Requião: O Paraná está absolutamente sem governo!

Publicado em 11 agosto, 2014
Compartilhe agora!

via Jornal Metro

O Jornal Metro entrevistou o senador Roberto Requião (PMDB) que disputa a eleição ao Governo do Estado do Paraná. Requião já governou o Paraná por três mandatos e afirma que resolveu disputar novamente o cargo por que o Paraná está simplesmente liquidado, endividado, quebrado.! Confira a seguir a entrevista que deve apimentar ainda mais a disputa.
O Jornal Metro entrevistou o senador Roberto Requião (PMDB) que disputa a eleição ao Governo do Estado do Paraná. Requião já governou o Paraná por três mandatos e afirma que resolveu disputar novamente o cargo por que o Paraná está simplesmente liquidado, endividado, quebrado.! Confira a seguir a entrevista que deve apimentar ainda mais a disputa.

Roberto Requião já governou o Paraná por três vezes. Aos 73 anos, quer tentar se eleger novamente para o cargo. Vencedor de uma batalha interna no PMDB, ele diz que o racha com os deputados do seu partido acabou levantando a militância no Estado inteiro e que sua campanha ganhou com isso. Ele acusa o atual governador, Beto Richa, de má gestão e avisa que quer voltar para pôr o Estado em ordem!. Confira a seguir a íntegra da entrevista.

Por que o eleitor deve votar no senhor? Eu mesmo não responderia a essa pergunta há um tempo. Mas eu entrei nessa eleição por que fiz um governo no Paraná com 300 programas. Eu não peguei um tostão emprestado do governo federal. Toquei duas hidrelétricas. Construí 44 hospitais e 250 clínicas da mulher e da criança. Coloquei televisores e internet nas salas de aula de todas as escolas estaduais. Reduzi o imposto dos micro e pequenos empresários. Reduzi imposto, na época da crise de 2008 e 2009, de mais de 100 mil itens de mercadoria. Um governo que equipou a polícia, com 10 mil homens na Polícia Civil, Militar e o pessoal de estrutura, 17 mil armas novas, 6,4 mil veículos. Sem pedir dinheiro emprestado, sem falar mal da Dilma, sem fazer malcriação com a Gleisi. E, de repente, no Senado, eu vejo que o Paraná estava simplesmente liquidado, endividado, quebrado. Achei que minha responsabilidade com o Estado era mais importante que um mandato que ainda tem quatro anos e meio. Abro mão deste conforto para pôr o Estado em ordem.

O nome de sua coligação é “Paraná com Governo”. O Paraná está sem governo? Absolutamente sem governo. No período em que fui governador, o PIB do Estado subiu 28,83% e o ICMS subiu 20,04%. Teve crescimento do PIB e do ICMS, mesmo com isenção para micro e pequena empresa e as políticas de redução no imposto de 100 mil itens. No governo Richa, o PIB subiu 12,53%, mas o ICMS subiu 25,25%. Ou seja, duas vezes o aumento da produção foi o aumento do ICMS. No atual governo, a despesa subiu 28,55% e o ICMS 25%: é um governo que se dedica a arrecadar e que perdeu o controle de suas contas. O aumento de custeio é extraordinário.

O governador Beto Richa diz que pegou o governo com muitas dívidas. Todos sabem que eu peguei o Estado quebrado, não fiz nenhum empréstimo e reduzi sensivelmente a dívida do Paraná, por que eu só paguei conta. Mas, mesmo assim, com uma gestão equilibrada, nós conseguimos tocar 300 programas de governo. O Beto Richa aumentou espetacularmente as despesas de custeio. Eu assumi a Copel quebrada e recuperei. Construí e toquei a usina de Santa Clara, em Guarapuava, e iniciei a usina de Mauá e mais algumas PCHs. Mantive a tarifa gratuita para mais de 1,1 milhão de paranaenses. Eu congelei a tarifa de energia elétrica por 7 anos, não cobrei aumento. E quando a agência nacional deu o aumento solicitado pelo governo que me antecedeu, eu dei o aumento como desconto no pagamento à  vista. Com isso, transferi R$ 4 bilhões durante o período de governo para a economia do Estado. O dinheiro que não era pago em conta de luz era gasto no comércio e isso, junto com a isenção da micro empresa e o salário mínimo regional, mexeu com a economia e fez o Estado se movimentar. Isso tudo acabou. Eu peguei a Copel com 23 diretorias e algumas subsidiárias. Eu dissolvi as subsidiárias, que eram absolutamente desnecessárias, e reduzi as diretorias a sete. Eles assumiram e inventaram novamente 16 diretorias, e começaram a vender a energia da Copel Geração no mercado livre, para conseguir lucro enorme, tanto que a Copel Geração é uma verdadeira cornucópia de ouro!, com lucro fantástico. Mas ela vendia energia ao mercado através da Tradener. E quando veio a seca, que a Copel esqueceu de lembrar, ela comprou energia da Tradener para levar à  distribuidora. Comprou sua própria energia no mercado! Isso foi o Beto Richa que fez. Vamos admitir que ele podia ter feito isso sem saber. Quando percebeu isso, deveria ter cancelado os contratos, como fiz com o contrato da usina de gás Uega, com o contrato da espanhola Cien.

O que virá em termos de programas e obras se o senhor for eleito? Virá gestão e planejamento. Por exemplo, o único projeto anunciado pelo Beto é o Paraná Competitivo, que é o programa que eu fazia de incentivo para as empresas que se instalavam no Estado. Mas eu dava um incentivo maior à s empresas que se instalavam no interior, onde os empregos são mais necessários, e o Beto acabou com isso. Para entrar no meu programa, você abria a internet, sua empresa se enquadrava e você entrava. Eles criaram uma comissão. Ele anuncia como grandes investimentos a chegada da Renault e da Klabin. O da Renault começou no meu governo, não foi ele que fez. O da Klabin eu e o Lula acertamos com financiamento do BNDES. Isso é quase 90% do que o Beto diz que trouxe para o Paraná, mas isso é compromisso, protocolo. Esse mês caiu a venda de carro novo em 16,5% no Brasil. Parece Cabo Canaveral, assina, faz protocolo, lança, mas nenhum foguete chega na Lua.

Em uma eventual nova!  gestão sua, como seria? Ninguém pode instalar uma empresa se não tiver certeza que tem uma política fiscal para 20, 30 anos. Precisa ter segurança jurídica, que não é, ao contrário do que dizem, a validade de contratos criminosos de venda da Copel, de alienação da Sanepar, por exemplo. Tem é que dar um planejamento fiscal que as pessoas tenham segurança. Eu dei para micro empresa isenção total. Para pequena reduzi numa média de 2%. Aí vem o Beto com a substituição tributária, cobra imposto na frente e quebra todo mundo. Isso é insegurança jurídica. E sabe o que aconteceu com a Sanepar? Eu deixei de receber a parte do governo e mandei reinvestir. Uma empresa pública tem que reinvestir, melhorar saneamento, o tratamento de água e estender as redes. Eles entraram na CVM e terminei o governo sem poder consolidar esses lucros como participação aumentada do Estado na Sanepar. O Beto fez isso, mas a favor dos empresários privados. Ele comprou as ações da Sanepar para o governo a R$ 12,80 e elas estavam valendo na bolsa R$ 5,80. Ele deixou o dinheiro lá, mas reduziu pela metade para manter a participação dos empresários.

Tem como enxugar o!  funcionalismo estadual? Os cargos comissionados têm que ser reduzidos ao necessário. E eu mesmo confesso, tinha cargos demais. O Estado não precisa disso tudo, embora precise de cargos comissionados. Quando um partido ganha uma eleição ele traz uma proposta e tem que ter um pessoal que assuma o comando de sua proposta. Mas isso virou esquema de sustentação política. Conta a lenda que cada deputado da base do governo tem 60 cargos, além da Assembleia. Nós estamos pagando por isso. O Estado precisa de racionalização, diminuição de cargos e de uma gestão muito firme. O Paraná está uma troca e o governador não tem ideia do que está acontecendo.

O governador reclama!  da relação com o governo!  federal. O senhor!  acompanhou isso? Acompanhei de perto e não foi diferente da minha relação com o governo federal. Eu não tive empréstimos, não tive um favor do governo e não fiquei resmungando nem dizendo desaforos para o Lula e o chefe da Casa Civil. Fui eleito para governar o Paraná e foi o que eu fiz. O governo federal não tem privilegiado o Paraná ao longo do tempo. Ele tem por princípio atender os Estados mais pobres, e isso não está errado. Mas atender melhor o Rio Grande do Sul que o Paraná não me parece correto.

A relação do Estado!  com a prefeitura está!  estremecida também? Quando fui governador, o Beto Richa era prefeito de Curitiba. Mas ele não conseguia governar a cidade, porque Curitiba tinha uma dívida de R$ 647 milhões com o Estado. Eu mandei para a Assembleia um projeto de lei e perdoei a dívida, anistiei, para a prefeitura poder funcionar. Eu sugeri que ele contratasse para o Ippuc o Fragomeni e, seguindo algumas ideias do Luciano Ducci, que na época era secretário da Saúde, nós construímos com dinheiro do Estado 10 ou 11 clínicas na periferia, são esses postos 24 horas. Foi como o Beto levantou. O mínimo que ele podia fazer, ao invés de ficar nessa birra com o Fruet, era sentar com o prefeito e tentar resolver junto as coisas. Agora, a questão do transporte é um escândalo porque ninguém quer analisar a gordura da planilha de transporte. Todos sugerem, para não brigar com os financiadores de campanha, que o Estado subsidie o transporte. E o Fruet não pode fazer isso sozinho, se ele não tiver a mão forte do governo do Estado ele não poderá fazer a administração que deveria e poderia fazer. Agora, se eu ganhar a eleição, isso acaba. Eu não apoiei o Gustavo, por uma série de problemas partidários ou não, mas eu sento com ele e nós vamos viabilizar a administração de Curitiba naquilo que o Estado pode ajudar. à‰ a mesma coisa com Londrina.

O transporte seria!  uma dessas questões? Essa questão tem que ser enfrentada com coragem, até o Tribunal de Contas já disse que é um absurdo essa planilha e ninguém mexe nisso. Ficam falando em subsídio, não tem pé nem cabeça isso. A redução vem com a planilha, não com dinheiro público. Até porque o ano que vamos entrar agora não vai ser um ano fácil. Nós estamos vendo que a crise mundial atinge também o Brasil, não estamos tão imunes assim. Temos os R$ 380 bilhões de reserva, estamos muito melhor do que antes, sem dúvida, mas não pode haver um governo perdulário, que gaste 28% a mais e arrecada 25%, fazendo antecipação de despesa.

Onde estão os!  maiores gastos? Eles subiram todos os salários. Um fiscal da Receita, hoje, está ganhando o piso de ministro do Supremo, ganhava R$ 13 mil e está ganhando R$ 29,7 mil. O Ministério Público, o Judiciário e a Assemblei receberam uma suplementação de R$ 500 milhões por ano. Em três anos dá R$ 1,5 bilhão. à‰ o furo do Estado. O Judiciário tem que ganhar bem, sim, e os juízes estão defasados, mas você não pode corrigir isso criando um auxílio residência que atinge até os juízes aposentados, e 55% dos funcionários públicos recebem um auxílio residência como o do juiz, que ainda tem, se não me engano, auxílio computador e biblioteca. Nós não podemos tratar essa questão com essa leviandade, por que o ódio que atinge os políticos inoperantes acaba atingindo a magistratura também. Isso não é bom para o país. Privilégio não pode existir para ninguém, tem que haver um tratamento diferenciado em função do serviço que eles prestam, mas eu não acho que você possa colocar o Paraná numa crise desse tamanho.

Que reflexo ficou no PMDB depois da!  tentativa do PSDB de fazer uma aliança? Ela deixou uma coisa fantástica, ela levantou o PMDB no Paraná inteiro. Eu nunca participei de uma campanha tão animada quanto essa, eu chego no interior e tem 500 pessoas pedindo material para participar.

Os deputados estão!  fazendo falta? Todo mundo faz falta. Eu tenho dito que, com os deputados que se equivocaram, quando eles voltam, vendo a direção que o partido tomou, eu ajo segundo a parábola de Cristo: eu abato a ovelha mais gorda do meu rebanho, que é o Pessuti. Os deputados estão voltando. Porque foi um equívoco político, eles achavam que não havia mais perspectiva de derrotar essa aliança tremenda do capital e dos financiadores de campanha.

No caso de o senhor ser!  eleito, dependendo de quem for para a presidência, vai fazer diferença!  para o Paraná? Faz diferença no tratamento que o Brasil vai receber. Nós temos uma política que ainda mantém as bolsas, o salário mínimo em elevação, que toma decisões em favor da soberania, que é a Dilma. Ela tem tomado posições que são satisfatórias no plano internacional, como em Israel. Eu tenho verdadeiro horror do racismo e do antisemitismo, mas diante disso eu sou muito agressivo. Mas não posso aceitar o que está acontecendo em Israel, tinham que resolver com julgamento dos acusados de matar aqueles jovens e não com guerra. A Dilma tomou uma atitude. O Aécio e o Campos não fariam isso, estariam enquadrados na política norte-americana. Isso não é bom para o Brasil nem para o mundo. Acho que a Dilma conduziu mal o governo brasileiro, mas os outros são muito piores que ela. Eu hoje estou com a Dilma por exclusão, não por opção. Eu acho que os outros acabam com o país.

Como vai ser o debate político no Estado?!  O que o senhor espera!  dos adversários? Eu não espero nada, estou colocando uma proposta. Nós governamos o Paraná acertadamente e podemos governar de novo, com uma equipe boa. Todo mundo sabe o que nós fazemos, como nós atuamos com as empresas públicas, privadas, as pequenas empresas. Nós vamos restabelecer a gestão e reintroduzir o planejamento. Eu acrescentaria numa política de governo a ampliação das escolas integrais. Aqui eu faria nas regiões mais pobres, para que o município mais pobre do Paraná tenha a mesma qualidade das escolas do mais rico. E tem as clínicas de recuperação dos drogados, em parceria com as igrejas e as organizações da sociedade civil. Uma terceira proposta que nós montamos, com apoio do economista José Carlos Assis, é para o problema de acidentes climáticos, que nunca acabam sendo resolvidos, como temporais. Ao invés de darmos dinheiro para as prefeituras e esperar que acabem os temporais, montemos uma organização com município, Estado e União para dar uma bolsa de 7 meses para que os moradores do local atingido possam trabalhar na recuperação. No Rio de Janeiro, o Crivella está propondo a mesma coisa.

Alguma proposta para segurança pública? Eu contratei 10 mil homens na polícia, entre militares e civis. Comprei 17 mil armas novas, coletes, e 7 mil viaturas. Criei a Força Alfa, a Força Samurai, para ajudar nas fronteiras. Mas o principal é o projeto do povo: não existe polícia se não for comunitário. Era um carro e duas motocicletas, um policial que estava sempre no mesmo bairro e se apresentava, conhecia as pessoas, e era acessível e acessado pela comunidade. à‰ só dessa maneira, com vínculo com a comunidade, é que você consegue fazer com que a polícia tenha efetividade. Denunciando tráfico de drogas, quadrilhas, e operando junto. Além disso, criamos o geoprocessamento, você via onde aconteciam os crimes e contravenções e deslocava o policiamento. Existe, está montado e está parado. O resto é bobagem.

O que o senhor acha das UPS? à‰ um espetáculo que pode dar certo em algumas circunstâncias. Eu prefiro o que eu fiz na Vila Zumbi. Era a região de mais alta criminalidade do Paraná, e me diziam que tinha que pôr a polícia e baixar o pau. Eu coloquei o Estado, com a Secretaria da Saúde, da Educação, construí casas e drenei a região, que era inundada. E depois de tudo eu pus a polícia, e a criminalidade baixou a zero. Tem que levar o Estado e pôr a polícia comunitária. à‰ a solução no mundo hoje, não tem grandes novidades. Agora, carro sem gasolina não pode funcionar. Falta comida em quartel. Falta ração para cachorro. Aliás, eu faço aqui um apelo: doe um quilo de ração ao Beto Richa para que os cães farejadores da PM não morram de fome.

Quem é Roberto Requião

Filho do médico e ex-prefeito de Curitiba Wallace Thadeu de Mello e Silva e Lucy Requião de Mello e Silva.

Casado com Maristela Quarenghi de Mello e Silva, pai de Maurício Thadeu e Roberta.

Formado em Direito pela UFPR!  e em Jornalismo pela PUC-PR,!  cursou Urbanismo pela FGV.

Pelo PMDB, foi deputado estadual (1983-85), prefeito de Curitiba (1986- 89), secretário do Desenvolvimento Urbano do Estado (1989-90), governador (1991-95), senador (1995-2002), governador!  (2003-2007 e 2007-2011). Eleito novamente ao Senado em 2010,!  cargo que ocupa atualmente.

Coligação: PMDB, PV, PPL.

Compartilhe agora!

Comments are closed.