Zeca Dirceu: “Da ditadura militar à  ditadura da mídia e do judiciário”

Publicado em 1 abril, 2014

O deputado federal Zeca Dirceu (PT-PR), em artigo especial para o Blog do Esmael, faz um paralelo entre os 50 anos da ditadura militar no Brasil, completados hoje, 1!º de abril, Dia da Mentira, e a prisão de seu pai, ex-ministro José Dirceu, em regime fechado, há 130 dias, quando a decisão do julgamento foi pelo regime semiaberto; O STF provou ser justo com o PSDB e injusto com o PT, isto é inaceitável!!, protesta, ao lembrar que o Mensalão Tucano, protagonizado pelo ex-deputado Eduardo Azeredo, ex-presidente nacional do PSDB, foi enviado à  primeira instância e terá direito a dois julgamentos adicionais; parlamentar vê hoje ditadura da mídia e do judiciário, que impõe a pauta; Não teremos medo de enfrentar novamente a repressão da grande mídia maquiada com o rótulo mentiroso da transparência e venceremos mais uma vez a noite escura, desta vez assombrada pelo autoritarismo judiciário!, afirma; leia o texto.
O deputado federal Zeca Dirceu (PT-PR), em artigo especial para o Blog do Esmael, faz um paralelo entre os 50 anos da ditadura militar no Brasil, completados hoje, 1!º de abril, Dia da Mentira, e a prisão de seu pai, ex-ministro José Dirceu, em regime fechado, há 130 dias, quando a decisão do julgamento foi pelo regime semiaberto; O STF provou ser justo com o PSDB e injusto com o PT, isto é inaceitável!!, protesta, ao lembrar que o Mensalão Tucano, protagonizado pelo ex-deputado Eduardo Azeredo, ex-presidente nacional do PSDB, foi enviado à  primeira instância e terá direito a dois julgamentos adicionais; parlamentar vê hoje ditadura da mídia e do judiciário, que impõe a pauta; Não teremos medo de enfrentar novamente a repressão da grande mídia maquiada com o rótulo mentiroso da transparência e venceremos mais uma vez a noite escura, desta vez assombrada pelo autoritarismo judiciário!, afirma; leia o texto.
Zeca Dirceu*

Os 50 anos do Golpe de 64 potencializaram nas últimas semanas as discussões sobre a ditadura militar. Toco nesse assunto com a certeza de que esse período de mais de duas décadas, manchado por torturas e mortes, marca a história de guerreiros que lutaram pela liberdade social do nosso país.

Confesso que a nossa recente democracia, que já alcançou grandes vitórias, ainda precisa evoluir muito. Não sofremos mais das ordens militares armadas, com perseguição e exílio, mas ainda convivemos com os abusos de uma mídia preconceituosa de direita, que manobra a opinião pública e, surpreendentemente, nos deparamos com a força autoritária de uma justiça que age com dois pesos e duas medidas, culminando em prisões injustas.

Digo isto de coração aberto, como filho de José Dirceu, um líder da resistência, que em 1968 foi preso e deportado do país por sonhar com um Brasil onde os cidadãos pudessem ser atores políticos e donos de sua própria forma de expressão, numa época em que se falar em pobreza, igualdade social e acesso à  saúde significava ser taxado de comunista.

Fico emocionado ao lembrar do sofrimento da minha avó que ficou 10 anos sem notícias do seu filho e da preocupação da minha mãe que a todo momento temia que eu fosse sequestrado como forma de retaliação dos militares. Quando os resultados desse sacrifício começaram a acontecer, o pesadelo voltou.

Meu pai vive hoje mais uma vez a prisão, depois de um julgamento sem provas, injusto e pautado pela grande imprensa. Ele paga o preço caro por ter lutado contra a ditadura e participado a partir da década de 80 do processo de redemocratização do país, quando ajudou na fundação e teve papel decisivo na construção do maior partido político do Brasil, o PT. Assume com coragem o fato de ser um homem que não nega a superação de grandes desafios, como no caso em que, junto com outros companheiros, atuou na instauração da CPI que teve como consequência o impeachment do Collor.

Aos 68 anos de idade, O Zé guerreiro do povo brasileiro! carrega nos ombros o peso por ter contribuído na construção de um projeto político que levou o primeiro siderúrgico a ocupar o cargo de presidente do Brasil e a tirar mais de 36 milhões de brasileiros da miséria.

Hoje, condenado ao regime semiaberto, meu pai está mantido há mais de 130 dias em regime fechado, sem autorização para trabalhar. Um absurdo incabível! Uma prova de que ainda estamos submetidos a padrões ditadores e autoritários que não respeitam o ser humano e seus direitos constitucionais.

Para provar a parcialidade no tratamento do caso, na semana passada o STF- Supremo Tribunal Federal concedeu corretamente a Eduardo Azevedo !“ do PSDB, o direito de ser julgado no mínimo em duas instâncias judiciárias, o que foi negado a meu pai. O STF provou ser justo com o PSDB e injusto com o PT, isto é inaceitável!

Como se tudo ainda fosse pouco, meu pai ainda é acusado de se favorecer de privilégios na cadeia. Uma piada de mau gosto se o observador fizer uma reflexão mais profunda e observar a verdade, longe da superficialidade enganadora da comunicação de massa. Qual é o privilégio? Ser julgado sem direito a recurso? Qual é o privilégio? Ser condenado sem provas? Qual o privilégio? Ser condenado a semiaberto e cumprir em regime fechado?

à‰ assim que a oposição, que não consegue nos vencer nas urnas, tenta nos destruir com o seu poder típico rasteiro. Não irá funcionar, porque continuamos com punhos cerrados e não fugimos da luta. Não teremos medo de enfrentar novamente a repressão da grande mídia maquiada com o rótulo mentiroso da transparência e venceremos mais uma vez a noite escura, desta vez assombrada pelo autoritarismo judiciário.

A prisão, por um determinado tempo, poderá continuar a conter a ação física dos revolucionários dos anos 60 e 70, mas nunca conseguirá aprisionar os seus ideais e sonhos. O trabalho continua forte porque a nossa disposição em executar este grande projeto político pelo povo brasileiro é gigante.

*Zeca Dirceu é deputado federal pelo PT do Paraná.

A luta continua!

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