Por Esmael Morais

Artigo de Paulo Rossi: E a vaca tossiu…

Publicado em 02/01/2015

paulo_dilma_vaca.jpgPaulo Rossi*

Durante sua campanha pela reeleição, num encontro com sindicalistas, cujo programa foi exibido no horário eleitoral, a presidente Dilma Rousseff (PT), prometeu que não faria mudanças na legislação trabalhista em prejuízo aos trabalhadores Nem que a vaca tussa!…

Com isso, a então candidata buscava o apoio dos dirigentes sindicais (e conseguiu a maioria), pois acusara o candidato oposicionista Aécio Neves de querer promover uma reforma trabalhista, tirando direitos como férias, FGTS e décimo-terceiro.

Além disso, Dilma criticou a nomeação antecipada pelo tucano do futuro! ministro da fazenda, Armínio Fraga, pois se tratava de alguém pró-mercado! e com ideário neoliberal.

O que dizer do seu novo ministro da fazenda, Joaquim Levy, que foi aluno de Armínio Fraga e segue à  risca sua cartilha neoliberal!, tanto criticada pela presidente?

Infelizmente o que vemos agora é que a Vaca Tossiu!, pois no apagar das luzes de 2014, a classe trabalhadora recebeu mais um presente de grego, com medidas que afetarão o bolso e o direito dos trabalhadores. As principais mudanças estão no tempo para obter-se direito ao seguro-desemprego, que passará de seis para 18 meses trabalhados, de forma ininterrupta.

Preocupa-nos tal medida, tendo em vista que o país atravessa um momento de instabilidade econômica e com crescimento pífio, além de poucos empregos gerados, sem falar no ajuste fiscal já anunciado por seu ministro da fazenda.

Outra medida é a que trata do direito ao seguro-defeso, que beneficia milhares de trabalhadores artesanais e que não poderão acumular com outros direitos previdenciários.

Dilma também mexeu na previdência social, com a redução dos valores pagos ao cônjuge e seus dependentes em caso de morte, além da ampliação do prazo de recolhimento do contribuinte, cuja carência será de 2 anos.

Diante de tudo isso e da falta de perspectivas de melhores dias para os trabalhadores brasileiros, cabe a nós, dirigentes sindicais comprometidos pela defesa dos direitos arduamente conquistados, para que encontremos o xarope para curar essa vaca que tossiu, pressionando e convencendo o novo Congresso Nacional a derrubar tais medidas provisórias, pois caso contrário, estarão concordando com mais um estelionato eleitoral como nunca antes na história desse país…

*Paulo Rossi, presidente da UGT-PARANà.