com operações em Luxemburgo. Uma das empresas acusadas na artimanha, a Pricewaterhouse, por acaso vem a ser uma das que aprovavam balanços podres de instituições protagonistas da crise de 2008. Hoje a Price examina a contabilidade da Petrobras…

Detalhe: o premiê de Luxemburgo na época das sonegações, Jean-Claude Juncker, é o atual presidente da Comissão Europeia. E o homem forte do HSBC no período do vale-tudo da Suíça virou ministro no governo britânico do conservador David Cameron. Precisa mais?

PARANà NA MODA; E NA MàDIA?

Curitiba viveu recentemente uma das maiores manifestações de sua história. Milhares de servidores públicos, trabalhadores e estudantes obrigaram o governador reeleito Beto Richa, do PSDB, a recuar no chamado “pacote de maldades” enviado à  Assembleia Legislativa.

Entre outros disparates, o tucano propunha confiscar a previdência dos servidores para tapar rombos da antiga administração –dirigida por ele mesmo!

Deputados chegaram de camburão, reuniram-se no restaurante e, ainda assim, não conseguiram votar o pacote. Notícia daquelas, de repercussão nacional, exceto na mídia de fora da região.

Foi na capital do Paraná. Mesmo Estado onde fica a Londrina do juiz Sérgio Moro, sede do antigo Bamerindus vendido a preço simbólico ao HSBC e do Banestado (Banco do Estado do Paraná), pivô da CPI que durante os anos 90 catapultou o doleiro Alberto Yousseff para manchetes. Mera coincidência, talvez.

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