Black Blocs planejam invadir Arena da Baixada no jogo Irã x Nigéria

Movimento de extrema-direita, capitaneado pelos Black Blocs, planejam invadir a Arena da Baixa, no dia 16 de junho, durante jogo Irã e Nigéria pela Copa; grupo ficou conhecido pelas táticas violentas que, em fevereiro deste ano, culminaram com a morte de um cinegrafista da TV Bandeirantes; há um ano, em Curitiba, esses integrantes dos Black Blocs foram postos a correr pela torcida organizada

Movimento de extrema-direita, capitaneado pelos Black Blocs, planejam invadir a Arena da Baixa, no dia 16 de junho, durante jogo Irã e Nigéria pela Copa; grupo ficou conhecido pelas táticas violentas que, em fevereiro deste ano, culminaram com a morte de um cinegrafista da TV Bandeirantes; há um ano, em Curitiba, esses integrantes dos Black Blocs foram postos a correr pela torcida organizada “Os Fanáticos” quando tentavam invadir o mesmo estádio do Atlético Paranaense; palavra de ordem do protesto, daqui a duas semanas, será Não Vai Ter Copa!; eles estão viajando na maionese ou planejam algo mais sério e grave para chamar a atenção do mundo durante o campeonato da Fifa?

O grupo de extrema-direita Black Blocs está organizando um novo protesto em Curitiba, no dia 16 de junho, durante a realização do jogo Irã x Nigéria, na Arena da Baixada, pela Copa do Mundo.

Os Black Blocs estão marcando a concentração para as 16 horas na Boca Maldita, centro nervoso da política na capital paranaense e local de concentração de históricas mobilizações democráticas como ‘Diretas Já’ e ‘impeachment de Collor’. Pelo Facebook (clique aqui), 1,6 mil pessoas confirmaram presença.

Pelas características violentas do movimento em todo o país, não está descartada uma marcha dos manifestantes anti-Copa até a Arena da Baixada.

Nunca é demais lembrar que os Black Blocs conseguiram em fevereiro deste ano um cadáver: o cinegrafista da TV Bandeirantes Santiago Andrade, atingido por um rojão na cabeça enquanto fazia a cobertura de um protesto contra o aumento da passagem de ônibus no Rio (clique aqui).

O estádio do Clube Atlético Paraná (CAP) já foi alvo de tentativa de invasão em junho de 2013, durante as manifestações contra o aumento da tarifa do ônibus. Entretanto, naquela jornada, a torcida atleticana chamada ‘Os Fanáticos’ defendeu o patrimônio do time e pôs os Black Blocs para correr (clique aqui).

A seguir, leia a íntegra do manifesto lançado pelo grupo extrema-direita Black Blocs, divulgado no Facebook:

Neste ano, o Brasil receberá a Copa do Mundo da FIFA, mas a população – que em momento algum foi consultada – é quem vai pagar por isso. E se engana quem pensa que pagaremos apenas com o nosso dinheiro: milhares de famílias foram despejadas de suas casas, direitos constitucionais foram silenciados pela Lei Geral da Copa e outras imposições da FIFA e até mesmo nove vidas foram tiradas nas obras de estádios que sediarão jogos do campeonato (três em São Paulo, quatro em Manaus, uma em Brasília e uma em Cuiabá).

Este é um momento decisivo para o povo: Ou somos coniventes ou somos combatentes quanto à  Copa do Mundo no Brasil. Ou nos opomos à s remoções forçadas, à  violação de direitos humanos e civis, à  criação de projetos de leis que impõe uma mordaça na população, ao desvio de capital, ao superfaturamento de obras, à  utilização da máquina de segurança pública para fins truculentos e repressivos, ao repasse de dinheiro público à  iniciativa privada, à  consagração da segregação e da política de higienização pública das grandes cidades, à  prostituição infantil e a tantos outros abusos; ou colaboramos com o financiamento de tudo isso, garantindo o lucro bilionário da FIFA e de seus patrocinadores.

Se posicionar contra a Copa é se posicionar contra a influência do poder econômico nas decisões políticas, que deveriam levar em consideração, antes de mais nada, os interesses do povo. à‰ instruir a população a uma democracia de verdade, direta e participativa, na qual todos também governam e não são governados por supostos representantes.

O Brasil não precisa de uma Copa do Mundo e muito menos de tanto dinheiro sendo investido nela. O Brasil não precisa que uma corporação como a FIFA passe por cima de nossa Constituição em nome de um torneio de futebol. Não precisamos que um patrimônio cultural, ocupado por indígenas !“ o antigo museu do àndio !“ seja demolido para dar lugar ao estacionamento de um estádio.

Tampouco precisamos que milhares de famílias sejam obrigadas a deixar suas casas para dar lugar a prédios e comércios de grandes empresários, assim como algumas favelas foram misteriosamente! incendiadas para o mesmo fim. O Brasil não precisa que nove operários morram na construção ou reforma de estádios que sediarão a Copa do Mundo. O Brasil não precisa de uma lei antiterrorista que dê margem à  criminalização de mobilizações populares durante a realização de megaeventos como a Copa.

A Copa do Mundo tem a duração de um mês, mas suas consequências tiveram início anos antes e se estenderão por muito mais tempo.

Os protestos contra a Copa de 2014 no Brasil apresentam cunho suprapartidário, ou seja, estão acima dos interesses políticos de partidos específicos. Vale lembrar que muitas forças partidárias e movimentos tanto pró quanto contra o governo podem tentar se aproveitar e mudar as diretrizes das mobilizações, mas não vamos permitir que o apelo e a luta populares sejam manipulados.

Contra o padrão FIFA racista, elitista e higienista!

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