Câmara de Pontra Grossa abre CPI para apurar ‘falso sequestro’ de vereadora

por Loriane Comeli, via Folha de Londrina

''Espero uma CPI sem espetáculo'', disse a vereadora Ana Maria, durante discurso na sessão plenária.

”Espero uma CPI sem espetáculo”, disse a vereadora Ana Maria, durante discurso na sessão plenária.

Com galerias lotadas e sob críticas dos pares, a vereadora de Ponta Grossa Professora Ana Maria Branco de Holleben (PT) voltou ontem a negar, em discurso na Câmara Municipal, ter cometido crime por suposta comunicação de falso sequestro.

Em contrapartida, o Legislativo, atendendo requerimento de 22 dos 23 vereadores da cidade, instaurou na sessão de ontem uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigará eventual quebra de decoro parlamentar da petista.

Farão parte da CPI os vereadores George Oliveira (PMN), Sebastião Mainardes (DEM), Alysson Zampieri (PPS), Pietro Silva (PTB) e Antonio Laroca (PDT). Após a escolha do presidente, a comissão começará a investigar o caso.

Ana Maria, antes da formação da CPI, já pedia, em seu discurso, uma investigação ”sem espetáculo”. ”Espero uma CPI sem espetáculo. Chega de espetáculos. Chega de acusações vãs. Vou continuar de cabeça erguida”,

afirmou. ”Eu já fui julgada e condenada e sem o direito de defesa.”

A vereadora, que participou da solenidade de posse em 1!º de janeiro, desapareceu logo depois. Foi localizada somente no dia seguinte. Foi internada e, em seguida, presa. Colocada em liberdade em 9 de janeiro, ficou em uma clínica de recuperação até o dia 31 daquele mês.

Ela alega que sofre de depressão desde 2010 e que tomava medicamentos controlados. Admitiu que na festa de Révellion ingeriu bebida alcoólica, mas, teria tomado apenas meia dose do remédio, por orientação da médica.

A parlamentar voltou a repetir que saiu do teatro onde foi realizada a cerimônia de posse passando mal. Precisava tomar ar e ficou dando voltas com o motorista. Insistiu que não se recorda com detalhes do que aconteceu e tampouco onde passou aquela noite.

Em sua defesa, também disse que jamais comunicou ter sido sequestrada. ”Colocaram palavras na minha boca.” Ela mencionou ainda as ”causas pelas quais lutou”, seus oito anos como vereadora, quatro como secretária municipal de Cultura e seis à  frente da APP/Sindicato ”sem nunca ter tido o nome envolvido em corrupção”.

Ela também rebateu insinuações de que teria forjado o sequestro por dinheiro. ”Não existe isso. Se fosse dinheiro eu teria acumulado durante oito anos. Tem muita gente querendo fazer a população acreditar nisso. Não é verdade.”

Antes do discurso de Ana Maria, o vereador Laroca falou sobre a ”tortura da dúvida” e cobrou esclarecimentos para que a ”Casa possa tomar as providências necessárias”.

O vereador Pascoal Adura (PMDB) foi mais incisivo. ”Meu ouvido não está acostumado a ouvir balela”, disse, acrescentando que a colega ”falou, falou e não explicou nada”.

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