Dilma Rousseff abre Assembleia Geral da ONU em viés de alta eleitoral

Publicado em 24 setembro, 2014
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do Brasil 247

Discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU começará em instantes; presidente pronta a citar programas sociais de seu governo e distribuir mensagens aos países ricos, em especial os EUA, do presidente Barack Obama, sobre novo equilíbrio representado pela união econômica entre os Brics; fato global será aproveitado na campanha eleitoral no Brasil; Dilma Rousseff deve voltar da viagem fortalecida no plano internacional e com mais fôlego para escalar pesquisas de intenções de voto; adversários não têm como se opor; regras da reeleição foram criadas no governo Fernando Henrique, do PSDB; vantagem objetiva a 11 dias das urnas.
Discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU começará em instantes; presidente pronta a citar programas sociais de seu governo e distribuir mensagens aos países ricos, em especial os EUA, do presidente Barack Obama, sobre novo equilíbrio representado pela união econômica entre os Brics; fato global será aproveitado na campanha eleitoral no Brasil; Dilma Rousseff deve voltar da viagem fortalecida no plano internacional e com mais fôlego para escalar pesquisas de intenções de voto; adversários não têm como se opor; regras da reeleição foram criadas no governo Fernando Henrique, do PSDB; vantagem objetiva a 11 dias das urnas.
Para quem pode, é assim. E só quem pode, diante das regras da reeleição, é o presidente em exercício. Assim, nesta quarta-feira 24, a presidente Dilma Rousseff vai ocupar a tribuna da ONU para abrir a Assembleia Geral da Nações – e poderá faturar politicamente o gesto na eleição presidencial. Ela está preparada para fazer um discurso voltado aos países ricos, frisando os avanços obtidos pela aliança econômica real que se forma entre os Brics (Brasil, Rússia, àndia, China e àfrica do Sul), mas, especialmente, vai mirar o público interno. Dilma chegou a Nova York preparada para citar, um a um, os programa sociais desenvolvidos em seu governo, que vão obtendo reconhecimento internacional pelos resultados de combate à  pobreza e à  fome.

O momento para Dilma, na qualidade de candidata à  reeleição, não poderia ser melhor para aparecer em destaque na ONU como presidente do Brasil. Todas as pesquisas mostram sua retomada a patamares próximos dos 40% das intenções de voto, enquanto a até aqui principal adversária, Marina Silva, do PSB, despencou da faixa dos 30% para a dos 20% e ainda não mostrou, claramente, qual é seu piso. Pode cair mais. O candidato do PSDB, Aécio Neves, já parou de cair e voltou a crescer, mas ainda não voltou à  faixa dos 20%, de acordo com os levantamentos mais recentes. Já há cálculos que indicam, de novo, como acontecia antes da morte do presidenciável Eduardo Campos, que Dilma possa vencer em 1!º turno.

Não há, para a oposição, como reclamar dessa situação. As regras da reeleição, afinal, foram escritas durante o governo de Fernando Henrique, líder dos tucanos. São elas que permitem ao presidente disputar a corrida eleitoral desfrutando de todas as vantagens do cargo, o que sempre se mostrou uma qualidade objetiva. Tanto assim que quem usou a prerrogativa, como o próprio FHC e, em seguida, o petista Lula, conseguiu seu segundo mandato. Agora é a vez de Dilma.

Para obter a maior repercussão eleitoral no Brasil, a presidente se preparou para elencar em Nova York os resultados dos programas sociais desenvolvidos em sua gestão. Ela poderá dar a máxima ênfase a isso, uma vez que iniciativas como o Bolsa Família têm obtido reconhecimento cada vez maior de organizações internacionais, entre as quais a FAO, o órgão e combate à  fome da própria ONU.

Para o público externo, Dilma também terá o que dizer. Ela participou ativamente da construção do Novo Banco de Desenvolvimento, fundado pelos sócios dos Brics, em reunião em Fortaleza, este ano. Com capital de US$ 100 bilhões, o novo banco de fomento de fomento se mostra preparado para apoiar o desenvolvimento da infraestrutura dos países da área de influência dos Brics. Dilma, ao que parece, tem tudo para brilhar na ONU – e, em seguida, na campanha eleitoral. Para ela, o momento de aparecer como estadista de porte global não poderia ser melhor para seus planos de reeleição.

Abaixo, notícia da Agência Brasil a respeito:

Brasil abre hoje Assembleia Geral da ONU em Nova York

Seguindo a tradição iniciada em 1947 por Oswaldo Aranha, de o primeiro orador na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) ser um brasileiro, a presidenta Dilma Rousseff fará hoje (24) o discurso de abertura da 69!ª Sessão da Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Ontem, ao comentar os ataques aéreos dos Estados Unidos na Síria, para combater o grupo extremista Estado Islâmico, que deve ser o principal assunto nos discursos dos líderes de grandes potências, Dilma disse que lamenta enormemente! o conflito, e deixará muito clara! em seu discurso a posição brasileira sobre o assunto, relacionado também à  paralisia! do Conselho de Segurança da ONU.

A expectativa é que Dilma aborde alguns temas surgidos nos últimos 12 meses, desde seu discurso anterior na 68!ª sessão, quando propôs o estabelecimento de marco civil multilateral para a governança e o uso da internet na proteção de dados, como consequência da espionagem do governo dos Estados Unidos a cidadãos, governos e empresas. De lá para cá, explodiu a crise na Ucrânia e a ascensão do grupo extremista Estado Islâmico na Síria e no Iraque. Nesse período, o conflito Israel-Palestina também teve um de seus períodos mais fortes, o único dos três em que a diplomacia brasileira se posicionou de forma clara e firme.

A presidenta deve reforçar em seu discurso a posição histórica brasileira de oposição a sanções de qualquer natureza, diferentemente da de alguns países, principalmente após o ataque de 11 de setembro de 2001, que consideram que contra o terrorismo vale qualquer ação, ainda que o termo possa ser tratado de forma subjetiva. O caso em evidência atualmente é o do Estado Islâmico, grupo contra o qual os Estados Unidos e a França estão fazendo ataques aéreos. Na última segunda-feira (22), mesmo dia em que chegou a Nova York, Dilma disse que todos os grandes conflitos que se armaram tiveram como consequência a perda de vidas humanas dos dois lados.

Agressões sem sustentação aparentemente podem dar ganhos imediatos. Depois, causam enormes prejuízos e turbulências. à‰ o caso, por exemplo, do Iraque. Está lá aprovadinho. Na Líbia, a consequência no Sahel. A mesma coisa na Faixa de Gaza!, disse Dilma. Nós repudiamos sempre o morticínio e a agressão dos dois lados, e não acreditamos que seja eficaz. O Brasil é contra todas as agressões. Acha, inclusive, que o Conselho de Segurança da ONU tem que ter representatividade para impedir essa paralisia diante do aumento dos conflitos em todas as regiões do mundo!, acrescentou.

A defesa da reforma do Conselho de Segurança da ONU, inclusive, é uma das principais bandeiras da política externa brasileira e certamente estará no discurso presidencial. No ano passado, Dilma lembrou que o ano de 2015 marcará o 70!º aniversário das Nações Unidas, data propícia, segundo ela, para realizar a reforma urgente! e evitar uma derrota coletiva!, caso se chegue ao próximo ano sem um Conselho de Segurança capaz de exercer plenamente suas responsabilidades no mundo de hoje!.

De acordo com a posição brasileira, o Conselho de Segurança – composto atualmente por apenas cinco membros permanentes (Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia e China) e com poder de veto – necessita, para ter legitimidade, ser dotado de mais vozes, com a ampliação do número de membros permanentes e não permanentes (atualmente dez, com mandatos de dois anos), dando mais representatividade a países em desenvolvimento.

Também hoje, após a 69!ª Assembleia Geral, o Conselho de Segurança se reunirá para tratar especificamente do Estado Islâmico. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que presidirá a reunião, quer que os países-membros aprovem uma resolução obrigando-os a criar leis para impedir que seus cidadãos se unam ao grupo extremista, que conta com voluntários! de diferentes nacionalidades.

*Colaborou Leandra Felipe, de Atlanta (EUA)

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