Coluna do Ricardo Gomyde: 30 de Agosto – A cavalaria contra a educação

Publicado em 30 agosto, 2014
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Ricardo Gomyde, em sua coluna deste sábado, relembra do trágico confronto da cavalaria com professores que protestavam em frente ao Palácio Iguaçu; era 30 de agosto de 1988, portanto, há exatos 26 anos educadores foram atacados com cavalos, bombas e balas de borracha; Abaixo a repressão! Senhor comandante, não toque em nenhum professor, somos pacíficos! Vocês têm filhos na escola!!, diziam, segundo o colunista, que acompanhava sua mãe, dona Neusa, na Batalha do Centro Cívico; Nesta data tão marcante para a educação no Paraná, devemos, além de protestar para que a insanidade repressiva de 1988 não caia no esquecimento... A educação de qualidade é o eixo do desenvolvimento do país!, destaca Gomyde, que ontem participou da marcha em Curitiba; leia o texto e compartilhe.
Ricardo Gomyde, em sua coluna deste sábado, relembra do trágico confronto da cavalaria com professores que protestavam em frente ao Palácio Iguaçu; era 30 de agosto de 1988, portanto, há exatos 26 anos educadores foram atacados com cavalos, bombas e balas de borracha; Abaixo a repressão! Senhor comandante, não toque em nenhum professor, somos pacíficos! Vocês têm filhos na escola!!, diziam, segundo o colunista, que acompanhava sua mãe, dona Neusa, na Batalha do Centro Cívico; Nesta data tão marcante para a educação no Paraná, devemos, além de protestar para que a insanidade repressiva de 1988 não caia no esquecimento… A educação de qualidade é o eixo do desenvolvimento do país!, destaca Gomyde, que ontem participou da marcha em Curitiba; leia o texto e compartilhe.
Ricardo Gomyde*

Algumas coisas valem mais pelo simbolismo que encerram do que por qualquer outra coisa. à‰ o caso da manifestação dos professores paranaenses que relembra, anualmente, o fatídico 30 de agosto de 1988 quando, atacados com bombas e balas de borracha, enfrentaram a cavalaria. Abaixo a repressão! Senhor comandante, não toque em nenhum professor, somos pacíficos! Vocês têm filhos na escola!!, diziam. A lembrança simboliza o descontentamento histórico com o tratamento dispensado à  educação, uma questão que toca fundo a alma do país.

Esse descaso é, possivelmente, a principal chaga social que o Brasil precisa remover. Não há dúvida de que a urgência se acentuou nos últimos anos com a nova realidade dos milhões de brasileiros que passaram a viver acima da linha da miséria. Para tanto, os brasileiros devem seguir somando esforços no sentido de remover os obstáculos da velha estrutura social moldada exatamente para impedir a criação dos meios que assegurariam a universalização da educação e de outros direitos humanos fundamentais !” como saúde, habitação, segurança, transporte e infraestrutura em geral.

Os que historicamente se beneficiaram dessa situação de descaso com a educação são os mesmos que estão aí, hoje em dia, erguendo obstáculos para que esse tema não seja prioridade no país, como ocorreu nos recentes processos de aprovação da destinação de recursos do pré-sal para a educação e do PNE, o Plano Nacional de Educação (Leia meu comentário sobre o PNE aqui). Consideram que qualquer gasto com o povo pobre é indevido. Acham que não se deve investir no professorado, no funcionalismo, nos trabalhadores rurais, no salário mínimo, nas famílias que vivem na extrema pobreza, nos assalariados. A impressão que dá é que não querem que se gaste um tostão com os pobres.

Essa falta de sensibilidade brutal em relação aos direitos e à s necessidades da população é resquício dos mais de 300 anos de escravidão em nossa pátria. Desde os primórdios brasileiros, esses sempre andaram na direção oposta aos anseios populares. Os vínculos ideológicos e afetivos com o Estado autoritário são fortes; eles temem perder seus privilégios se o povo for educado, bem alimentado, sadio e inserido em uma economia dinâmica. à‰ lógico que tudo isso tem a ver com a colônia, com a casa grande e a senzala. A ideia de nação, na qual a educação tem papel absolutamente prioritário, não faz parte do ideário dessa turma.

Em suma: seria trágico ver o país reprisando uma época que já passou. Sabemos bem que o fator mais importante para o desenvolvimento de uma sociedade é o conhecimento, porque quem não o domina fica para trás. Portanto, os países cuja educação tem uma qualidade sofrível perdem competitividade e oportunidades para a elevação da qualidade de vida das suas populações. Como o Brasil se atrasou !” os principais países universalizaram seus sistemas de ensino na virada do século XIX para o XX !”, não há mais um segundo a perder. Estamos deixando para trás o descaso com o financiamento para a educação, um item determinante para o sucesso do PNE, e seria trágico para o país perder a oportunidade de seguir avançando.

Nesta data tão marcante para a educação no Paraná, devemos, além de protestar para que a insanidade repressiva de 1988 não caia no esquecimento, reforçar a reflexão sobre a importância de darmos as mãos e somarmos esforços para garantir a aplicação das metas do PNE. Professores, alunos, pais e a sociedade em geral terão papel fundamental para seguirmos no rumo da qualificação profissional dos professores, das melhorias salariais, da intensificação das ideias pedagógicas voltadas para a formação de cidadãos conscientes de seus deveres e direitos, da educação escolar ligada ao desenvolvimento e do acesso da população a um saber sistematizado, de base científica. A educação de qualidade é o eixo do desenvolvimento do país, a certeza de que, a partir dela, todos os outros setores da sociedade serão beneficiados.

*Ricardo Gomyde, especialista em políticas de inclusão social, foi membro da Comissão Organizadora da Copa do Mundo no Brasil em 2014. Escreve nos sábados no Blog do Esmael.

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