Por Esmael Morais

Cristina Kirchner intervém no Banco Central e derruba o dólar em 21%

Publicado em 14/11/2014

A manobra fazia parte de um plano dos altos doleiros associados à s grandes financeiras, patrocinadoras dos meios hegemônicos de comunicação, em forçar uma maxidesvalorização, o que fez que o dólar aumentasse 15,95%, no paralelo (anteontem, foi rebaixado para 12,65).

Os governos nacionais anteriores aos Kirchner costumavam dobrar-se a estas pressões e efetuar maxidesvalorizações, provocando enormes rombos na economia.

A saída clássica era recorrer a vultosos empréstimos a bancos internacionais, na base de draconianas medidas fiscais, que sempre implicavam sacrifícios para os trabalhadores, aposentados e assalariados em geral.

Era uma velha manobra destinada à  repatriação de divisas, com a qual colaborava o Banco Central, mesmo sob a presidência do atual governo, caracterizado pela defesa dos interesses nacionais.

Presidenta denuncia o seu BC

Cristina decidiu enfrentar o bicho-papão e denunciou que, desde 1982, se acumulavam expedientes no BC contendo investigações sobre irregularidades e manobras fraudulentas em bancos e financeiras.

A presidenta recordou que aquelas investigações haviam realizado operações em grutas! (cuevas), onde havia pessoal de segurança prestando serviços e também executivos, os quais,a partir do Banco Central, diziam que lhes tinham avisado dos processos.

Ao mesmo tempo, o novo presidente do BC, Alexandre VAnoli, o chefe de gabinete Jorge Capitanich e o ministro da Ec onomia Axel Kicillof se juntaram com os principais agroexportadores da soja e outras oleaginosas. Tais autoridades lhes solicitaram que acelerassem a liquidação das vendas, retidas nos últimos meses justamente à  espera da dita maxidesvalorização.

O presidente do Banco Central, Juan Carlos Fábrega, sentiu-se pressionado e renunciou, em primeiro de outubro, assumindo em seu lugar o presidente da Comissão Nacional de Valores, Alexandre Vanoli, mais identificado com o modelo nacional de desenvolvimento autônomo, liderado pelo atual governo desde 2003.

A reação dos doleiros não se fez esperar e no último dia 24 de setembro o dólar disparou em 15,95%. Não obstante, uma ação conjunta da AFIP, BC e outros organismos de controle governamental, resultou na vistoria in loco daquelas 71 entidades financeiras, incluindo o Banco Mariva, que sofreu intervenção, por comprovada ação fraudulenta..

Enquanto isso, a presidenta se internava na Clínica Ofamenti, no dia dois de novembro, com fortes dores no estômago, a partir das quais se constatou uma inflamação no cólon intestinal, produzido por uma bactéria que vazou para o sangue. Cristina ficaria uma semana na Clínica, da qual recebeu alta, no último domingo, nove de novembro, com recomendações de guardar repouso por dez dias. Já na segunda, dia dez, no entanto, a presidenta determinava o início da operação caça doleiros graúdos, na terça três. Imagine-se se o Banco Central da Argentina fosse independente, como quer a oposição que liderou a chapa contra Dilma no Brasil.