Opinião: Ecos da convenção do PMDB

O advogado e jornalista Nonato Cruz faz uma leitura da caminhada do senador Roberto Requião (PMDB) na luta para viabilizar sua candidatura ao Governo do Estado e da sua movimentação dentro do PMDB.

O advogado e jornalista Nonato Cruz faz uma leitura da caminhada do senador Roberto Requião (PMDB) na luta para viabilizar sua candidatura ao Governo do Estado e da sua movimentação dentro do PMDB.

Artigo de Nonato Cruz*

O Senador Roberto Requião (PMDB) é, seguramente, um dos últimos políticos ideológicos do país. Faz ombro com políticos como Pedro Simon (PMDB), Cristóvão Buarque (PDT) e outros. Esse, o seu diferencial.

Com a ida de quase unanimidade dos políticos ideológicos paranaenses para o PDT (Partido Democrático Trabalhista), fundado com inspiração nas posições progressistas de Leonel Brizola (Léo de Almeida Neves e outros), ficou praticamente solitário no PMDB. Solitário mas não isolado, destaque-se. E, embora saiba que o PMDB não é (nem nunca foi!) o velho MDB de guerra!, sempre aceitou tamanha solidão. Na realidade o PMDB se transformou numa federação de conquistas e fisiologismo explícito na mão de oportunistas das mais variadas tendências. Não é mais partido!, mas um inteiro! balcão de negócios. Dos mais variados.

Agora, é preciso destacar que o Senador Requião embora seja maior politicamente que o seu partido, é, na realidade seu prisioneiro. E vice-versa. O PMDB-Pr também é prisioneiro de Requião. Na verdade, estão umbilicalmente ligados. Requião precisa do partido (e seu horário eleitoral) para dar acústica à s suas ideias. E o partido precisa dele para exibir seu último elo ideológico.

A vitória de Requião na convenção do PMDB confirma o que escrevo! Foram os Delegados, saudosos dos melhores momentos ideológicos do partido, que, caindo em sí, recuperaram a consciência e o sufragaram candidato ao retorno ao Governo do Estado. Até superando algumas divergências.

Por tudo isso, o maior erro do ex-Governador Orlando Pessuti (PMDB) foi não levar em conta a consciência dos Delegados ideológicos à  convenção do partido. Em seguida, errou ao se autovalorizar como líder (que não é!) quando, na verdade, foi apenas o chefe de um grupo que se opôs ao Requião. Acabou, quase sozinho, indo tomar lugar ao lado dos trânsfugas, que desejavam alugar o PMDB ao Governador do Estado, Beto Richa. E também perdeu o discurso, que sustentou por algum tempo, da candidatura própria. No qual não era honesto, porque não verdadeiro.

Agora blefa com a pré-candidatura ao Senado, que, a rigor, nem existe! Não deve imaginar poder enfrentar o Senador àlvaro Dias (PSDB) em mais uma de suas reeleições (a terceira), num total de cinco eleições para o senado (82, 98, 2006 e 2010). àlvaro é, aparentemente, imbatível.

*Nonato Cruz é advogado e Jornalista

Comentários encerrados.