Reacionária, Curitiba envergonha o país sem feriado da Consciência Negra

Mesael Caetano dos Santos, o

Mesael Caetano dos Santos, o “Advogado dos Pobres”, presidente da Comissão de Igualdade Racial da OAB Paraná, negro, nordestino e pobre, luta pelo reconhecimento do feriado de Zumbi dos Palmares em Curitiba.

Quando se fala que a capital paranaense é conservadora não é apenas retórica. à‰ fato. Vide o exemplo do feriado da Consciência Negra, nesta quinta-feira, 20 de novembro, defenestrado no ano passado pelo Tribunal de Justiça do Paraná e confirmado pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal.

As entidades Associação Comercial do Paraná (ACP) e do Sinduscon, símbolos do capitalismo e da supremacia branca, argumentam que a data comemorativa dos negros traria prejuízo de R$ 200 milhões ao comércio da capital paranaense.

Estima-se que a população afrodescendente curitibana é de 23,4%. Quase um quarto.

As cidades do Rio de Janeiro e São Paulo entenderam ser importante homenagear o guerreiro e líder dos escravos Zumbi dos Palmares, morto a 20 de novembro de 1695, portanto há 319 anos.

A lei sancionada em 11 de janeiro de 2013, pela Câmara de Curitiba, estabelecendo o feriado da Consciência Negra, é uma espécie de “expiação” dos pecados cometidos pelo legislativo municipal que, segundo a História, a partir de 1746, recebeu autorização real para marcar escravos fugitivos.

O que esperar de uma sociedade mesmo depois de 126 da abolição da escravatura que trata os trabalhadores domésticos como se ainda fossem escravos, sem direitos e vantagens consagrados pelas leis laborais?

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