Gustavo Fruet quebra o silêncio sobre 2014: “Eu vou apoiar Gleisi”

Publicado em 23 dezembro, 2013
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via Brasil 247

"Eu vou apoiar Gleisi"; a declaração do prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet (PDT), carimba o apoio da legenda pedetista na capital à  candidatura da ministra Gleisi Hoffmann (PT), ao governo do Paraná em 2014; quebra de silêncio frustra o Palácio Iguaçu, que sonhava com apoio do prefeito à  reeleição de Beto Richa (PSDB); Fruet falou, ainda, sobre a possibilidade de diminuição no preço das passagens de ônibus e foi taxativo: "Não. Agora não, nós já reduzimos este ano e foi a primeira vez na história que houve redução na tarifa técnica".
“Eu vou apoiar Gleisi”; a declaração do prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet (PDT), carimba o apoio da legenda pedetista na capital à  candidatura da ministra Gleisi Hoffmann (PT), ao governo do Paraná em 2014; quebra de silêncio frustra o Palácio Iguaçu, que sonhava com apoio do prefeito à  reeleição de Beto Richa (PSDB); Fruet falou, ainda, sobre a possibilidade de diminuição no preço das passagens de ônibus e foi taxativo: “Não. Agora não, nós já reduzimos este ano e foi a primeira vez na história que houve redução na tarifa técnica”.
“Eu vou apoiar Gleisi”. A declaração do prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet (PDT), carimba o apoio da legenda pedetista na capital à  candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann (PT), ao governo do Paraná em 2014. Segundo o gestor, em nível nacional, o partido deve optar se aliança com o Partido dos Trabalhadores e apoiar a presidente Dilma Rousseff (PT), que tentará a reeleição. Fruet disse, ainda, que, para o Senado, o PDT apoiará o ex-senador Osmar Dias.

Em relação à s questões administrativas, um dos principais pontos abordados na entrevista concedida ao jornal Valor Econômico foi a possibilidade de redução das tarifas de ônibus em 12%. Questionado sobre se esta diminuição no preço das passagens seria viável, o prefeito foi taxativo: “Não. Agora não, nós já reduzimos este ano e foi a primeira vez na história que houve redução na tarifa técnica. Isso é possível desde que haja alternativa de financiamento”.

Leia a íntegra da entrevista concedida ao Valor Econômico:

“A tarifa de ônibus é nossa bomba relógio”

Quando assumiu a Prefeitura de Curitiba, no início de 2013, Gustavo Fruet (PDT) pediu à  população um tempo para colocar o caixa em dia. Mostrava goteiras nas escolas e janelas quebradas em postos de saúdes para segurar os clamores por aumentos de salários e novos investimentos e contava com a recém-conquistada popularidade das urnas para esticar o prazo – e o pagamento das dívidas – ao máximo.

Fruet e o restante dos políticos do país, porém, não contavam com as manifestações de junho que o obrigaram a reduzir tarifas de transportes e trazer a questão da mobilidade para o centro da discussão na capital paranaense. “Foi um sinal muito claro de critica à s prestações de serviço e ficou muito focado no preço da tarifa”, disse Fruet ao Valor.

Em resposta, o prefeito abriu o que chama de “caixa preta do transporte público”: colocou contas e documentos na internet, pediu auditorias e diminuiu o preço da passagem. O movimento culminou em uma CPI que concluiu pela necessidade de uma redução ainda maior, o que, para o prefeito, é inviável sem novas fontes de financiamento.

Fruet assumiu a Prefeitura de Curitiba com o maior déficit da história, que alcançou 10% das receitas correntes em 2012. O primeiro passo foi equacionar uma dívida de R$ 571 milhões da administração anterior, dos quais R$ 403 milhões não tinham nem empenho nem dotação orçamentária.

Em julho, assinou decreto que parcelou o pagamento da dívida em três anos, corrigida pela inflação, comprometendo quase a metade da capacidade de pagamento da prefeitura e prejudicando novos investimentos.

Com isso, a previsão é fechar o ano com o déficit em 5% das receitas correntes, número alcançado também com a ajuda do crescimento na arrecadação, que foi de 8,6% até novembro. O aumento foi atribuído pelo prefeito principalmente pela melhoria na fiscalização do pagamento de impostos municipais e pelo crescimento na arrecadação de 17% no ICMS.

Se num primeiro momento a população pareceu compreensiva, desde meados do ano as reclamações nas ruas cresceram e o prefeito enfrentou a primeira greve no fim do ano – das educadoras de creches, que querem salários e condições equiparadas a professores de educação infantil. Além disso, são muitas as reclamações na área da saúde, que teve pronto-socorros que suspenderam atendimentos e falta de medicamentos.

“Até por sua experiência como parlamentar, Fruet tem mais habilidade política e vem negociando reajustes e contratações com as categorias. Como é um primeiro ano, ele ainda tem um crédito, mas isso tem um limite que não se estenderá para 2014”, analisa o professor de Ciências Políticas da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Ricardo Costa de Oliveira.

Oliveira ressalta que o governo Fruet foi facilitado pela falta de oposição na Câmara dos Vereadores, formada praticamente por aliados do prefeito.

“Temos muitos problemas também em relação à  Copa, o principal deles a falta de transparência”, afirma a líder do PMDB, Noêmia Rocha, uma das poucas vozes da oposição na Casa. “Não vamos estar preparados para receber a Copa, o que é muito ruim. A Curitiba cidade-modelo hoje só existe na teoria, na prática não é isso o que vemos mais”.

A pressa em sanear as contas se dá também para garantir os repasses do governo federal, nos quais Fruet, aliado de Dilma Rousseff, pretende compensar a baixa capacidade de investimento municipal. Em 2013, o grande destaque da administração do pedetista foi o anúncio de R$ 4,56 bilhões para a sonhada obra do metrô curitibano, discutida na cidade há mais de 40 anos, sendo R$ 1,8 bilhão diretamente do Orçamento federal.

Dilma, com Gleisi Hoffmann (Casa Civil) a tiracolo, visitou a cidade em novembro para anunciar a liberação dos recursos, para a fúria do governador Beto Richa (PSDB), que, mesmo depois de liminar do Supremo Tribunal Federal (STF), não consegue que a Secretaria do Tesouro Nacional (STN) libere o Estado do Paraná a tomar empréstimos junto a organismos internacionais.

A STN alega que o Paraná ultrapassou limites da Lei de Responsabilidade Fiscal, mas Richa nos bastidores afirma que há má vontade política, já que ele concorrerá com Gleisi ao governo do Estado no próximo ano.

“Vou medir minhas palavras, porque senão a gente entra num debate de quem é perseguido e quem é privilegiado e não é nessa linha. A gente procurou fazer a lição de casa, até porque a STN e o governo federal veem as contas da prefeitura”, desconversa Fruet.

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Gustavo Fruet, 50, foi eleito prefeito de Curitiba no segundo turno em 2012, deixando para trás o deputado federal Ratinho Júnior (PSC) e o então prefeito Luciano Ducci (PSB). Doutor em direito pela UFPR, é curitibano e filho do ex-prefeito da cidade Maurício Fruet. Foi vereador e deputado federal pelo PSDB. Depois de perder a eleição ao Senado em 2010, desligou-se do partido, que preferiu apoiar Ducci à  Prefeitura de Curitiba, e filiou-se ao PDT para concorrer ao cargo.

A seguir, os principais trechos da entrevista ao Valor:

Valor: Como o senhor avalia o primeiro ano de sua gestão?

Gustavo Fruet: Assumi com um déficit de 10% das receitas correntes, que foi o maior déficit da história da cidade. Quando assumimos, levamos um tempo para ter todas as informações, na transição não ficou muito claro. Isso acabou gerando uma restrição muito grande este ano. Tivemos que fazer primeiro uma contenção de despesa. Paga-se um preço por isso. Nunca disse tanto não e nunca briguei tanto internamente. Segundo, renegociamos a dívida, só aí a gente já comprometeu metade de nossa capacidade de pagamento, para mostrar o que significa em termos de investimento para a cidade. Vamos terminar o ano ainda com déficit.

Valor: Quais as áreas mais problemáticas?

Fruet: Na saúde, o déficit girava em torno de R$ 120 milhões e é uma área de média e alta complexidade que não dá para parar. Estamos somando até o fim do ano mais R$ 300 milhões no orçamento, parte do governo federal. Outro ponto que é uma bomba relógio: transporte. No final de 2010, foi feita a licitação do transporte público. Dois anos depois de o sistema ter sido licitado, assumo com as empresas alegando déficit, o sindicato dos trabalhadores alegando déficit, o sistema perdendo qualidade de financiamento e dependendo de subsídio do governo do Estado e com a declaração do governador de que o subsídio não será renovado. Em junho, surgem as manifestações. Foi um sinal muito claro de crítica à s prestações de serviço e ficou muito focado no preço da tarifa. Tentamos abrir ao máximo o diálogo. Baixamos a tarifa para mostrar que há disposição nesse sentido. Deixamos claro o compromisso de transparência, mas que esse dinheiro tem que sair de algum lugar. A prefeitura deixará de investir em áreas importantes como saúde e educação. Essa é uma bomba relógio pra fevereiro do ano que vem, quando o contrato prevê novo aumento da tarifa.

Valor: A Câmara dos Vereadores concluiu uma CPI que disse ser possível reduzir a tarifa de ônibus em 12%. Para a prefeitura isso é viável?

Fruet: Não. Agora não, nós já reduzimos este ano e foi a primeira vez na história que houve redução na tarifa técnica. Isso é possível desde que haja alternativa de financiamento. Tira a gratuidade dos idosos. à‰ justo? Quem paga? Tira a gratuidade dos policiais, dos carteiros. à‰ justo? Quem paga? Isso tem que ser discutido.

Valor: As obras para a Copa estão atrasadas em Curitiba e recentemente a cidade se envolveu em mais uma polêmica ao não enviar representantes no sorteio dos grupos.

Fruet: Curitiba não está atrasada, Curitiba está em dia. Eu fui [no sorteio]. Guerra de versões não adianta, eu me atenho ao que é essencial. Curitiba estava lá, as duas representantes, que não tinham credencial, estavam lá, eu estive lá no dia da coletiva. O que é de responsabilidade da prefeitura em relação a estruturas para a Copa está em dia. O que tem é uma questão do estádio. Estabeleceu-se uma responsabilidade tripartite do governo do Estado, prefeitura e Atlético Paranaense num projeto orçado em R$ 130 milhões em 2009, depois subiu para R$ 180 milhões em 2012. Agora o Atlético alega que faltam mais R$ 80 milhões e que a responsabilidade é tripartite, mas a nossa procuradoria diz que não é isso vai dar uma discussão.

Valor: Existe o risco de não ter jogos da Copa em Curitiba?

Fruet: Não. Pode atrasar a entrega da obra, mas entrega no prazo para o jogo. A Fifa trabalha com prazos largos para evitar surpresas, mas nada que comprometa o jogo.

Valor: O senhor anunciou o projeto do metrô com recursos federais, obras da Copa com recursos federais. Facilita ter um aliado em Brasilia?

Fruet: Desde o início viemos trabalhando com projetos de mobilidade junto ao governo federal. Vou medir minhas palavras porque senão a gente entra num debate de quem é perseguido e quem é privilegiado e não é nessa linha. A gente procurou fazer a lição de casa, até porque a Secretaria do Tesouro Nacional e o governo federal vê as contas da prefeitura.

Valor: Quais são as prioridades para 2014?

Fruet: A primeira grande linha é a mobilidade, o projeto prioritário é o metrô. Para esse projeto serão R$ 4,6 bilhões e em janeiro ou fevereiro vamos lançar o edital. Teremos outro grande investimento na área ambiental, com um projeto de gestão de rios de R$ 700 milhões do governo federal e outro grande projeto na área habitacional perto de R$ 1 bilhão do Minha Casa Minha Vida já com a questão do lixo resolvida, alternativas energéticas e ciclovias.

Valor: Em relação à  eleição do ano que vem, já está fechado o apoio do PDT à  candidatura da ministra Gleisi Hoffmann? E a vaga ao senado, o candidato será mesmo o Osmar Dias?

Fruet: Eu vou apoiar a Gleisi, ponto. A tendência do PDT é apoiar a Gleisi. O nome natural para o Senado é o Osmar, depende da definição dele. Ele tem evitado participar de eventos políticos no Estado em função da importante função que ele ocupa (vice-presidente de Agronegócios do Banco do Brasil)

Valor: E no cenário nacional?

Fruet: A tendência natural do PDT é apoiar a Dilma, para mim não tem dúvida mais.

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