Capitalismo sem riscos até eu quero (os brasileiros também)

Charge de Latuff.

Charge de Latuff.

As privatizações serão bancadas com recursos públicos. Ou seja, eu, você, nós brasileiros pagaremos a conta, mas o lucro será privado. Meia dúzia terá acesso a essa modalidade de capitalismo sem riscos. Assim, até eu quero.

O Tesouro Nacional vai bancar as concessões de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos. A modalidade de financiamento público para farra privada seguirá basicamente os mesmos passos da era FHC. Antes, no período tucano, o dinheiro era drenado via BNDES. Agora, sob a batuta de Dilma Rousseff, segundo reportagem de Valdo Cruz, da Folha de S. Paulo, a grana do erário será distribuída a bancos privados, a juros módicos, para pagar a privatização.

Nós, os cidadãos, inclusive os que não concordamos com a redução do Estado na economia, estamos garantindo o enriquecimento de alguns poucos espertalhões. Por que esses empresários não metem a mão no próprio bolso? Ora, pois, eles suportam o capitalismo com riscos!

Ontem mesmo, em entrevista na Rádio Banda B, em Curitiba, eu falava sobre isso (clique aqui para ouvir).

O sistema Telebrás (telefônicas) foi privatizado durante o governo do PSDB, a preço de bananas, com dinheiro público do BNDES. Hoje temos o pior serviço de telefonia do mundo e as tarifas mais caras do mundo. Quem lucrou e ainda lucra? Apenas as empresas privadas que monopolizam o mercado.

O modelo de concessões e privatizações que o governo federal pretende ressuscitar já foi derrotado nos anos 90. Será que se almeja uma marcha à  ré na história, rumo à s trevas proporcionadas pelo neoliberalismo econômico? Para isso só há um remédio: povo na rua.

Nesta sexta-feira (22), em todo o país, os portuários iniciam essa jornada. Todo apoio aos que lutam pela igualdade de oportunidades, inclusive de mercado. Afinal de contas, nós também queremos capitalismo sem riscos!

18 Comentários

Os comentários não representam a opinião do Blog do Esmael; a responsabilidade é do autor da mensagem, sujeito à legislação brasileira.

  1. Falou bem Esmael.
    Enquanto empresas brasileiras quebram, o governinho dá dinheiro a empresários milionários e estrangeiros para comprar tudo por aqui.
    E com risco ZERO.
    Hospitais e escolas na miséria enquanto estádios consomem milhões.
    Estádios para animais degladiarem.
    Eu acredito no Lulla quando ele se defende dizendo que não sabia de nada.
    Prova disso foi quando o seu amigo (hoje são amigos) Collor mostrou a filha que ele escondia, perdão, não sabia…

  2. Povo. Eu também sou contra a reeleição, mas quem a comprou? O Sr. FH, através do seu agente o Sr. Sérgio Mota. Comprando deputados deste Brasil afora. O valor envolvido superou em muito o atual mensalão. Foi o mensalão da época.

  3. CANALHAS É POR ISTO QUE SOU CONTRA A REELEIÇÃO!!!

  4. Estou começando a gostar do PT…

  5. Concordo com o antonio… privatizar certo onde precisa é necessário, errado é entregar algo pronto a preço de banana, como fizeram lá atras com a telebras e os pedágios no PR… Agora, se for pra conceder ferrovias por exemplo, já tá provado que o Estado nesse mercado não tem competência o que dirá eficiência para gerir.

  6. Não existe capital privado suficiente neste país para fazer as obras urgentes de infraestrutura. Bobagem pura.
    Quem tem dinheiro é o governo, que não tem competência.
    A solução se mostra óbvia: o governo empresta e a iniciativa privada executa. Vão ganhar dinheiro? vão, mas existe outra forma?
    Qualquer obrinha que o governo vai fazer, tem que ter licitação, que gera desvios e corrupção, com o produto final de péssima qualidade.
    Falar da privatização da telefonia, hoje, é desconhecer a situação anterior. Já imaginaram o governo comprando equipamentos, montando estrutura? Quanta roubalheira. E quem conhece a telefonia mundial sabe que a nossa não é inferior ao que se apresenta pelo mundo afora.

    • A maior oferta de telefones não se deve à “eficiência” da “iniciativa privada” e sim do avanço da tecnologia e o advento da fibra ótica

      Antes, para se levar 2.400 telefones a uma vila, tinha que puxar cabos da grossura de um pneu de caminhão; hoje com um cabo da espessura de um grafite de um lápis, se leva 500 telefones.

      E quando o FHC entregou a telefonia, a Telepar já tinha instalado fibras óticas por todo o Paraná, já estava sobrando telefones em várias centrais.

      A Tele Centro Sul/Brasil Telecom/Oi não construíram nenhuma central em Curitiba, encontraram tudo pronto.

      • Conversa fiada, na época da Telepar… Faltavam linhas, o preço era um absurdo, quem comprava uma linha tinha direito a ações e jamais puderam receber 1 centavo, fazer interurbanos era coisa de louco em gastar dinheiro. No Procon, existiam milhares de reclamações, qualquer serviço pedido demorava a ser disponibilizado e cancelar um serviço não tinha como, até cancelavam, mas cobravam por ele por vários meses depois de desativado.

        • Acho que vc tá falando da situação atual, a dificuldade em cancelar um serviço está acontecendo agora.

          No tempo da Telepar não havia reclamação em Procon.

          Quem modernizou as telecomunicações no Brasil foi o estado.

          A privada explorou o serviço de 1880 até 1962, foram 80 anos. Em 62 os telefones eram à manivela, para falar de Curitiba a São Paulo, a ligação era por linha física, eram fios que iam por postes beirando as estradas, a ligação tinha que passar por Sorocaba, onde telefonistas tinhas que enfiar uns plugs nuns buracos, interligando os fios que iam de Curitiba com os que seguiam para a capital paulista.

          Um assinante pedia a ligação, aí pegava um ônibus, ia a SP, resolvia o problema e voltava, dali uns dois dias, recebia uma ligação dizendo que era pra falar.

          Aí o estado encampou as empresas.

          Em 1973, 11 anos depois, o Paraná estava interligado por microondas em todas as localidades.

          No começo da década de 80, havia telefones sobrando, a Telepar alugava telefone por uma ORTN, aí se o assinante quisesse comprar a linha, o que ele pagou de aluguel entrava como parte do pagamento.

          Lá por 1982, com a inflação galopante, o governo começa a arrochar a tarifa no intuito de conter a inflação.

          O ministro Delfin Neto pegou o “fundo nacional de telecomunicações” (dinheiro que era contribuição dos próprios assinantes para se implantar mais telefones) e simplesmente colocou no tesouro nacional.

          Por imposição do FMI o governo passou a proibir de as empresas corrigirem as tarifas e proibiu também de as empresas investirem em expansão.

          Mesmo assim as empresas davam bilhões em lucros

        • Então, não era as empresas que atrapalhavam o governo, o governo é atrapalhava as empresas…

          Fruto de gente amiga da Globo, como Sarney, Collor, FHC…

          • trabalhava com telefonia, numa tercerizada, antes, durante, e apos a privatização. o sistema de telefonia estava sendo construindo, exigindo um grande investimento financeiro para ligar uma linha, instalação de postes, cabos, etc, não era facil e não era barato. mas o serviço era feito. bom vc pede uma linha, lembre-se não existia celular, muitas vezes a rede para chegar tinha que ser construida. o que aconteceu foi que quando fhc assumiu, o governo, com a intenção de privatizar, cortou os investimentos, as filas cresceram, não tinha fio, cabo, etc. ora como o povo ficou insastifeito, colocou a culpa nas empresas, e não nos administradores, cuja intenção era realmente essa, gerar insatisfação para poder vender mais facil. lembre-se que o presidente da telepar na epoca da privatização era o alvaro dias.

  7. ESMAEL. BEM VINDO AO NOSSO GRUPO NOVAMENTE.
    VOCE ANDOU MEIO PETISTA POR UNS TEMPOS. MASSSSS….., O BOM FILHO A CASA TORNA.

    ABRAÇO

    ROBERTO MELLO E SILVA

  8. Ótimas colocações.

    Todavia não creio que as nossas telecomunicações sejam as piores do mundo. Os preços, tarifas e atendimento são extremamente parecidos com os praticados na europa pela Vodaphone, Orange, etc… e Estados Unidos com a T-mobile, Verizon, etc…

    Até no Japão, pegando como exemplo a Softbank, o sistema é parecidíssimo. E digo mais, por lá tb tem queda de rede, internet que não funciona, funcionário reclamando do baixo salário…

    Quem morou fora sabe do que estou falando.

  9. José Andrade,
    Não querendo defender governo nenhum e nem político algum, mas quem privatizou o setor de telefonia não foi o PT meu caro. O serviço era precário e poucos tinham acesso, mas se fosse público e o preço fosse o praticado atualmente todos estariam reclamando do governo.

  10. BRAVO, BRAVÍSSIMO
    Pelo alguem leu as dezenas de comentários que fiz a respeito disto, de conceções, parceria publico-privada, privatização disfarçada com dinheiro público, do BNDs … e assim por diante. Mais do que crítica, eram observações, pra abrirmos os olhos… Mas ninguem levava a sério, nem o Luizão criticava, então pensava que nem lido era.

    Ao ler este texto, fiquei na dúvida e voltei ao “topo” pra certificar-me se a autoria não era de algum jornal da chamada velha mídia. Estranho, muito estranho o texto ser do próprio editor. . E aqui não estou sendo contra a privatização, mas contra a hipocrisia de cdriticar quem privatizou e disfarçadamente, fazer o mesmo, ou pior.

    Reconhecer e admitir a prática que adota o govenro lula/dilma é um passo importante, mesmo sendo contra. Mas bravo, bravíssimo!

  11. Esmael

    Veja no caso da telefonia.

    Veja quanto ganha um coitado que trabalha hoje nessas empresas, dê uma olhada na qualidade das instalações, veja os postes como estão entulhados de fios, fios pendurados, caixas, de onde saem os fios de telefone abertas.

    Instaladores que não sabem nem desenrolar os fios do rolo, fios que entram nos imóveiss todo errado, enfeiando as casas.

    Se a Dilma continuar assim, entregando tudo, enriquecendo “empresários” folgados e dando migalhas ao povo; nem os ex-petistas votarão nella em 2014…

    • José Andrade, seu comentário está brilhante.
      Pelo Código de Postura da cidade, que cobra muito dos pequenos empresários, a imundice que viraram os fios nos postes, seria severamente punida pela prefeitura. Dê uma olhada na rua José Hauer no Uberaba (próx da rotatória).
      Minha mãe ficou internada 4 dias no Hospital Cajurú e fiz três ligações do meu TIM. Uma para fixo e duas para celular de outra operadora. Eu tinha R$ 13,05 antes das ligações e, depois delas fiquei com R$ 1,85.
      Ladroagem.
      E os telefones públicos então ?
      Multaram a Oi mas ela não vai pagar. Vai recorrer e ganhar na Justiça.
      As Agências Reguladoras (Anatel, Anel, etc) são cabides de empregos para incompetentes. Não funcionam, não nos defendem (nós cidadãos), não agem na cobrança e na prevenção, etc…
      Já para sua colocação com referência a Dilma, torço para que ocorra.
      O povo que trabalha tem que entender que o PT traiu todos nós.
      O Fator Previdenciário é uma traição aos trabalhadores. Um dia, talvez quando mais precise, você vai entender.
      Sou ex-petista e não gosto dos canalhas do PSDB e DEM.