Coluna do Requião Filho: “Pão e circo”

Requião Filho, em sua coluna desta quinta, mergulha na história de Roma para chegar à  conclusão: espetáculo midiático de Dilma e Richa, que gastam milhões em propaganda e estádios, nada mais é do que a política do "pão e circo" para distrair o povo de seus reais problemas cotidianos, como falta de escolas e esgoto, e controlar o parlamento; ele também vê paralelo dos governos petista e tucano com o estilo romano de 2 mil anos atrás, quando se inaugurava obras antes mesmo de concluí-las, a exemplo do Coliseu; Será mesmo que preferimos sentar em um estádio ao invés de um banco de escola ou de uma sala de espera digna em um hospital público?!, indigna-se o especialista em políticas públicas; leia o texto.

Requião Filho, em sua coluna desta quinta, mergulha na história de Roma para chegar à  conclusão: espetáculo midiático de Dilma e Richa, que gastam milhões em propaganda e estádios, nada mais é do que a política do “pão e circo” para distrair o povo de seus reais problemas cotidianos, como falta de escolas e esgoto, e controlar o parlamento; ele também vê paralelo dos governos petista e tucano com o estilo romano de 2 mil anos atrás, quando se inaugurava obras antes mesmo de concluí-las, a exemplo do Coliseu; Será mesmo que preferimos sentar em um estádio ao invés de um banco de escola ou de uma sala de espera digna em um hospital público?!, indigna-se o especialista em políticas públicas; leia o texto.

Requião Filho*

Roubo aqui a tradução de Júlio Ferreira da carta de Vespasiano ao seu Filho Tito. Acredito que esta carta e algumas frases atribuídas a alguns destes personagens se encaixam com perfeição aos tempos de hoje. Vou cortar esta carta em três pedaços e comparar com nossa realidade política atual.

Troquemos o personagem de Tito por Dilma e o Coliseu por diversas arenas! da Copa do Mundo em 2014, e esta carta poderia ter sido escrita por Lula à  sua sucessora:

Tito, meu filho, estou morrendo. Logo eu serei pó e tu, imperador. Espero que os deuses te ajudem nesta árdua tarefa, afastando as tempestades e os inimigos, acalmando os vulcões e os jornalistas. De minha parte, só o que posso fazer é dar-te um conselho: não pare a construção do Colosseum. Em menos de um ano ele ficará pronto, dando-te muitas alegrias e infinita memória. Alguns senadores o criticarão, dizendo que deveríamos investir em esgotos e escolas. Não dê ouvidos a esses poucos. Pensa: onde o povo prefere pousar seu clunis: numa privada, num banco de escola ou num estádio?

Num estádio, é claro.

Será uma imensa propaganda para ti. Ele ficará no coração de Roma por omniasaeculasaeculorum, e sempre que o olharem dirão: “Estás vendo este colosso? Foi Vespasiano quem o começou e Tito quem o inaugurou.!

A segunda parte não fica constrita apenas ao Lula e a Dilma, esta frase pode muito bem remontar à  devassidão da Ditadura Brasileira e sua corrupção nas obras que hoje nos garantem alguma infraestrutura. Esta parte resume o jogo que hoje se vislumbra entre alguns políticos e seus financiadores de campanha, que buscam obras não para melhorar a vida da população, mas sim para pagar! os favores de outrora ou, de forma mais direta, retribuir o financiamento de campanha:

Obras vistosas, claro (!), aos olhos de todos para que possam ser cantadas aos sete ventos. Obras que fiquem bem em cartões postais ou que produzam belas imagens para os comerciais veiculados nos intervalos das novelas. Políticos assim não gostam de investir em esgoto, este fica embaixo da terra e ninguém vê. Há uma anedota de mal gosto nos corredores do poder que diz investir em esgoto é investir em m. não dá votos.!

Outra vantagem do Colosseum: ao erguê-lo, teremos repassado dinheiro público aos nossos amigos construtores, que tanto nos ajudam nos momentos de precisão. Moralistas e loucos dirão, que mais certo seria reformar as velhas arenas. Mas todos sabem que é melhor usar roupas novas que remendadas. Velcaecoappareat (Até um cego vê isso).

Portanto, deves construir esse estádio em Roma.!

A terceira parte é a que engloba a encenação como um todo da política brasileira. Pão e Circo. Não governam para o povo Brasileiro, mas sim para seus financiadores de campanha, dando esmolas ao povo, buscando apaziguar a angustia que assola os menos desfavorecidos e depois, o circo. O circo hoje é o midiático, são as incessantes campanhas nas televisões e jornais querendo nos fazer acreditar que navegamos em um mar de rosas, que a economia voa em um céu de brigadeiro, que o caos da saúde, da educação e da segurança é apenas algo que fantasiamos quando temos demais para pensar:

Enfim, meu filho, desejo-te sorte e deixo-te uma frase: Ad captandumvulgus, panem et circenses (Para seduzir o povo, pão e circo). Esperarei por ti ao lado de Júpiter.!

Assim, Tito foi um Imperador amado, um imperador deificado pelo Senado após sua morte. Seria um grande político aqui no Brasil.

Seu reinado foi curto e indulgente!, respeitou e manteve todos os privilégios do Senado à  época. Foi o construtor de grandes obras públicas, seguindo o conselho de seu pai e repassando dinheiro público aos amigos construtores (quaisquer semelhanças são meras coincidências).

Soube controlar bem o Senado e negociou com maestria nos dois anos que esteve à  frente do império romano. Ele foi generoso com o povo (o pão) que sofreu com as tragédias do Vulcão em Pompéia e incêndios na cidade de Roma (dizem que pagou do bolso as reformas dos danos).

Relatos de diferentes fontes dizem que ele era afável, simpático e bom de papo, qualidades que parecem estar na moda hoje para alguns brasileiros na hora de escolher seus candidatos. Seu grande trunfo histórico foi a inauguração do Coliseu. Inauguração ao melhor estilo de político Brasileiro: inaugurou a obra antes de estar pronta.

Será mesmo que nós, seres humanos, não aprendemos nada com a história? Será que nós no Brasil nos contentaremos com o pão e circo que nos oferecem o Governo Federal e Estadual? Será mesmo que preferimos sentar em um estádio ao invés de um banco de escola ou de uma sala de espera digna em um hospital público? Será?

*Requião Filho é advogado, especialista em políticas públicas, escreve à s quintas no Blog do Esmael.

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