Pessuti mordeu o cachorro

Pessuti e Requião romperam politicamente em abril de 2010, mas forças "ocultas" seriam capazes de reagrupá-los nas eleições de 2014 em torno de uma candidatura própria?

Pessuti e Requião romperam politicamente em abril de 2010, mas forças “ocultas” seriam capazes de reagrupá-los nas eleições de 2014 em torno de uma candidatura própria?

O ex-governador Orlando Pessuti, secretário-geral do PMDB do Paraná, tomou conta da cena política esta semana porque recusou o vistoso cargo de presidente da estatal Sanepar (Companhia de Saneamento do Paraná). Na prática, ele esnobou o convite do governador Beto Richa (PSDB).

A atitude de Pessuti ganha relevância e se torna notícia em um momento em que todos lutam por uma teta no erário. A recusa do ex-governador fez-me lembrar daquela velha máxima do jornalismo segunda qual se o cachorro mordesse o homem não seria notícia, mas se o homem mordesse o cachorro mereceria a manchete do jornal.

Ao recursar o cargo na Sanepar, objeto de desejo de muitos políticos, Pessuti mordeu o cachorro. Por isso merece as páginas políticas. Acredito que ele fez um gol de placa ao declinar do convite.

Pessuti deu “xeque-mate” na política do Paraná. Em 2014, ele poderá ser vice na chapa tanto da ministra petista Gleisi Hoffmann quanto na do tucano Beto Richa. Soube valorizar-se politicamente. Vai ser namorado por todos até à s vésperas das eleições.

Some-se a isso, o ex-governador é o fiel da balança dentro do PMDB que é dividido em três alas (a do próprio Pessuti, a do senador Requião e a dos deputados estaduais).

Para consumo externo, Orlando Pessuti diz que trabalha pela candidatura própria. Além dele mesmo, gosta de citar o adversário Requião (seria ameaça?).

Resumo da ópera: Pessuti fez jogada de mestre, para o lado que ele pender leva o PMDB.

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