O dilema que pode custar o 2!º turno a Eduardo: a paz ou a guerra com Aécio?

Publicado em 4 maio, 2014
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do Brasil 247

Com menos da metade das intenções de voto do senador mineiro Aécio Neves (PSDB), segundo pesquisa divulgada neste final de semana pela revista Istoé, o PSB do presidenciável Eduardo Campos tem um dilema pela frente: manter a linha do discurso de criticar o governo da presidente Dilma Rousseff (PT) ou encarar o tucano de frente para firmar-se como uma terceira via capaz de se contrapor à  polarização entre PT e PSDB; em princípio, a legenda não pretende comprar briga com o tucano, insistindo na estratégia de mostrar os erros do governo Dilma; será que isso basta para levar Campos ao segundo turno?
Com menos da metade das intenções de voto do senador mineiro Aécio Neves (PSDB), segundo pesquisa divulgada neste final de semana pela revista Istoé, o PSB do presidenciável Eduardo Campos tem um dilema pela frente: manter a linha do discurso de criticar o governo da presidente Dilma Rousseff (PT) ou encarar o tucano de frente para firmar-se como uma terceira via capaz de se contrapor à  polarização entre PT e PSDB; em princípio, a legenda não pretende comprar briga com o tucano, insistindo na estratégia de mostrar os erros do governo Dilma; será que isso basta para levar Campos ao segundo turno?
A pesquisa que a revista Istoé traz neste final de semana e que aponta para a possibilidade de um segundo turno nas eleições presidenciais (leia aqui) deverá fazer com que o PSB repense a sua estratégia de maneira a levar o ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos, a se consolidar como uma alternativa viável à  polarização entre PT e PSDB. Campos vem adotando uma linha de discurso que consiste basicamente em mostrar os erros do governo da presidente Dilma Rousseff (PT) para a grande massa do eleitorado e sinalizar com uma política econômica liberal, de maneira a conquistar a simpatia de empresários e investidores. Apesar de ter menos da metade dos votos do senador Aécio Neves (PSDB), o PSB não pretende adotar um discurso mais duro contra o tucano, o que leva à  pergunta: Será que isso é o suficiente para reverter a distância entre ele e o senador?

De acordo com o estudo, elaborado em parceria com o Instituto Sensus, a presidente Dilma Rousseff aparece com 35% das intenções de voto, Aécio Neves figura com 23,7% e Eduardo Campos com 11%. Segundo o primeiro secretário nacional do PSB e responsável pela coordenação nacional da campanha de Campos, Carlos Siqueira, as pesquisas ainda não refletem uma tendência decisiva, apontando apenas um momento no qual o pleito de outubro ainda está relativamente distante.

A campanha ainda não começou. Existe o desafio de tornar o nosso candidato mais conhecido e estamos trabalhando nesta direção. Mais do que atacar o Aécio ou qualquer outro adversário, vamos mostrar os erros do governo atual e que temos um programa capaz de corrigir estas falhas e avançar ainda mais. Não vamos partir para ataques contra um ou outro. Vamos discutir a situação atual, mostrar propostas, como temos feito até agora!, diz Siqueira.

Mantida esta linha, um dos problemas que devem ser superados é a semelhança dos discursos de Campos e Aécio. Um dos diferenciais que deverão ser martelados é o fato de o socialista se apresentar com o diferencial de novidade!, ao posicionar-se como alguém capaz de construir uma nova política!, firmando-se como uma terceira via em oposição à  polarização entre petistas e tucanos dos últimos 20 anos, ao mesmo tempo em que é capaz de reconhecer as conquistas de governos anteriores, sejam do PT ou do PSDB.

O eleitor sabe reconhecer um candidato que aponta erros e que apresenta propostas para corrigi-los. Mas ele também percebe um plus a mais quando o candidato diz com segurança que os acertos serão mantidos, melhorados e ampliados. Este é o diferencial que Campos tem apresentado sobre o Aécio. Não é uma oposição por ser oposição como tem feito o PSDB!, observou ao 247 uma fonte do alto escalão do PSB.

O deputado Gonzaga Patriota (PSB-PE) também não acredita que a pesquisa divulgada pela Istoé deverá levar a uma radicalização do discurso da legenda contra o tucano. Não há razão para isso. Temos propostas. O desafio é tornar Campos mais conhecido e isso vem sendo feito paulatinamente. Não temos interesse em entrar em um jogo no qual um fica brigando com o outro enquanto um terceiro [Dilma] se fortalece!, observa.

Outros pontos que têm levado o PSB a evitar trombar de frente com o PSDB são as alianças em diversos estados e a expectativa de que o capital eleitoral da ex-senadora e pré-candidata a vice na chapa socialista, Marina Silva, sejam transferidos em breve para o cabeça da chapa, Eduardo Campos. A legenda espera que boa parte dos cerca de 20 milhões de votos obtidos por Marina na última eleição presidencial sejam transferidos na medida em que o eleitorado saiba que os dois estão juntos na corrida pelo Planalto. Não queremos correr o risco de parecer que estamos dispostos a tudo para chegar ao segundo turno. Campos está se tornando cada vez mais conhecido pelo eleitor e o fator Marina ainda não entrou nesta posição. Quando isso acontecer, a situação será outra!, disse em reserva uma outra fonte do PSB.

Pelo sim, pelo não, o senador Aécio Neves apressou-se em dizer, nesta sexta-feira (2), durante sua participação no Fórum de Comandatuba, na Bahia, que não vê Campos como seu adversário na disputa pela Presidência da República. Não consigo ver o Eduardo como adversário. Somos companheiros do mesmo sonho, queremos a mesma coisa!, disse. Não vejo como, a partir de 2015, não estaremos eu, Campos e Marina no mesmo projeto de País!, completou.

Coube à  ex-senadora rechaçar a aproximação do tucano. Segundo ela, existem diferenças profundas entre os programas de governo do PSB e do PSDB. Não vi ele falar claramente que se dispõe a manter as conquistas sociais. Não vi dizer que independente dos partidos quer fazer uma governabilidade programática, recrutando os melhores de todos os partidos!, disse Marina Silva.

Somente o tempo e as próximas pesquisas dirão se a fala da ex-senadora é um indicativo de que a estratégia do PSB em evitar bater de frente com o PSDB será alterada ou não.

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