Desconto no Paraná para tarifa residencial de energia é de 18,12%

da Folha de Londrina

energia-eletrica2A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) divulgou ontem os percentuais de desconto das tarifas residenciais para cada concessionária, com a definição de 18,12% para as casas abastecidas pela Companhia Paranaense de Energia (Copel). As moradias se enquadram na categoria B1 (Baixa Tensão) e a mudança vale desde ontem. A Aneel divulga hoje de quanto deve ser a diminuição para outros quatro tipos de tensão, que atendem a indústria e o comércio. A mudança nos custos é estrutural e, portanto, permanente.

Segundo a Copel, a média de consumo em residências é de 170 kWh ao mês, o que representa um custo de R$ 81,60, segundo o simulador no site da companhia. A redução de 18,12% implicará em desconto de R$ 14,78 no valor médio da fatura. Porém, o consumidor tende a não sentir o impacto no bolso em um primeiro momento, já que a leitura da grande maioria das próximas contas de energia incluirá dias em que o preço que valia era o antigo. A previsão é que a diferença seja sentida na cobrança relativa a fevereiro, recebida em março.

Cada concessionária terá um desconto diferente, de acordo com encargos e subsídios. Em todo o País, a redução percentual mais significativa na categoria residencial é de 25,94% para nove cidades da região central do Rio Grande do Sul, atendidas pela Nova Palma Energia. O diretor de distribuição da Copel, Pedro Augusto do Nascimento Neto, explica que as diferenças se devem ainda à s datas de reajustes, que variam de mês a mês conforme a companhia, e ao volume de energia comprado pelo governo das empresas. “No nosso caso, (o mês de reajuste) é em junho, então esse desconto será sentido até lá”, diz, ao lembrar que em 2012 a avaliação da Aneel levou a uma retração no preço da tarifa da Copel de 0,8%.

O diretor diz que o abatimento no valor da fatura exigiu muito da companhia. “à‰ importante lembrar que houve um esforço enorme, orientado pelo governo, que gerou uma redução de receita na empresa”, conta. Anteriormente, a Copel anunciou que perdeu quase R$ 200 milhões em receita com a adesão à  renovação da concessão de transmissão de energia.

As ações das companhias de energia que aderiram ao plano do governo federal, que levou à  redução da tarifa, também despencaram na Bolsa de Valores, o que resultou em perdas para os acionistas. Nascimento Neto diz que esse impacto já foi absorvido pelo mercado. “Lógico que, quando se renovam as concessões como ocorreu, isso nos obriga a fazer trabalho de redução de custos para conter a perda de receita”, afirma. Ele nega, no entanto, que isso signifique corte de postos de trabalho. “Serão ajustes de processos e uso de novas tecnologias.”

Expectativa na indústria

O presidente da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Edson Campagnolo, diz que a redução da conta de energia elétrica tornará as indústrias paranaenses mais competitivas. “A diminuição do custo da energia pode estimular mais investimentos”, afirma. Ele destaca que os setores mais beneficiados serão os que consomem a energia em maior proporção, como o metal-mecânico, o de alimentos e o de plásticos. Campagnolo conta também que espera que a redução de custos obtida com a energia elétrica seja sentida pelo consumidor final.

Para o economista Roberto Zurcher, da Fiep, a medida deve fazer com que os empresários diminuam os investimentos em geração de energia por meios próprios para focar na produção. O diretor de pesquisa do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Julio Suzuki, lembra que essa redução deve servir ainda para conter um processo inflacionário no início deste ano. “Terá um impacto, mas não será suficiente para neutralizar o aumento esperado para os combustíveis”, diz. (Colaborou Andréa Bertoldi)

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