Professores estaduais cogitam boicotar os Jogos Escolares do Paraná

Imposição de matriz curricular, que restringe atividade de educação física dos alunos, pode levar professores ao boicote dos Jogos Escolares do Paraná (JEPs). A competição, que havia sido enterrada no governo Lerner, foi resgatada em 2003 na gestão de Requião. Será o fim dos JEPs, outra vez?

Imposição de matriz curricular, que restringe atividade de educação física dos alunos, pode levar professores ao boicote dos Jogos Escolares do Paraná (JEPs). A competição, que havia sido enterrada no governo Lerner, foi resgatada em 2003 na gestão de Requião. Será o fim dos JEPs, outra vez?

Voltando ao mundo real, onde as pesquisas do Ibope não alcançam, a crise na Educação do Paraná tende a se agravar ainda mais nos próximos dias. Não bastasse a greve que professores e educadores da rede pública estadual, programada para o dia 13 de março vindouro, agora os profissionais da Educação Física também planejam boicotar a realização dos Jogos Escolares do Paraná (JEPs).

A decisão pelo boicote ocorreu ontem (26), em Curitiba, durante reunião do coletivo da disciplina na sede da APP-Sindicato. O encontro discutiu, fundamentalmente, a perda de espaço sofrida pela disciplina por conta da nova matriz curricular imposta, pela Secretaria de Estado da Educação (Seed), à s escolas da rede estadual.

Entre a preparação da fase inicial dos jogos, dentro das escolas, à s fases regionais e a final, os JEPs envolvem cerca de 300 mil alunos de escolas públicas e privadas, com idade de 12 a 14 e 15 a 17 anos, dos 399 municípios, que disputam 15 modalidades esportivas.

O início das fases regionais dos JEPs está previsto para o dia 26 de abril e se estenderá até o dia 25 de maio. A fase macrorregional acontecerá de 5 a 9 de junho. As finais ocorrerão entre julho e agosto.

De acordo com o professor Hermes da Silva Leão, secretário estadual de Organização da APP, e também professor de Educação Física, a reunião do coletivo foi extremamente importante.

“Foi um debate bastante participativo, com representação das regionais do sindicato vindas de todo o estado. Muitos, inclusive, trouxeram um grande acúmulo para a reunião, pois já organizaram e realizaram debates sobre o tema em suas regiões”, explicou.

Segundo Hermes, o coletivo reforçou a necessidade da luta para recuperar o espaço curricular que a Educação Física perdeu após a nova matriz.

“E isto foi feito pela Secretaria sem dar o tempo necessário para a realização do debate nas escolas. Tudo de uma forma muito antidemocrática. O resultado é que a disciplina de Educação Física, apesar de outras também perderem espaço, foi a mais prejudicada pela matriz imposta pelo Estado”, relembrou.

“Então diante da desconsideração com o acúmulo e a contribuição importante da disciplina para o processo educacional, tiramos, na reunião, um indicativo de boicote ao JEP”, informou.

A definição, que já foi aprovada em algumas reuniões regionais realizadas pelo Estado, também será avaliada em outros encontros de coletivos regionais.

“Precisamos construir esse processo de dar uma resposta a esta violência com que a disciplina foi tratada neste último período. Por isto é muito importante que os professores e professoras que ainda não se reuniram, o façam o mais rapidamente possível em suas regiões. Nossa organização em torno das medidas que definimos nesses grupos é fundamental”, destacou Hermes.

Além do indicativo de boicote, o grupo também aprovou a redação de um documento – baseado em textos regionais produzidos pela categoria, bem como também por algumas universidades – destacando a questão da Educação Física na matriz curricular. O documento será apresentado no Conselho Estadual da APP, bem como na assembleia estadual da categoria que será realizada no dia 9 de março, em Curitiba.

“Este documento será redigido visando recuperar e reafirmar o espaço da disciplina, mas, também, com o propósito de ir além da questão corporativa. Um texto que dialogue com o conjunto da escola sobre o currículo”, disse.

Também será divulgado um abaixo-assinado, para, inclusive, registrar o apoio de toda a comunidade escolar, sobre a importância da Educação Física nas escolas, sobretudo no Ensino Fundamental. O secretário da APP informou que outros encontros e também um seminário será realizado este ano.

“Vamos continuar o debate da organização e retomada do coletivo de Educação Física, em especial onde os professores ainda não se organizaram”, afirmou.

Comentários encerrados.