Coluna do Marcelo Araújo: “Em defesa do secretário Francischini e considerações sobre os camburões”

marcelo_camburao_francischini.jpgMarcelo Araújo*

Camburão tem sido uma das expressões mais usadas em relação aos fatos que permeiam o cenário federal e estadual. Em âmbito federal nos referimos a Operação Lava Jato, na qual uma brilhante vitória foi conseguida pelo defensor de um dos réus que sofre de lombalgia crônica, artrose lombar e escoliose. De posse desses elementos seu cliente obteve o direito de ser transportado no assento da viatura.

Sobral Pinto tornou famoso um habeas corpus no qual evocou a Lei de Proteção aos Animais para coibir maus tratos a presos humanos. Aqui aconteceu a mesma coisa ao contrário, e na minha opinião nem seria necessário o cidadão estar tão lascado diante do argumento que se trata de um ser humano.

Nos veículos os seres humanos devem ocupar o local a eles destinados, enquanto no compartimento de carga (animais são cargas vivas) não se permite transporte de pessoas em situações de normalidade (sem emergência ou até riscos). Já se discutiu muito a real finalidade e necessidade das algemas. Se há real necessidade de algema e camburão, que se use. Se a finalidade é de espetáculo…

O outro caso é o da Assembleia Legislativa. Para começar esse da Assembleia não é um “Camburão”, e sim um veículo blindado para transporte de pessoas. Ele não tem a finalidade de transportar presos, e sim proteger seus ocupantes em incursões bem como torná-las possíveis pelo seu porte, resgatar policiais em confrontos entre outras.

Nas cenas protagonizadas pelo “Blindado” diante da Assembleia aquela que envolveu o secretário Francischini da Segurança teve destaque especial, e cada um parece que viu uma coisa, e eu vou dizer o que eu vi.

Eu vi um manifestante prostrado na frente do “Blindado”, que ao perceber a presença do secretário e sua intenção de abrir a porta saltou em sua frente tentando impedi-lo no estilo “sumô”.

Eu vi o Secretário desvencilhar-se e se afastar do manifestante, sequer dando a atenção que ele tanto queria. Por isso foi acusado de acovardar-se e fugir.

Assista ao vídeo:

Francischini poderia ter revidado a agressão sendo uma das possibilidades a de ser agredido do manifestante, situação que obrigaria a PM tomar atitude drástica contra o manifestante, e por consequência os outros manifestantes contra a polícia. Outra hipótese seria o secretário agredi-lo, e aí estava feita a cáca.

Na minha opinião, o manifestante queria brigar com o secretário e ficou brigando com o vento. Se ele fosse covarde não estaria lá de peito aberto junto com a tropa. Maridos inteligentes agem assim quando a esposa quer brigar, dando razão antes de ouvir os argumentos.

Quem vibra com tudo isso é o prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet, na teoria do “me inclua fora disso”, pois dessa forma esquecem um pouco, e o máximo que lhe sobre é uma vaiazinha básica em qualquer lugar público. Logo pede o “Blindado” emprestado!

De multa eu entendo!

*Marcelo Araújo é advogado, presidente da Comissão de Trânsito, Transporte e Mobilidade da OAB/PR. Escreve nas segundas-feiras para o Blog do Esmael.

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