Por Esmael Morais

Lobista da Alstom ensinou tucano a obter US$ 95 milhões em propinas

Publicado em 05/12/2013

Depois que José Serra foi eleito governador de São Paulo e Aloysio Nunes assumiu a Secretaria da Casa Civil do Estado, o governo assinou um aditamento de US$ 95 milhões ao contrato de US$ 209 milhões com o Banco Mundial em 2008, segundo ano da gestão tucana. A verba iria para a construção da Linha 4-Amarela do Metrô. No email, Fagali Neto aconselhava: “Para a linha 4, acredito ser possível um aditamento ao contrato do Banco Mundial”. O consórcio Via Amarela, responsável pelas obras, tinha como uma das sócias a empresa Alstom.

Mas segundo Aloysio Nunes, que diz conhecer Fagali Neto “há muitos anos”, o e-mail é apenas o “alerta de um amigo” sobre o setor naquele momento. Antes de se tornar consultor da Alstom, Jorge Fagali Neto foi secretário dos Transportes em 1994 (no governo Luiz Antônio Fleury Filho), tendo sucedido Aloysio, que deixou o cargo em 1993. Hoje, Fagali tem US$ 6,5 milhões bloqueados na Suíça por suspeita de lavagem de dinheiro. Ele é indicado pela PF por suspeita de envolvimento em esquema de contratos de energia da Alstom e acusado de ter cometido os crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

No Senado, na última terça-feira 3, Aloysio Nunes atacou o ministro da Justiça pela exposição de seu nome no caso, fazendo questionamentos como: por que as investigações só têm sido feitas em São Paulo, e não envolvem empresas controladas pelo governo federal? E ainda: quem vazou os documentos sobre a investigação que estavam em posse da PF? O tucano sugere, com essas perguntas, que Cardozo tenha agido politicamente com a denúncia a fim de prejudicar os inimigos do governo petista. E agora, sua reclamação ainda procede?