Marcelo Araújo: Assassinaram um agente de trânsito. Culpa de quem?

Marcelo Araújo, em sua coluna desta segunda-feira, lamenta a morte do agente de trânsito Reinaldo Lopes, de 50 anos, executado na última sexta-feira (29) com quatro tiros no bairro CIC; "O prefeito Gustavo Fruet esteve com os agentes demonstrando sua solidariedade e lamentar o ocorrido. Justo, mas insuficiente. Já falei anteriormente, esse é o papel de soldado, não de comandante", critica o colunista, que reivindica concurso na Secretaria de Trânsito e o emprego de membros da Guarda Municipal para atuarem como agentes de trânsito; leia o texto e compartilhe.

Marcelo Araújo, em sua coluna desta segunda-feira, lamenta a morte do agente de trânsito Reinaldo Lopes, de 50 anos, executado na última sexta-feira (29) com quatro tiros no bairro CIC; “O prefeito Gustavo Fruet esteve com os agentes demonstrando sua solidariedade e lamentar o ocorrido. Justo, mas insuficiente. Já falei anteriormente, esse é o papel de soldado, não de comandante”, critica o colunista, que reivindica concurso na Secretaria de Trânsito e o emprego de membros da Guarda Municipal para atuarem como agentes de trânsito; leia o texto e compartilhe.

Marcelo Araújo*

Na última sexta-feira dia 29, à s 21h40h, recebo a notícia com imagem de que um agente da Setran havia sido executado na CIC com 4 tiros. Antes que alguém conclua que o comentário de hoje é oportunista com a tragédia, importante é que se conheça minha relação com os agentes. Ela começou de forma mais próxima em meados de 2008, quando ministrei treinamento para 6 grupos de 50, totalizando os 300 da época, criando uma proximidade muito saudável.

Em 2012, na condição de secretário, havia um efetivo próximo aos 400. Não tem como entender o trabalho deles se você não sair na viatura nos diversos turnos, não ficar acompanhando o trabalho de orientação em cruzamento quando o semáforo dá pane e a chuva é torrencial. Por mais que alguns não acreditem, eles são seres humanos, têm família, ficam doentes. Ah, importante lembrar que os 300 remanescentes não ficam 24 horas na rua todos os dias, eles precisam se revezar, descansar, são humanos.

Os agentes constantemente são agredidos física, verbal e moralmente. Adotei a postura de acompanhar pessoalmente em delegacia e em juízo qualquer fato dessa natureza, pois entendo que se pequenos fatos não forem reprimidos, grandes tragédias podem acontecer. Entre setembro/2011 e janeiro/2012, Curitiba ficou privada do trabalho dos agentes e em pouco tempo isso foi sentida. Aquela aparente sensação de liberdade virou bagunça sem sua atuação.

Reinaldo Lopes tinha 50 anos, iria se aposentar em breve. Foi sozinho fazer um atendimento na CIC, em região insegura. Há situações que é inadmissível o atendimento solitário. No último sábado o prefeito Gustavo Fruet esteve com os agentes demonstrando sua solidariedade e lamentar o ocorrido. Justo, mas insuficiente. Já falei anteriormente, esse é o papel de soldado, não de comandante.

O lamento tem que vir acompanhado de proposta concreta de melhora nas condições de trabalho.

O prometido concurso, sempre soubemos, é um projeto distante nesse momento. Talvez seja a hora, prefeito, de analisar minha sugestão de credenciar alguns Guardas Municipais como agentes, para atendimentos em determinadas regiões onde ela já está presente, armada, com colete e em dupla.

No trânsito já virou jargão que não é acidente quando procedimentos e comportamentos seguros são negligenciados. Além da apuração do responsável direto, que deu os tiros, creio que se aguarda uma resposta dos responsáveis indiretos, a começar pelo ápice da pirâmide. Prefeito, com a palavra.

*Marcelo Araújo é advogado, presidente da Comissão de Trânsito, Transporte e Mobilidade da OAB/PR. Escreve nas segundas-feiras para o Blog do Esmael.

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