No Paraná, tucanos acusam Gleisi de aderir ao neoliberalismo e promover “privatização loura”

Com a ideia fixa de atingir a ministra Gleisi Hoffmann (PT), virtual adversária de Beto Richa (PSDB) em 2014, o líder do governo do Paraná, deputado Ademar Traiano (PSDB), atira no governo federal, a quem ele acusa de promover "privatização loura".

Com a ideia fixa de atingir a ministra Gleisi Hoffmann (PT), virtual adversária de Beto Richa (PSDB) em 2014, o líder do governo do Paraná, deputado Ademar Traiano (PSDB), atira no governo federal, a quem ele acusa de promover “privatização loura”.

A memória tucana é seletiva. Só recorda o que lhe interessa no momento. Esta semana veio à  tona que o governo de Beto Richa (PSDB) pretende privatizar os serviços de atendimento ao povo. Essas tarefas serão drenadas a empresas privadas pela bagatela de R$ 2,9 bilhões nesse projeto que batizaram de “terceirização”.

Não bastasse o governo tucano cobrar uma das tarifas de água mais cara do país para garantir dividendos a sócios privados da Sanepar, a estatal de saneamento, agora chega a informação que até as águas dos rios paranaenses serão privatizadas. Só a título de comparação, na Nova Zelândia a água é gratuita para todos — sem tarifa –, isto porque não se trata de um país socialista; pelo contrário, é monarquista.

Dito isto, estranhamente chega a minhas mãos artigo da lavra do líder de Richa na Assembleia Legislativa do Paraná, Ademar Traiano, que acusa a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, do PT, de promover uma “privatização loura” no país.

“A ministra Gleisi Hoffmann… está comandando a privatização das estradas, dos aeroportos e dos portos brasileiros”, acusa o tucano.

A seguir, leia a íntegra do artigo do deputado Traiano:

Privatização loura

por Ademar Traiano*

O PT é um partido com duas caras. Chegou ao poder em 2003 prometendo uma revolução ética na política e dez anos depois o Brasil assistiu estarrecido ao julgamento do mensalão – o maior escândalo de corrupção da história do país. Um tsunami de lama petista que ainda avança e ameaça atingir em cheio o ex-presidente Lula, o homem que sabia de menos.

E as surpresas do PT não acabaram. O partido, que ganhou três eleições presidenciais demonizando as privatizações, está tocando um enorme programa de privatização de estradas, aeroportos e portos. Um pacote que vai entregar a iniciativa privada 7,5 mil quilômetros de rodovias e 10 mil quilômetros de ferrovias, aeroportos e portos.

O cinismo do PT não tem limites. No Paraná os petistas vêm sistematicamente acusando o governador Beto Richa de tramar, de forma ardilosa, a privatização deste ou daquele bem público. Ora é o ensino, ora é a saúde, a Copel ou então a Sanepar. Só a má fé dos acusadores explica essa prática.

O PT acusa os outros, mas quem privatiza é o PT. A ministra Gleisi Hoffmann, que ao longo das duas campanhas que fez ao Senado e uma à  prefeitura de Curitiba, sempre fez eco à s acusações de que Beto Richa tramava privatizações, está comandando a privatização das estradas, dos aeroportos e dos portos brasileiros.

E na primeira leva de privatizações do setor portuário está justamente o porto paranaense de Paranaguá que deverá, através da Medida Provisória 595, passar ao controle federal e ter 25 áreas privatizadas. Ou seja, tudo o que o PT falava a respeito das privatizações não passava de uma manifestação cínica de oportunismo político.

à‰ importante destacar que não existe nada errado, em si, com a privatização. Quando o Estado não dispõe de recursos para tocar determinadas atividades econômicas, quando a iniciativa privada é mais eficiente para atender demandas da população, a iniciativa privada pode assumir ficando o Estado com o papel de regulador.

O que é errado e constitui estelionato político é um partido chegar ao poder levantando a bandeira da defesa do patrimônio público e uma vez lá passar a privatizar mudando apenas o nome do processo. Assim, como tratava a roubalheira do mensalão como um caso de “simples” caixa dois, o PT trata as privatizações que faz como um processo de “concessão”.

Para piorar as coisas, Paranaguá, Porto em que o PT se movimenta para privatizar, sofreu tratamento discriminatório por parte do governo federal nos últimos anos. Isso ocorreu apesar de o Estado contar, no governo Dilma, com um número inédito de ministros paranaenses (além de Gleisi, Paulo Bernardo, e Gilberto Carvalho). Ministros do PT que jogam juntos contra o Paraná.

Prova disso é que, apesar de maior e mais importante, Paranaguá recebeu menos recursos federais que portos de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Em 2012, os portos catarinenses (Imbituba, Itajaí e São Francisco do Sul), que movimentam juntos pouco mais da metade das cargas de Paranaguá, receberam quatro vezes mais recursos que o porto paranaense.

O porto de Rio Grande, no Rio Grande do Sul (Estado governado pelo PT), apesar de também ter uma movimentação de cargas muito inferior a Paranaguá, recebeu oito vezes mais dinheiro federal que o nosso Porto. Ou seja, antes de iniciar a privatização e de transferir do governo do Paraná para o governo federal o controle dos projetos de expansão dos portos (MP 595) o governo Dilma tratou de enfraquecer Paranaguá cortando recursos.

Gleisi Hoffmann acaba de voltar ao Brasil depois de fazer o circuito Nova York-Londres tentando vender o patrimônio público brasileiro, as estradas federais, os portos e aeroportos. Junto com os portos, Gleisi levou na bolsa, para tentar seduzir os investidores americanos e europeus, além dos portos do Brasil, os direitos trabalhistas dos portuários brasileiros. Ou seja, o Partido dos Trabalhadores além de enterrar em cova rasa suas bandeiras e supostas convicções anti-privatização também oferece de brinde ao capital internacional os direitos de trabalhadores portuários que sempre votaram no PT.

Gleisi, aquela que engrossava o coro histérico contra a venda de empresas públicas, é hoje o novo rosto do cinismo e da privatização petista.

* Ademar Traiano é líder do governo Beto Richa na Assembleia Legislativa do Paraná.

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