Colunista da Folha de S. Paulo cobra punição a Barbosa no CNJ

do Brasil 247

Colunista da Folha diz que privação do Genoino de "cuidados específicos" representou irresponsável ameaça a uma vida; segundo ele, presidente do STF já conhecia a precariedade do estado do parlamentar quando determinou que o sujeitassem à  viagem; além disso, Barbosa desrespeitou uma resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que ele mesmo preside, que determina que prisões devem ser feitas com cartas de sentenças e não apenas com mandados.

Colunista da Folha diz que privação do Genoino de “cuidados específicos” representou irresponsável ameaça a uma vida; segundo ele, presidente do STF já conhecia a precariedade do estado do parlamentar quando determinou que o sujeitassem à  viagem; além disso, Barbosa desrespeitou uma resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que ele mesmo preside, que determina que prisões devem ser feitas com cartas de sentenças e não apenas com mandados.

Joaquim Barbosa deve ser enquadrado pelo Conselho Nacional de Justiça, que ele mesmo preside. à‰ o que diz o colunista da Folha Janio de Freitas. Segundo ele, o presidente do STF cometeu uma série de erros nas prisões dos réus da AP 470 e colocou a vida de Genoino em risco.

No momento em que determinou a execução de prisões de 12 condenados no mensalão durante feriado da Proclamação da República, Barbosa desrespeitou uma resolução do CNJ, expedida em 2010, que regulamenta o trâmite para o início do cumprimento das penas de prisão (saiba mais).

Leia o artigo do Janio de Freitas:

O show dos erros

O estado de Genoino já era conhecido quando Joaquim Barbosa determinou que o sujeitassem à  viagem

No primeiro plano, o espetáculo criado para a TV (alertada e preparada com a conveniente antecedência) mostrou montagem meticulosa, os presos passando pelos pátios dos aeroportos, entrando e saindo de vans e do avião-cárcere, até a entrada em seu destino. Por trás do primeiro plano, um pastelão. Feito de mais do que erros graves: também com o comprometimento funcional e moral de instituições cujos erros ferem o Estado de Direito. Ou seja, o próprio regime de democracia constitucional.

Os presos na sexta-feira, 15 de novembro, foram levados a exame de condições físicas pela Polícia Federal, antes de postos em reclusão. Exceto José Genoino, que foi dispensado, a pedido, de um exame obrigatório. Experiente, e diante de tantas menções à  saúde inconfiável de José Genoino, o juiz Ademar Silva de Vasconcelos, a quem cabem as Execuções Penais no Distrito Federal, determinou exame médico do preso. Era já a tarde de terça-feira, com a conclusão de que Genoino é portador de “doença grave, crônica e agudizada, que necessita de cuidados específicos, medicamentosos e gerais”.

José Genoino não adoeceu nos primeiros quatro dias de sua prisão. Logo, deixá-lo esses dias sem os “cuidados específicos”, enquanto aqui fora se discutia se é o caso de cumprir pena em regime semiaberto ou em casa, representou irresponsável ameaça a uma vida –e quem responderá por isso?

A rigor, a primeira etapa de tal erro saiu do Supremo Tribunal Federal. A precariedade do estado de José Genoino já estava muito conhecida quando o ministro Joaquim Barbosa determinou que o sujeitassem a uma viagem demorada e de forte desgaste emocional. E, nas palavras de um ministro do mesmo Supremo, Marco Aurélio Mello, contrária à  “lei que determina o cumprimento da pena próximo ao domicílio”, nada a ver com Brasília. O que é contrário à  lei, ilegal é.

O Conselho Nacional de Justiça, que, presidido por Joaquim Barbosa, investe contra juízes que erram, fará o mesmo nesse caso? Afinal, dizem que o Brasil mudou e acabou a impunidade. Ou, no caso, não seria impunidade?

Do mesmo ministro Marco Aurélio, além de outros juristas e também do juiz das Execuções Penais, veio a observação que localiza, no bojo de mais um erro gritante, parte do erro de imprevidência temerária quanto a José Genoino. Foi a já muito citada omissão da “carta de sentença”, que, se expedida pelo ministro Joaquim Barbosa, deveria anteceder o ato de reclusão. E só chegou ao juiz competente, para instruí-lo, 48 horas depois de guarda dos presos.

Com a “carta de sentença”, outra comunicação obrigatória deixou de ser feita. Só ocorreu à s 22h de anteontem, porque o destinatário dissera à s TVs não ter o que providenciar sobre o deputado José Genoino, se nem fora comunicado pelo Supremo da decisão de prendê-lo. Presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves vai submeter a cassação do deputado ao voto do plenário, e não à  Mesa Diretora como uma vez decidido pelo Supremo. Faz muito bem.

Mas o Ministério da Justiça tem mais a dizer. E sobretudo a fazer. O uso de algemas durante o voo dos nove presos transgrediu a norma baixada pelo próprio ministério, que só admite tal imobilização em caso de risco de resistência ou fuga. Que resistência Kátia Rabello, Simone Vasconcelos, José Genoino poderiam fazer no avião? E os demais, por que se entregariam, como fizeram também, para depois tentar atos de resistência dentro do avião? Além de cada um ter um agente no assento ao lado. O uso indevido de algemas, que esteve em moda para humilhar empresários, é uma arbitrariedade própria de regime policialesco, se não for aplicado só quando de fato necessário. Quem responderá pela transgressão à  norma do próprio Ministério da Justiça?

Com a prisão se vem a saber de uma violência medieval: famílias de presos na Papuda, em Brasília, precisam dormir diante da penitenciária para assegurar-se, no dia seguinte, a senha que permita a visita ao filho, ao pai, marido, mulher. Que crime cometeram esses familiares para receberem o castigo desse sofrimento adicional, como se não lhes bastasse o de um filho ou pai na prisão?

Medieval, é isso mesmo a extensão do castigo à  família. Na Brasília que diziam ser a capital do futuro. Assim até fazem sentido a viagem ilegal dos nove para Brasília, as algemas e outros castigos adicionais aplicados a José Genoino e outros. E que vão continuar.

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