Por Esmael Morais

Depoimento de black bloc: “partidos que levam bandeira são os que pagam”

Publicado em 13/02/2014

O jovem disse também que acredita que a ativista Elisa Quadros, conhecida como Sininho, seja uma das organizadoras dos protestos. “Não acho que ela seja líder, mas manipula a forma como a manifestação vai acontecer”, disse. Segundo ele, Sininho chegou a repassar a um amigo, certa vez, um papel em que era registrada a contabilidade do dinheiro pago aos manifestantes.

Depois do depoimento publicado pelo jornal Extra, o Jornal Hoje, da TV Globo, procurou respostas dos partidos. O Psol e a FIP não responderam, assim como a ativista Sininho. A resposta do PSTU segue abaixo:

“Sequer sabemos quem são os jovens presos acusados de lançarem o rojão que vitimou o cinegrafista Santiago. Esse jovens não fazem nem nunca fizeram parte da nossa organização. Nosso partido é mantido através da contribuição voluntária da nossa militância, nos orgulhamos disso e fazemos questão de reiterar essa prática política em nossos documentos, panfletos, artigos e notas. Exigimos que se explicite, apure e comprove o mais rápido possível quem financia e financiou esses jovens e quem financia e financiou quem defende o acusado e o delator. São acusações grave e que exige cobranças políticas e judiciais. Não compactuamos com as ações isolados nos atos e manifestações como já deixamos claro em diversas notas políticas em polêmicas públicas travadas com os black blocs”.

Ainda em seu depoimento, Caio de Souza responsabilizou o tatuador Fábio Raposo, preso antes dele por ter passado o rojão para Caio durante manifestação da quarta-feira 6, por ter acendido o artefato explosivo.

Ele contou que Fábio o atiçou para acender e disparar o rojão que atingiu Santiago na cabeça. “Solta, solta”, teria dito o tatuador a Caio. “Acende aí”, incentivou, ainda. Segundo Caio, ele teria apenas segurado o artefato e o colocado no chão, já aceso. Ele conta que chegou a pensar ser um sinalizador.

Caio contou que nem sempre pode participar de manifestações, porque trabalha, mas que já “teve a oportunidade de ver a chegada de até cinquenta quentinhas para alimentar os ativistas”. Ele disse também que algumas pessoas nas manifestações são responsáveis por distribuir pedras e apetrechos. Caio ser taxativo, diz acreditar “que os partidos que levam bandeira são os mesmos que pagam os manifestantes”.