Por Esmael Morais

A redução da maioridade penal só favorece o crime!, diz ministro da Justiça

Publicado em 29/04/2013

Ele exemplifica: “Muitas vezes, pessoas entram nos presídios por terem cometido delitos de pequeno potencial ofensivo e, pelas condições carcerárias, acabam ingressando em grandes organizações criminosas. Porque, para sobreviver, é preciso entrar no crime organizado”. Cardozo ressalta ainda que a inimputabilidade penal até os 18 anos de idade “é um direito consagrado e uma cláusula pétrea da Constituição do Brasil”, que não pode ser alterada “nem mesmo” por uma emenda.

O assunto ganhou força depois que o jovem universitário de 19 anos Victor Hugo Deppman foi assassinado com um tiro na cabeça por um menor de idade durante um assalto em frente à  sua casa, na zona leste de São Paulo. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, passou a defender, via bancada do PSDB na Câmara, duas alterações no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA): aumentar as penas para menores que cometerem crimes graves e transferi-los de instituições de recuperação para penitenciárias quando completarem 18 anos.

A solução, na opinião do ministro da Justiça, é melhorar o sistema prisional. “Reduzir a maioridade penal significa negar a possibilidade de dar um tratamento melhor para um adolescente”, diz Cardozo. “Boa parte da violência no Brasil, hoje, tem a ver com essas organizações que comandam o crime de dentro dos presídios. Quem não quer perceber isso é alienado da realidade”, afirma. Segundo ele, trata-se de uma “política equivocada” que “trará efeitos colaterais gravíssimos”.