Decano condena Veja: mídia quis “subjugar” o juiz

do Brasil 247

Uma semana depois de garantir aos réus da Ação Penal 470 o direito aos embargos infringentes, o juiz Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal, protesta contra a postura de alguns meios de comunicação, especialmente de Veja, que ameaçou cruficificá-lo caso divergisse da revista; "nunca a mídia foi tão ostensiva para subjugar um juiz", disse ele, a um jornal de Tatuí (SP), sua cidade natal; esse tipo de chantagem, diz ele, é "inaceitável", porque coloca em risco "liberdades individuais" garantidas pela Constituição; tiro disparado da Marginal Pinheiros contra o decano saiu pela culatra.
Uma semana depois de garantir aos réus da Ação Penal 470 o direito aos embargos infringentes, o juiz Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal, protesta contra a postura de alguns meios de comunicação, especialmente de Veja, que ameaçou cruficificá-lo caso divergisse da revista; “nunca a mídia foi tão ostensiva para subjugar um juiz”, disse ele, a um jornal de Tatuí (SP), sua cidade natal; esse tipo de chantagem, diz ele, é “inaceitável”, porque coloca em risco “liberdades individuais” garantidas pela Constituição; tiro disparado da Marginal Pinheiros contra o decano saiu pela culatra.
O juiz Celso de Mello, decano do Supremo Tribunal Federal, continua com um assunto entalado na garganta: a chantagem exercida por alguns meios de comunicação !“ especialmente a revista Veja !“ em relação ao julgamento da Ação Penal 470.

De acordo com o decano, “nunca a mídia foi tão ostensiva para subjugar um juiz”. No fim de semana que antecedeu a votação decisiva sobre os embargos infringentes, a revista Veja, da Editora Abril, produziu uma capa em que ameaçou crucificar o ministro Celso de Mello, caso ele não votasse em linha com os interesses da revista da família Civita (leia mais aqui).

O tiro disparado da Marginal Pinheiros, sede da Abril, em São Paulo, contra o STF, no entanto, saiu pela culatra. “Essa tentativa de subjugação midiática da consciência crítica do juiz mostra-se extremamente grave e por isso mesmo insólita”, disse ele, ao jornal Integração, de Tatuí (SP), sua cidade natal.

A entrevista foi resgatada pela jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo (leia aqui). “Há alguns que ainda insistem em dizer que não fui exposto a uma brutal pressão midiática. Basta ler, no entanto, os artigos e editoriais publicados em diversos meios de comunicação social (os ‘mass media’) para se concluir diversamente! à‰ de registrar-se que essa pressão, além de inadequada e insólita, resultou absolutamente inútil”, afirmou ele, que também falou à  própria Folha para confirmar o teor da entrevista.

“Eu imaginava que isso [pressão da mídia para que votasse contra o pedido dos réus] pudesse ocorrer e não me senti pressionado. Mas foi insólito esse comportamento. Nada impede que você critique ou expresse o seu pensamento. O que não tem sentido é pressionar o juiz.” “Foi algo incomum”, segue. “Eu honestamente, em 45 anos de atuação na área jurídica, como membro do Ministério Público e juiz do STF, nunca presenciei um comportamento tão ostensivo dos meios de comunicação sociais buscando, na verdade, pressionar e virtualmente subjugar a consciência de um juiz.”

Segundo o decano, a postura de alguns meios de comunicação colocou em risco a própria democracia e a preservação de direitos individuais. “Essa tentativa de subjugação midiática da consciência crítica do juiz mostra-se extremamente grave e por isso mesmo insólita”, afirma. “à‰ muito perigoso qualquer ensaio que busque subjugar o magistrado, sob pena de frustração das liberdades fundamentais reconhecidas pela Constituição. à‰ inaceitável, parta de onde partir. Sem magistrados independentes jamais haverá cidadãos livres.”

Economia

O ministro também afirmou que esse tema desperta cada vez maior discussão. “à‰ uma discussão que tem merecido atenção e reflexão no âmbito acadêmico e no plano do direito brasileiro”, disse ele. “à‰ preciso conciliar essas grandes liberdades fundamentais, ou seja, o direito à  informação e o direito a um julgamento isento.”

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