“A morte do homem do chapéu”

ruth_bamerindus_ze_chapeu.jpgRuth Bolognese*

José Eduardo Andrade Vieira foi um homem incomum: nasceu rico, viveu por dinheiro, sacrificou-se pelo poder e morreu solitário. Desconfiado por natureza, desvendava o mundo à  sua maneira, sob a aba do chapéu texano, ora com arrogância, ora com sabedoria, quase sempre com lucidez e muitas, muitas vezes com ingenuidade. Foi, certamente, o paranaense que mais ganhou dinheiro como presidente do Bamerindus, 3!º maior banco do País na década de 90, e aquele que mais poder acumulou unindo dinheiro do próprio bolso e política, quando elegeu-se Senador da República, e tornou-se ,por um período de tempo, tanto ministro da Indústria e Comércio como da Agricultura de Fernando Henrique Cardoso. E foi, também, o paranaense que mais perdeu dinheiro e poder ao retornar de Brasília para o Paraná ferido de morte por ter perdido o Banco e a ambição pessoal de chegar à  Presidência da República.

Convivi quase diariamente com José Eduardo Andrade Vieira, a quem sempre chamei de Dr. José Eduardo!, durante quase dois anos, no exato período em que ele decidiu entrar para a política. E de lá e nos 10 anos seguintes, quase sempre estive próxima a ele, ora em conversas por telefone, ora trabalhando na Folha de Londrina!. Do homem animado e cheio de planos para o País, transformou-se num pote até aqui de mágoas depois que perdeu o Bamerindus. Mas nunca falou em nomes, nem em quantias perdidas, nem em detalhes sórdidos que acompanham essas tenebrosas transações financeiras que cercam a mudança do controle de um grupo do tamanho do Banco da nossa Terra!. Guardou para si a decepção pela indiferença dos políticos paranaenses !“ a quem sempre havia doado dinheiro para as respectivas campanhas !“ no momento crucial da perda do Banco. Refugiou-se em Londrina, aquietou-se numa fazenda e desapareceu do mundo político e social ao qual sempre pertenceu. Há pouco mais de um ano, não respondeu a um e-mail que lhe mandei e, a partir daí, respeitei o silêncio.

Ontem, ao saber da morte do Dr. José Eduardo!, me lembrei das poucas vezes que o vi rindo de alguma coisa, da rotina estafante de trabalho a que se impunha, das certezas que tinha para melhorar o Paraná e o Brasil. Andava pra baixo e pra cima de avião, mas nem prestava atenção na paisagem e nem no conforto. Podia comprar o que queria, mas nunca o vi comprando nada. Podia comer o que queria, mas nem se importava com os pratos que vinham à  mesa: comia e pronto. Morreu sem me responder a pergunta que tantas vezes ensaiei e acabei nem fazendo: por que um homem poderoso, dono de um banco, riquíssimo, com tudo para aproveitar cada segundo da vida, optou, aos 60 anos, pela política? E pela política brasileira, meu Deus do Céu?

*Ruth Bolognese é jornalista em Curitiba.

24 Comentários

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  2. Eu gostei do texto. Quanto aos comentários…incrivel como cada um quer “livrar o seu”…prefiro dobrar minha cabeça numa grande reverência a um homem que se foi…e que serviu a algo também!
    Se ele foi honesto ou não, isso cabe à sua consciencia e a sua prestação de contas

  3. lindo texto Ruth? Parabéns!

  4. Todos os Códigos de Ética do jornalismo incluem como valores e preceitos fundamentais do jornalismo a busca da verdade, a veracidade e a precisão das informações, preceitos estes desconhecidos por esta “senhora”, que no texto apresentado, apontou inverdades, injurias e difamações por um homem (sr José Eduardo de Andrade Vieira) que foi exemplo para muitos e sinônimo da verdadeira ética e respeito pelo paranaense.

    No Brasil, o Código de Ética da FENAJ (Federação Nacional dos Jornalistas), estabelece, no art. 2º, I, que “a divulgação da informação precisa e correta é dever dos meios de comunicação e deve ser cumprida independentemente da linha política de seus proprietários” e no art. 2º, II, acrescenta que “a produção e a divulgação da informação devem se pautar pela veracidade dos fatos”. Por fim, o artigo 4º afirma que “o compromisso fundamental do jornalista é com a verdade no relato dos fatos, deve pautar seu trabalho na precisa apuração dos acontecimentos e na sua correta divulgação” e o art. 7º, que: “O jornalista não pode (…) II – submeter-se a diretrizes contrárias à precisa apuração dos acontecimentos e à correta divulgação da informação” 1 .

    Prezada Ruth Bolognese, o sr José Eduardo representava a essência do Povo Paranaense, foi um homem respeitado, que teve sua historia construída com dignidade, por fim, o tal “pote de mágoas ” pode estar presente em seu dia a dia, por não mais possuir uma coluna no respeitado jornal pertencente a família Andrade Vieira ” Folha de Londrina”.

  5. Creio que o Senador não nasceu rico não. Quando nasceu seu Pai Avelino Vieira era empregado do Banco Comercial do Paraná em sua Cidade Natal no interior do Paraná.

  6. Belo texto.
    Retratou o homem que conheci quando ele nos procurou para arrendarmos uma parte da Fazenda Capela, em Joaquim Távora, onde o Sr Zé Eduardo ele se exilou após sair da vida pública e antes de sua venda.
    Homem de poucas palavras mais palavras diretas. sem rodeios.
    Lembro de sua alegria quando da colheita de soja, onde conseguimos bater record de produção naqueles 50 alqueires.

  7. FHC ACABOU COM ESTE PARANAENSE, MESMO ELE AJUDANDO FINANCEIRAMENTE NA CAMPANHA DO PSDB. LEVOU UMA PUNHELADA PELAS COSTAS.E TEM BABACA QUE NÃO CONHECE A HISTORIA E ACHA QUE CONHECE ESSE PARTIDO DO MAL.

  8. Rute, de admirava muito como profissional e pessoa,mas fepois de ver sua nomeação como assrddora de comunicação da vice governadora. Com dalario de R$ 23.000,00, percebi que você é farinha fo memo saco. Triste.

  9. Belo texto Ruth. Vc retratou bem quem foi o Seu Zé.
    Rico de nascimento, poderoso, mas sem senso administrativo, pôs a perder o patrimonio que não era só seu, mas da familia e dos paranaenses. Reuniu em torno de si apenas falsos amigos, interessados apenas em dinheiro. E na hora que precisou de um ombro amigo ficou só. Se tornou uma pessoa triste, magoada, mas sem reclamar de ninguém. Descanse em paz Seu Zé, paz que aqui não teve, pelo menos em seus últimos anos.

  10. Antes de quebrarem Banestado/Bamerindus, tinha uma proposta, c/respaldo do BC, de se unirem, mas “alguém” preferiu doar o Banestado ao Itaú….e estamos pagando a conta por 30 anos e tem mais quinze pela frente…..

  11. Parabéns Ruth brilhante texto que traduz numa homenagem a um homem que participou da história do paí, que fatalmente foi vitima de um campo perigoso o qual não conhecia e sofreu por isso.

  12. Respondendo à pergunta que jamais foi feita, os ricos e bem sucedidos empresários se submentem à política “brasileira” pelo fato de que ela traz o que o dinheiro não pode comprar: notoriedade, fama e dinheiro fácil. Sim, para quem é vaidoso não basta só dinheiro, mas visibilidade, além de um punhado de puxa sacos de plantão para dizer a ele que é o máximo. Vaidade e ganância, ingredientes maravilhosos para a bancarrota. São as duas chaves que abrem os portões do inferno (metaforicamente falando, é claro)!

  13. “Nascemos nús, desdentados e carecas, voltaremos(?)com o que trouxemos.

  14. O Zé Eduardo foi traido pelo FHC com medo que um dia ele pudesse ser presidente do Brasil.
    Aconteceu como o Itamar,foi sacaneado pela turma da AV Paulista e tomaram dele a ferramenta que poderia ter num futuro para confrontar o PSDB.
    Nos ultimos anos via aquele homem poderoso descendo para tomar café e um pão na chapa ali na lanchonete Vila Rica embaixo da “FOLHA”.
    Se retirou do glamour para levar uma vida de pobre o que não era.

  15. Eu já acho que o Bamerindus não faliu, foi falido depois que se amasiou com o P$DB.

    • Falências causadas por partidos políticos:
      Na época do PSDB: Vale, Embraer e CSN = R$ 0,00
      Na época do PT: Petrobrás=R$ 88 Bilhões de Reais; BNDS= R$ ???; Elotrobrás= R$????

  16. O BAMERINDUS FALIU POR CAUSA DE ERROS TÍPICOS DE UMA EMPRESA FAMILIAR, ASSIM COMO A TODESCHINI.

  17. Só mais um banqueiro explorador e o pior, psdbista, foi tarde.

  18. Além de todos os vícios da nossa elite política conservadora, uma coisa o diferenciava: a completa inaptidão para qualquer coisa prática; tanto é que a família Vieira reservava para ele o ostracismo. Um acidente de avião ceifou os demais membros da família e levou o Zé ao poder. Guindado ao poder por puro acaso, se mostrou um completo inepto, foi o pior Senador que o Paraná já teve e conseguiu destruir toda herança da família. Isto prova que qualquer Zé Ruela pode atingir o ápice, nem que seja da mediocridade.

    • Como é fácil, usando de simples retórica, reduzir a nada a importância de um ser humano, principalmente quando ele não esta perto para se defender. Torça que não façam o mesmo com você, professor Roberson.

  19. Foi se aliar logo com FHC, só podia dar nisso; o PSDB é uma praga, quem se aproxima dele está desgraçado para sempre!

    • Concordo com você, se tivesse se aliado ao Lula, Dilma e PT com certeza seria dono de alguma refinaria de petróleo no exterior e com contas bancárias transbordando em algum paraíso fiscal. De desse alguma coisa errada dava uma de Pizzolato.

      • KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

        Esta foi muito boa Genildo, e concordo mesmo com você, se o banqueiro tivesse optado por estar ao lado de Lula já nos anos 90, hoje seria quem sabe um do presos no esquema de desvio da Petrobras, não perderia seu banco, muito pelo contrário, seria o banqueiro mais importante do país, ou talvez um dos mais importantes banqueiros do mundo, gerenciando as contas milionárias da quadrilha e da fortuna do filho gênio do Lula, o tal de Lulinha. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

      • O FALA MERDA VOLTOU HOHOHOHOHO