Por Esmael Morais

Coordenador de Aécio ataca Gleisi e liga Osmar Dias ao mensalão

Publicado em 15/08/2013

Relações promíscuas

por Ademar Traiano*

A confusão entre o público e o privado é marca registrada do Partido dos Trabalhadores. Desde que chegou a Presidência, em 2003, o PT colocou em prática uma nefasta teoria de ocupação do Estado que vem provocando danos tremendos à s instituições e a economia brasileira.

Dias atrás a ministra chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, acompanhada do ex-senador Osmar Dias, hoje ocupando (na cota do PT) uma vice-presidência do Banco do Brasil, veio até Curitiba em um jatinho da FAB. Na capital, a dupla embarcou em um avião fretado pelo Partido dos Trabalhadores e voou até Toledo para anunciar o Plano Safra. à‰ muito estranho que deslocamentos de figuras do governo, em eventos oficiais, ocorram em aeronaves bancadas por partidos políticos.

Mais ainda quando eventos oficiais se transformam em atividades de política partidária. O evento em Toledo, apesar de envolver um programa público, revestiu-se de características típicas de campanha eleitoral. Festa de arromba, inflamados discursos políticos, inclusive o de Osmar Dias, que está impedido, pela posição que ocupa no Banco do Brasil, de se dedicar a atividades políticas pelas regras do banco e da Comissão de Valores Mobiliários. Osmar, além de atacar adversários políticos do PT, recomendou que o povo brasileiro, em lugar de protestar, fosse à s ruas “agradecer” a presidente Dilma Rousseff…

Gleisi, que é pré-candidata ao governo do Paraná em 2014, estava em plena campanha política antecipada. Parte da viagem foi bancada por dinheiro público (jato da FAB), outra pelo partido da ministra. Uma interpretação desse episódio esquisito é que o PT já está colocando em prática, por conta própria, o financiamento público de campanhas.

A ministra estava, em Toledo, em uma situação estranha à s atividades de sua pasta. A Casa Civil deve assessorar o chefe do Executivo e coordenar ações de governo. Não é segredo para ninguém que Gleisi não tem dado conta dessas missões. A base do governo no Congresso está rebelada e a Casa Civil está sob intervenção. Não surpreende que a ministra vá antecipar sua saída do governo, que tenha deixado de lado as funções do cargo e ocupe seu tempo no lançamento político eventos ligados a Agricultura e na distribuição de retroescavadeiras no interior do Paraná.

O Banco do Brasil, onde Osmar Dias dá expediente, foi um dos protagonistas do escândalo do mensalão, com o notório caso Visanet. O BB foi convertido, durante o governo Lula, em uma espécie de caixa rápido para os mensaleiros. Antecedentes tenebrosos como esse recomendariam as maiores cautelas antes de misturar política partidária com a instituição bancária. Não foi o que se viu em Toledo.

A transformação do governo e de empresas estatais em instrumento político do PT ou de política econômica tem sido uma receita para o escândalo e o desastre. A revista à‰poca revela que as relações promíscuas do PT com empresas estatais produziram um esquema de corrupção que beneficiou a campanha de Dilma Rousseff em 2010.

Segundo a revista, contratos fechados pela Petrobras desde 2008 na área internacional foram usados para arrecadar propina de fornecedores e de outras empresas que negociaram com a estatal. Pelo menos US$ 8 milhões de suborno provenientes de um contrato da divisão internacional da Petrobras com a construtora Odebrecht teriam irrigado a campanha de Dilma.

Em 2006 a Petrobras comprou, por US$ 1 bilhão, uma refinaria no Texas que não valeria mais que US$ 50 milhões. No segundo trimestre deste ano, um prejuízo de R$ 1,7 bilhão da Petrobras foi transformado em um lucro R$ 6,2 bilhões, graças ao artifício de eliminar o impacto cambial sobre o balanço da empresa.

à‰ evidente que esse tipo de maquiagem contábil pela qual o Brasil já está se tornando motivo de chacota na comunidade econômica internacional, destrói a credibilidade e afasta os investidores que não tem como saber qual a real situação da economia, tantos e tais truques, malabarismos e mágicas bestas estão sendo aplicados pelo governo.

Até o ex-ministro Delfim Netto, antigo menino prodígio da ditadura militar, hoje convertido em sábio guru dos petistas, está assustado com as ações do PT na desorganização das contas públicas e com o uso de estatais e bancos públicos. Delfim afirma que o governo já nem sabe mais qual é o déficit público. Garante que o mercado tem a percepção de que a situação fiscal no Brasil é uma esculhambação!.

Situações em que ministros e diretores de bancos oficiais, que saltam de jatinhos da FAB para aviões fretados pelo PT para cumprir uma agenda oficial que virou agenda partidária, mostram que a esculhambação é generalizada no governo.

* Ademar Traiano é deputado estadual pelo PSDB do Paraná e líder do governo na Assembleia Legislativa.