Padres “espiões” de Foz do Iguaçu são defenestrados pelo Vaticano

Publicado em 4 novembro, 2013
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Blogueiro Rogério Bonato, de Foz, desconfia do gatilho rápido de Dom Dirceu, bispo da cidade, que requereu ajuda do Vaticano para afastar três padres desafetos; Justiça "Divida! foi ágil ao gongar três religiosos acusados de espionar e-mails do superior;  Justiça dos "homens" no Brasil ainda patina no mesmo caso.
Blogueiro Rogério Bonato, de Foz, desconfia do gatilho rápido de Dom Dirceu, bispo da cidade, que requereu ajuda do Vaticano para afastar três padres desafetos; Justiça “Divida! foi ágil ao gongar três religiosos acusados de espionar e-mails do superior; Justiça dos “homens” no Brasil ainda patina no mesmo caso.
O jornalista e blogueiro Rogério Bonato, de Foz do Iguaçu, de forma didática e bem humorada, conta em sua página que três padres “espiões” foram defenestrado pelo Vaticano a pedido do bispo da cidade, Dom Dirceu Vigine. Os padrecos teriam xeretado e-mails do superior (clique aqui para relembrar).

Sem entrar no mérito do conteúdo das mensagens violadas do bispo, o blogueiro iguaçuense estranha que a Justiça “Divida”, ou seja, do Vaticano, tenha sido rápida ao gongar os três religiosos enquanto a Justiça dos “homens” no país ainda patina no mesmo caso.

Segundo Bonato, “os padres não foram excomungados, exonerados ou banidos da Santa Sé, mas sim apenas suspensos, simplesmente afastados do rebanho, das atividades sacerdotais, sem poder ocupar uma igreja para rezar uma missa, ouvir confissão ou organizar um bingo, por exemplo”. “Estão ajoelhados no milho”, diverte-se. Leia o texto:

Rebuliço celestial!¦ Pecaminosidade virtual

Uma notícia atrapalhou o sono das beatas iguaçuenses. Algumas nem compareceram à  missa dominical e por uma razão um tanto peculiar: faltavam padres nos rituais litúrgicos.

Para relembrar o caso, em julho deste ano, o bispo Dom Dirceu Vigine foi até a delegacia de Polícia Civil e prestou queixa contra nada menos que sete padres. Sua Excelência Reverendíssima queixou-se de invasão da privacidade, já que seu e-mail pessoal teria sido vasculhado pelos sacerdotes, com algumas mensagens supostamente espalhadas pela diocese, o que teria causado incômodo inclusive aos fiéis. Mais de 200 e-mails vazaram, segundo a autoridade católica.

Mas o bispo foi além, mexeu os pauzinhos em Roma, na Congregação para o Clero, no Vaticano, que por sua vez aceitou a denúncia e pediu o afastamento de três padres, Sérgio Bertoti, Agostinho Gatelli e Paulo de Souza. O prazo para que eles deixassem as paróquias esgotou-se no final da tarde se sábado. Padre Paulo, o cantor performático, já havia sido inclusive transferido para as imediações de Guarapuava, onde decerto foi vender CDs das sua belas canções naquela outra freguesia.

Então, os padres cometeram atos de pedofilia? Cometeram blasfêmia? Contrariaram os mandamentos divinos? Praticaram atos libidinosos? Buliram no caixa das paróquias? Desviaram recursos das festinhas juninas? Fraudaram bingo? Não. Nada disso. Teriam praticado um crime cibernético.

Curioso, a Justiça do Vaticano foi implacavelmente rápida, se comparado ao processo de acusação contra os padres nos meios judiciários brasileiros; o atual estágio da pendenga ainda não saiu da esfera policial investigatória.

Segundo consta e eu ainda me lembro das declarações de advogados, o conteúdo dos e-mails apontavam para uma outra direção: o Bispo é que teria criticado os padres. Mas como a patente dele é mais alta e veste túnica preta com adereços grenás e escarlates, se deu melhor. Resta aguardar pela Justiça brasileira !“ ela tarda mas não falha -, mas mesmo assim o assunto chegará um dia até a instância mais soberana de todas, a Justiça Divina; daí não haverá remédio; em caso de delito confirmado e sacramentado a condenação será certa, sem isso de responder em liberdade, como ocorre em vias terrenas. Ou se vai ao limbo do purgatório, ou arde-se na pedra do quinto dos infernos!

Agora, muitos fiéis estão fazendo a maior confusão com uma informação aparentemente distorcida, já que ninguém até agora viu o documento enviado pelo Vaticano: os padres não foram excomungados, exonerados ou banidos da Santa Sé, mas sim apenas suspensos, simplesmente afastados do rebanho, das atividades sacerdotais, sem poder ocupar uma igreja para rezar uma missa, ouvir confissão ou organizar um bingo, por exemplo. Pelo momento estão ajoelhados no milho da opinião pública, que não sabe ao certo o que de fato ocorreu. E os outros quatro padres supostamente envolvidos? Também serão punidos? Do jeito que a coisa anda, Foz do Iguaçu terá que requisitar um Programa Mais Padres, para suprir as vagas nas igrejas, onde a alma de muitas pessoas também carece de cuidados emergenciais.

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