Coluna do Requião Filho: E agora, José?

"Se o Professor está desmotivado por conta de não receber o devido reconhecimento, infelizmente repassa suas frustrações adiante, ou seja, para o aluno", filosofa Requião Filho, em sua coluna desta quinta-feira; ele critica a ausência de debates sobre a realidade do Paraná e do Brasil durante os jogos do mundial; "Enquanto a Copa do Mundo era realidade, talvez fosse impossível encontrar um cidadão que lembrasse que viaturas policiais foram flagradas sendo empurradas por seus ocupantes, ou seja, pelos próprios policiais militares que a conduziam"; "E agora, José?", pergunta o colunista, citando o clássico poema de Carlos Drummond de Andrade; leia o texto e compartilhe.

“Se o Professor está desmotivado por conta de não receber o devido reconhecimento, infelizmente repassa suas frustrações adiante, ou seja, para o aluno”, filosofa Requião Filho, em sua coluna desta quinta-feira; ele critica a ausência de debates sobre a realidade do Paraná e do Brasil durante os jogos do mundial; “Enquanto a Copa do Mundo era realidade, talvez fosse impossível encontrar um cidadão que lembrasse que viaturas policiais foram flagradas sendo empurradas por seus ocupantes, ou seja, pelos próprios policiais militares que a conduziam”; “E agora, José?”, pergunta o colunista, citando o clássico poema de Carlos Drummond de Andrade; leia o texto e compartilhe.

Requião Filho*

E agora, José? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, José? e agora, você? você que é sem nome, que zomba dos outros, você que faz versos, que ama protesta, e agora, José? (…)!

Mesmo sendo um dos maiores expoentes da literatura tupiniquim, talvez poucas vezes Carlos Drummond de Andrade foi tão atual quanto ao assunto realidade brasileira!. Na verdade, seus poemas imortalizaram-se ao expor o momento em que o país vivia, e dessa forma, não seria imprudente chegar a conclusão de que o Brasil resume sua história a um círculo vicioso, alternando seus ciclos entre alegria circense de seu povo e a realidade do pós-espetáculo.

A Copa do Mundo acabou, os meios de comunicação foram obrigados a retornar com suas programações normais, os jornais e os canais de televisão voltam a mostrar a realidade que ocorre nas periferias. Em Curitiba e Região Metropolitana, por exemplo, não são raros os finais de semana nos quais mais de 20 pessoas sucumbem vítimas de crimes violentos, e tudo isso sem que as autoridades competentes, muitas vezes, sequer contabilizem tais atrocidades sociais.

O campeonato mundial de futebol, por aproximadamente 30 dias, retirou o foco dos problemas existentes no Brasil e no Estado do Paraná. Mesmo sem notar, boa parcela da população continuou sem educação, sem transporte ou hospitais capazes de fornecer o mínimo exigido pelo contribuinte, mas tudo restou em segundo plano para o Brasileiro afinal, o hexa campeonato foi por mais de um mês o objetivo principal de muitos Josés! e Marias!.

Mesmo sem saneamento básico, todos tinham um circo! dentro de casa. A tenda do espetáculo resumiu-se a um cilindro inventado na década de 20, com o poder de transmitir em tempo real imagem e som para a frente do sofá do telespectador. Assim como o avião, criado para salvar vidas, mas empenhado na guerra para desgosto de seu inventor, a televisão é aliada na alienação da população e cúmplice por trazer o mencionado show circense! para os lares brasileiros.

Enquanto a Copa do Mundo era realidade, talvez fosse impossível encontrar um cidadão que lembrasse que viaturas policiais foram flagradas sendo empurradas por seus ocupantes, ou seja, pelos próprios policiais militares que a conduziam. Citado esquecimento coletivo, ou lapso de memória durante o mundial, felizmente tinha hora, dia, mês e local para acabar, ou seja, 13 de julho de 2014.

Com o fim do espetáculo futebolístico, o povo voltou a sua realidade, mesmo que ela seja péssima, assolada, por exemplo, com a droga na porta de casa tentando corromper jovens inexperientes e sedentos pelo consumismo que suas famílias não lhes podem fornecer.

Se nada mudar, por mais 4 anos os Josés! e Marias! terão que conviver com a dura realidade de um País e de um Estado onde professores não recebem salários dignos, mesmo tendo escutado promessas de que isto iria mudar, e por conseqà¼ência, seus filhos serão tratados, nos ambientes escolares, na exata medida em que o Docente foi tratado pelo Governador ou Presidente, isto é, com pouco entusiasmo já que no Brasil, como já mencionado no início do texto, tudo é um círculo vicioso.

Se o Professor está desmotivado por conta de não receber o devido reconhecimento, infelizmente repassa suas frustrações adiante, ou seja, para o aluno.

Desta forma, vale repetir e enaltecer a capacidade que Carlos Drummond de Andrade teve ao retratar, em 1942, a realidade em que vivia o Brasil, e que por uma triste coincidência é a atual situação do país e do Paraná no estágio pós-Copa, o que confirma que o circo acabou e a realidade voltou a bater à  porta.

*Requião Filho é advogado, especialista em políticas públicas, escreve à s quintas no Blog do Esmael.

6 Comentários

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  1. Ola tb eu to pssando a visa que es junto um abraco…

  2. Parabéns, Maurício. Faço minhas as suas palavras, um abraço.

  3. E aí pia mal educado seu pai volta pra Brasilia depois de outubro ?
    O que axa se aposenta depois de Brasilia e vai cuidar de sua tropa de cavalos ? Só que não vai ter mais o custeio do povo seus cavalos, chega né…

  4. Acho que essa coluna foi escrita pensando no fim da mamata da própria família Requiao, que tinha 26 parentes fazendo parte da adm publica, fazendo estripulias com o nosso dinheiro, transformando os nossos suados reais em dólares e guardando-os em armários ! acabou a mamata mauricinho, o governo do paraná não é propriedade da sua família, chega de vcs ! E agora José ? (e agora mauricinho ?)

  5. É DE DOER NOS OSSOS
    Este piá de b… vem falar em educação, em desmotivação dos professores? Que tal ele começar explicando pq o paipai entrou com uma ADIM contra o Piso Nacional dos Professores? Que tal expicar pq nao contratou policiais? Pq inaugurava hospitais, mas deixava sem funcionários, como um elefante branco? Que tal expicar pq nao cumpriu a lei que definia um piso para os militares?
    Pior, que tal explicar pq ele fazia solenidade de entrega de viaturas e ambulancias, e depois elas retornavam pro Quartel do Guatupê, e 15 dias depois as mesmas eram anunciadas como se fosse outras, e outras e outras viaturas/ambulancias? Que tal explicar pq isentou beneficiaria do pedagio de cscavel/Foz de fazer obras, abaixou 0,30 centavos e isentou a pedageira de milhões de investimentos obrigatórios.

    Que tal o moleque encontrar algo pra fazer?

  6. Mais uma cobrinha querendo crescer. O problema é que falta-lhe berço e inteligência.