Contra calote do governo, professores convocam assembleia para deflagrar greve

Negociações entre educadores e o governo de Beto Richa, no Paraná, travaram e 120 mil trabalhadores da área deverão deflagrar greve a partir da quarta-feira (13). De uma coisa a presidente da APP-Sindicato, Marlei Fernandes, não pode ser acusada: de intransigência.

Negociações entre educadores e o governo de Beto Richa, no Paraná, travaram e 120 mil trabalhadores da área deverão deflagrar greve a partir da quarta-feira (13). De uma coisa a presidente da APP-Sindicato, Marlei Fernandes, não pode ser acusada: de intransigência.

De uma coisa os professores e funcionários de escolas do Paraná não podem ser acusados: de intransigência. Nunca na história deste estado a APP-Sindicato, que representa cerca de 120 mil educadores, tomou tanto cafezinho com o vice-governador e secretário da Educação, Flávio Arns (PSDB). Conversa para nada, frise-se, como relatam os mestres.

Ontem à  tarde, pela enésima vez, dirigentes da APP e do governo do Paraná foram à  mesa para mais uma rodada de negociações. Arns não quer cumprir a Lei Nacional do Piso, dentre outras coisas, que prevê 33% de hora-atividade.

O tucano havia se comprometido a levar a proposta da hora-atividade à  Assembleia Legislativa do Paraná, segundo relato dos professores, mas ainda não o fez. Promete cumprir até sexta-feira (8), véspera da assembleia da categoria que deverá confirmar a greve por tempo indeterminado a partir da próxima quarta-feira (13).

Arns fez contraproposta à  Lei do Piso. Ele fala em ceder 30% de hora-atividade, ou seja, a próxima distribuição de aula em julho contemplaria 14 aulas em sala (em vez das atuais 15) e seis como hora-atividade. Os dirigentes sindicais juram que não vão afrouxar o sutiã. Portanto, se cumprirem à  risca a deliberação da categoria, haverá greve.

O governo de Beto Richa (PSDB) vem dando olé! nos educadores paranaenses há dois anos. Sempre promete, mas não cumpre os acordos. Vide o caso da hora-atividade, motivo principal da greve a ser deflagrada semana que vem. Depois de enrolar a comunidade escolar durante todo o ano de 2012, prometeu cumprir a Lei do Piso no início deste 2013. Também não cumpriu…

Os diretores de escolas também foram vítimas do governo tucano. Ontem, dia 5, fez um ano que Richa e Arns prometeram (e não cumpriram) aplicar gratificação aos gestores das 2,5 mil escolas da rede pública — incluindo aí as conveniadas — (clique aqui para relembrar). Comeram frango e polenta, tiraram fotos em festa no restaurante Madalosso, em Curitiba, mas até agora ainda chupam os dedos.

Além da valorização profissional, a greve é pelo cumprimento da Lei Nacional do Piso dos Professores (LNP) que prevê a implantação de 33,3% de hora-atividade (período dentro da jornada de trabalho do professor para atividades extraclasse); aumento salarial de 7,12% para se alcançar o novo valor do piso; aprovação de adequações na carreira e reajuste de 8,59% para os funcionários de escolas; instituição de um novo modelo de atendimento à  saúde dos servidores.

Outra demanda diz respeito à  revisão e ao debate da matriz curricular do ensino fundamental, adotada no final do ano passado pelo governo sem a devida consulta aos educadores.

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