Por Esmael Morais

Campos pode sair menor do que entrou na eleição; ele continua?

Publicado em 06/06/2014

A referência diz respeito a eleição municipal de 2012, quando o senador Humberto Costa e o deputado federal !“ hoje pré-candidato ao Senado na chapa do PTB !“ João Paulo foram colocados para disputar uma chapa puro sangue do PT e acabaram derrotados pelo então desconhecido Geraldo Julio (PSB), indicado pelo então governador Eduardo Campos, impondo o fim de um ciclo de 12 anos do PT à  frente da Prefeitura do Recife.

Quando anunciada a aliança entre a Rede Sustentabilidade da ex-senadora Marina Silva e o PSB, a união foi vista como um fenômeno surpreendente na política nacional. Marina chegava com o saldo de 20 milhões de votos da última disputa presidencial e uma rusga profunda com o PT, partido que ajudou a fundar. Já Campos vinha de um governo considerado como um dos mais bem avaliados do país, além de se apresentar como um fato novo no cenário político. A expectativa era de com a aliança, parte do capital político de Marina fosse transferido quase que automaticamente para o socialista, algo que ainda não aconteceu.

Neste momento, Campos tem menos chances que o ex-correligionário Ciro Gomes, que tinha 17,5% das intenções de voto em 2010, conforme pesquisa CNT/Sensus, e que foi obrigado a desistir em prol da aliança do PSB com o PT em torno do palanque que levou Dilma à  Presidência. Ele também fica atrás de Anthony Garotinho, que hoje está filiado ao PR, mas foi pré-candidato à  Presidência pelo PSB em 2002. Na época, Garotinho registrou 17,86% das intenções do eleitorado.

Divergências de posicionamento entre Campos e Marina, especialmente nos pontos relativos ao agronegócio e quanto a formação de alianças, acabaram por minar ainda mais o potencial de crescimento da chapa encabeçada pelo PSB. Enquanto Campos trabalhava para firmar alianças com o PSDB em estados como São Paulo, o maior colégio eleitoral do País, e buscava firmar um pacto de não agressão com Aécio em suas principais bases eleitorais [Minas Gerais e Pernambuco], Marina e os membros da Rede se mostraram radicalmente contrários a qualquer tipo de aproximação com os tucanos.

Esse foi um outro erro. Nem o PSB e nem os membros da Rede, que hoje estão abrigados no PSB, possuem uma representatividade alta em estados importantes ou nos maiores colégios eleitorais do país. Pernambuco é importante? Claro que é. Mas em nível nacional, Pernambuco é relativamente pequeno. A Rede padece deste mesmo erro. O erro, neste caso foi de análise. Lula [ex-presidente Luiz Inácio lula da Silva (PT)] estava certo quando disse que Eduardo esperasse um pouco mais, até 2018, para sair como candidato à  Presidência!, diz um analista da cena política nacional. Um outro fator é que as alianças também não decolaram. A pré-candidatura do PSB é apoiada atualmente por partidos pequenos: PPS, PPL, PRP e PHS. Para tentar ampliar o seu leque, Campos tem buscado atrair para si não o partido, mas os descontentes em alguma medida. A chamada ala dissidente do PMDB é o melhor exemplo desta busca, intermediada em grande parte pelo senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), um dos maiores críticos ao governo do PT.

Diante deste quadro, campos tem buscado redefinir a sua estratégia. Ao mesmo tempo em que ataca o governo da presidente Dilma Rousseff !“ do qual o PSB integrava a base até meados do ano passado !“ passou a atacar o tucano Aécio Neves, como uma tentativa de mostrar para o eleitor as diferenças entre eles, em praticamente uma cessão à s pressões exercidas por Marina e seus seguidores.

A estratégia, pelo visto, teve o efeito bumerangue: bateu e voltou. Este reflexo tem aparecido nas pesquisas e acendido a luz de alerta na campanha socialista. De olho neste cenário, o PT avalia que o melhor a fazer é não trombar de frente com Campos, visando o apoio do PSB em um eventual segundo turno. Neste ponto, Lula e Campos mantém conversas frequentes e um tem procurado poupar o outro de ataques diretos. Nesta semana, o vice-prefeito do Recife, Luciano Siqueira (PCdoB), cujo partido apoia a reeleição e Dilma em nível nacional, disse em alto e bom som que espera o que PSB suba no palanque de Dilma caso haja um segundo turno. Vale ressaltar que Siqueira é membro da Executiva Nacional do PcdoB e uma declaração desta natureza não seria feita a troco de nada. Apesar de querer contar com o pSB em seu palanque em uma segunda fase da campanha, o PT acredita que Dilma será reeleita ainda no primeiro turno, o que coloca Campos em uma situação ainda mais delicada em relação ao cenário que tem pela frente.

Nesta linha, Campos tem enfrentado dificuldades em casa. De acordo com pesquisa realizada pelo Ibope, encomendada pelo PTB e divulgada esta semana pelo jornal Folha de Pernambuco, o senador Armando Monteiro possui 43% das intenções de votos. Já o ex-secretário da Fazenda, Paulo Câmara (PSB), figura com 8%, enquanto Jair Pedro (PSTU) e José Gomes Neto (PSOL) somam 2%. Já na disputa presidencial, Eduardo Campos (PSB) possui 40% das intenções de voto, contra 39% da presidente Dilma Rousseff (PT), caracterizando um empate técnico. O senador mineiro Aécio Neves (PSDB) registra apenas 3% da preferência do eleitorado pernambucano. Eduardo vai perder em casa!, diz um petebista de alto coturno.

OS próximos passos, pelo visto, serão decisivos para Campos e o PSB. Sem uma base de apoio sólida o bastante para impulsionar a sua candidatura, campos corre o risco de ver minguar até mesmo o projeto de ampliar a bancada do PSB na Câmara, cuja meta estabelecida no início da pré-campanha era passar de 35 para 50 deputados, o que colocaria e legenda como detentora de uma das maiores bancadas da Casa, elevando o potencial de Campos para firmar-se como uma das vozes principais vozes da oposição em caso de derrota no pleito de outubro. Vale ressaltar que o partido já teve pelo menos seis baixas desde então.

Em nível estadual a situação também preocupa. Com a saída do governador do Ceará, Cid Gomes, para o PROS, o PSB perdeu não apenas um palanque estratégico, mas também um governo relativamente bem avaliado e com grande potencial eleitoral. No Espírito Santo, o candidato socialista também enfrenta dificuldades.

Com poucas opções à  mesa !“ comprar a briga e ver minguar ainda mais as suas chances, se aliar ao PT em um segundo turno e ter que esperar uma oportunidade que pode demorar a reaparecer ou se unir a Aécio, algo que no momento parece impensável !“ Campos terá dias difíceis pela frente.