Mensalão tucano causa 1!ª baixa. Eduardo Azeredo renuncia ao mandato de deputado federal

do Brasil 247

Fui transformado em alvo político para compensar!, diz Eduardo Azeredo, artífice do mensalão tucano; assumindo papel de vítima e em tom de indignação, ex-governador de Minas Gerais renuncia a mandato de deputado federal; manobra é clara escapar do julgamento no Supremo Tribunal Federal por desvio de dinheiro público; procurador-geral Rodrigo Janot pediu 22 anos de prisão para ele; relator do caso é o ministro Luís Roberto Barroso; aposta do tucano é a de que perda dos direitos de parlamentar irá tirar caso do foro privilegiado do STF; tramitação começaria pela primeira instância; manobra é polêmica; na AP 470, vários réus não tinham mandato, mas foram julgados diretamente em última instância, como o ex-deputado José Dirceu, do PT; íntegra da carta-renúncia.

Fui transformado em alvo político para compensar!, diz Eduardo Azeredo, artífice do mensalão tucano; assumindo papel de vítima e em tom de indignação, ex-governador de Minas Gerais renuncia a mandato de deputado federal; manobra é clara escapar do julgamento no Supremo Tribunal Federal por desvio de dinheiro público; procurador-geral Rodrigo Janot pediu 22 anos de prisão para ele; relator do caso é o ministro Luís Roberto Barroso; aposta do tucano é a de que perda dos direitos de parlamentar irá tirar caso do foro privilegiado do STF; tramitação começaria pela primeira instância; manobra é polêmica; na AP 470, vários réus não tinham mandato, mas foram julgados diretamente em última instância, como o ex-deputado José Dirceu, do PT; íntegra da carta-renúncia.

O ex-governador e deputado federal Eduardo Azeredo, do PSDB, está desenvolvendo uma manobra política para se livrar de ser julgado diretamente pelo Supremo Tribunal Federal. Ele renunciou ao mandato parlamentar na tarde desta quarta-feira 19, em Brasília, com a clara intenção de ser considerado um réu comum, sem os privilégios de um parlamentar. Isso levaria seu caso para a primeira instância, alongando no tempo qualquer decisão definitiva.

A carta de renúncia não foi encaminhada pelo parlamentar tucano, mas por seu filho Ricardo, numa decisão que visa dar uma pitada de sentimentalismo ao caso.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu pena de 22 anos de prisão para Azeredo, pelos crimes de corrupção e prática de caixa dois. O relator do caso é o ministro Luís Roberto Barroso.

Abaixo, a carta-renúncia de Azeredo:

“Quem assume a atividade política se sujeita a, repentinamente, encarar situações dramáticas e até impensáveis, ditadas pelas mudanças de conjuntura e por ataques, pressões e interesses de adversários. As versões dadas aos fatos, sem cerimônia, estraçalham a vida pessoal como num atropelamento inesperado na travessia de uma rua. Não importa o que a pessoa é e o que já fez em favor da sociedade e dos ideais que escolheu servir.

à‰ assim que me sinto hoje! Uma tragédia desabou sobre mim e a minha família, arrasando o meu nome e a minha reputação, construídos com zelo permanente a partir do legado exemplar que recebi dos meus saudosos pais, Renato e Ruth Azeredo — eles próprios, pessoas que também sempre se dedicaram à  vida pública e ao bem de Minas Gerais e de nosso país.

As acusações de que fui alvo pela Procuradoria Geral da República, com base em testemunhos e documentos falsos, não me pouparam. De cidadão, que deveria ter assegurado o sagrado direito de defesa, fui transformado em mero alvo político destinado a sofrer ataques para compensar delitos cometidos por outros.

A infeliz coincidência de uma agência de publicidade contratada antes mesmo de meu governo, ter se envolvido em rumoroso episódio de negociações suspeitas para fins políticos a nível federal, fez de mim um cúmplice que não fui e nunca seria em ações de que nunca participei nem participaria. As alegações injustas, agressivas, radicais e desumanas da PGR formaram a tormenta que me condena a priori e configuram mais uma antiga e hedionda denúncia da Inquisição do que uma peça acusatória do Ministério Público.

Mas, contra elas, volto a assegurar e repetir que não sou culpado de nenhum ato de peculato. Não fiz empréstimo fictício para a minha campanha de reeleição ao governo de Minas em 1998. Não fiz nem faria, por uma questão de princípio, nenhuma lavagem de dinheiro.

O governador de Minas Gerais, com 20 milhões de habitantes e mais de 500 mil funcionários entre ativos e inativos, não governa sem descentralizar, sem delegar! Injusto em que as responsabilidades de um governador são semelhantes e proporcionais à s de um presidente da República!

Mas de que adianta mais eu alegar que não sou culpado? O que posso é reafirmar que estou pronto a responder em qualquer foro à s acusações que me fazem. Não vou, porém, me sujeitar à  execração pública por ser um membro da Câmara dos Deputados e estar sujeito a pressões políticas. Esta sanha não quer que eu prevaleça a ponderação da Justiça, mas, sim, ver, pendurado e balançando no cadafalso, o corpo de alguém exemplado para satisfazer os mais baixos apetites em ano de eleição.”

Na carta, Azeredo critica o STF.

– O Supremo não julga, só condena, registrou.

Leia, abaixo, reportagem anterior da Agência Brasil:

Eduardo Azeredo renuncia hoje ao mandato de deputado

Carolina Gonçalves – Repórter da Agência Brasil Edição: Lílian Beraldo
Eduardo Azeredo (PSDB-MG) vai renunciar ao mandato de deputado federal José Cruz / Arquivo Agência Brasil

O deputado Eduardo Azeredo (PSDB-MG), réu na Ação Penal 536, o processo do mensalão mineiro, em análise no Supremo Tribunal Federal (STF), vai renunciar hoje (19) ao mandato na Câmara. A informação foi confirmada há pouco pela assessoria de imprensa do parlamentar.

A carta de renúncia será entregue pelo filho do deputado, Renato Azeredo, que ainda não chegou em Brasília. De acordo com a Mesa Diretora da Câmara, não há qualquer comunicação oficial sobre a decisão de Azeredo.

Por duas vezes, ao longo das últimas semanas, Eduardo Azeredo anunciou e cancelou pronunciamentos que seriam feitos em plenário em que ele falaria sobre o pedido de condenação, apresentado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot à  Suprema Corte, e sobre as manifestações de representantes do governo a respeito das denúncias. Na ação, Janot pediu a condenação de Azeredo a 22 anos de prisão pelos crimes de peculato e lavagem de dinheiro.

Ontem, o colega de partido Marcus Pestana (MG) anunciou que leria hoje (19) parte do pronunciamento de Azeredo em plenário. De acordo com a assessoria do tucano, a previsão sobre a leitura, à s 17h30, está mantida. Pestana pode aproveitar o momento para ler a carta de renúncia de Azeredo.

O partido não soube informar o nome do suplente de Azeredo, já que a lista segue uma ordem por coligação.

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