Por Esmael Morais

André Vargas ganha tempo, mas pode ser expulso do PT

Publicado em 22/04/2014

Os deputados José Mentor (SP) e Luiz Sérgio (RJ) escudaram Vargas na reunião com o comando petista. à€ tarde, o deputado petista Zé Geraldo (PA) pediu vistas do relatório que acabara de ser lido com o parecer favorável à  cassação do mandato de Vargas. Ele afirmou que fizera o gesto a pedido do próprio Vargas, que lhe pedira para ganhar tempo. Desse modo, na prática, Vargas deu curso à  negativa de renunciar imediatamente, como deseja a direção partidária. Em outras palavras, peitou Rui Falcão e o partido.

Abaixo, notícia anterior de 247:

247 !“ Relator do processo contra o deputado licenciado André Vargas (PT-PR) na Comissão de à‰tica da Câmara, o deputado Júlio Delgado (PSB-MG) leu nesta terça-feira 22 parecer preliminar que pede a continuidade do processo contra o parlamentar por quebra de decoro. Vargas é acusado de envolvimento com o doleiro Alberto Youssef, preso pela Polícia Federal na Operação Lava Jato, que investiga esquema de lavagem de dinheiro.

A votação para aprovação do parecer, porém, foi adiada pelo Conselho por duas sessões do Plenário, marcada agora para o próximo dia 29, porque o deputado Zé Geraldo (PT-PA) pediu vista do processo. O pedido de vista foi subscrito pelo deputado José Carlos Araújo (PSD-PA).

“Quero deixar claro que isso não é uma posição do meu partido. à‰ uma decisão minha”, defendeu Zé Geraldo (PT-PA). O deputado acrescentou que o pedido de mais tempo para análise do caso foi feito pelo próprio André Vargas. “Ele está querendo esse tempo e esse tempo esta sendo dado a ele. Ele pediu”, disse. Segundo ele, Vargas está decidindo se irá ou não renunciar ao mandato.

“A situação do André não é confortável e precisa de um tempo para tomar a sua decisão. Agora ele tem essa semana para refletir sobre o que vai fazer”, afirmou. Nesta terça-feira, o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), disse que a renúncia de Vargas será aceita, com efeito imediato, caso ele decida por isso.

Se a maioria do colegiado votar favoravelmente ao parecer de Júlio Delgado, será dada continuidade na tramitação do processo por quebra de decoro, que poderá resultar na cassação do deputado. No relatório de Delgado, consta que existem “indícios” de que o petista tenha cometido “irregularidades”.

Se Vargas decidir não renunciar e o colegiado aprovar sua cassação, com ratificação posterior pelo plenário da Câmara, ele ficará inelegível pelos próximos oito anos, de acordo com a Lei da Ficha Limpa.