A última olimpíada filosófica nas escolas do Paraná?

Nesta terça-feira (20), o Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre o Ensino de Filosofia (NESEF), da Universidade Federal do Paraná (UFPR), promove a etapa final da II Olimpíada Filosófica do Ensino Médio do Paraná.

Se depender dos atuais gestores da Secretaria de Estado da Educação (SEED) esta será a última edição dessa saudável competição, pois, como você sabe, os sabichões juraram de morte essas disciplinas menos importantes! para ampliar o número de aulas de matemática e português. Também corre risco de morte a disciplina de sociologia, dentre outras sem importância! (amanhã eu volto ao tema da matriz escolar).

Os professores da UFPR argumentam que disciplinas como sociologia e filosofia tem uma articulação interdisciplinar com as demais disciplinas do currículo escolar, como por exemplo, Língua Portuguesa, Arte e Literatura.

Retorno à  vaca fria, ou seja, ao tema da Olimpíada Filosófica. Os trabalhos produzidos por professores e alunos das escolas públicas de diversas regiões do estado do Paraná evidenciam a importância da Filosofia na formação dos jovens e adolescentes do ensino médio.

Segundo a organização do evento, são trabalhos que fazem uso dos textos filosóficos, mas também das novas tecnologias educacionais do que se conhece hoje como Educomunicação! – Vídeo Escola, Rádio Escola, Jornal Escola, Vídeo Teatro e Vídeos Debate.

Os trabalhos fazem a discussão de temas da realidade dos alunos como problemas da Política, à‰tica, Mitos, Conhecimento, Estética, Ciência. Além das apresentações de trabalho por professores e alunos haverá também a oportunidade para discutir questões pertinentes à  Filosofia e seu Ensino. Estes conteúdos são fundamentais para a formação humana dos nossos alunos e especialmente para preparar-se para o ENEM e para a própria vida.

Entendemos que este é o papel da Universidade Pública, ao aliar,
Ensino, Pesquisa e Extensão num evento inédito no Estado do Paraná!, disse o Ademir Pinhelli Mendes, professor de Filosofia no ensino médio e superior e doutorando em Educação na UFPR.

12 Comentários

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  2. Esse aparente idealismo discutido pelo pessoal aí de cima é pura bobagem. Trata-se de luta por espaço e emprego.

    Todas as disciplinas “ensinam a pensar”, seus tolos!

    Até lavar a louça do almoço ensina a pensar. Ou não? Ou é só a filosofia ou a sociologia?

    • Concordo em tudo com o Jeremias.
      Pura disputa territorial.
      No colégio onde trabalho, sequer há profissionais formados e os alunos chamam as disciplinas de “matação” ou “aula livre”. A carga horária dessas disciplinas podem voltar a ser como eram antes, sem prejuizo algum.
      Quando o governo quer avaliar a educação, ainda que de forma questionável e duvidosa, como na Prova Brasil, por exemplo, são disciplinas de Português e de Matemática que constam nas provas. E nada holístico, e sim, questões técnicas que cobram conhecimento puro e simples da disciplina. Comecemos questionando as provas, as avaliações, e depois sim, o caráter holístico e interdisciplinar das disciplinas de filosofia e sociologia.

  3. Filosofia é necessária? Temos motivos para temê-la?

    por Monica Aiub
    Comecemos com Karl Jaspers que, em Introdução ao Pensamento Filosófico, apresentou várias oposições que surgem na relação entre mundo e filosofia.

    “Mas como se põe o mundo em relação com a filosofia? Há cátedras de filosofia nas universidades. Atualmente, representam uma posição embaraçosa. Por força da tradição, a filosofia é polidamente respeitada, mas, no fundo, objeto de desprezo. A opinião corrente é a de que a filosofia nada tem a dizer e carece de qualquer utilidade prática. É nomeada em público, mas ““ existirá realmente? Sua existência se prova, quando menos, pelas medidas de defesa a que dá lugar.

    A oposição se traduz em fórmulas como: a filosofia é demasiado complexa; não a compreendo; está além de meu alcance; não tenho vocação para ela; e, portanto, não me diz respeito. Ora, isso equivale a dizer: é inútil o interesse pelas questões fundamentais da vida; cabe abster-se de pensar no plano geral para mergulhar, através de trabalho consciencioso, num capítulo qualquer de atividade prática ou intelectual; quanto ao resto, bastará ter “opiniões” e contentar-se com elas.

    A polêmica torna-se encarniçada. Um instinto vital, ignorado de si mesmo, odeia a filosofia. Ela é perigosa. Se eu a compreendesse, teria de alterar a minha vida. Adquiriria outro estado de espírito, veria as coisas a uma claridade insólita, teria de rever meus juízos. Melhor é não pensar filosoficamente.”

    Um dos pontos geradores do “medo”, citado pela leitora, encontra-se na abordagem de Jaspers. A filosofia nos provoca a rever idéias, posicionamentos. Isso não implica, num primeiro momento, em negá-los, apenas questioná-los, avaliá-los. Mas é assustador, para algumas pessoas, colocar suas crenças em avaliação. Estamos, muitas vezes, tão fixados em nossas formas de vida, em nossas crenças, que o simples questionamento, o pensar na possibilidade de não termos motivos para aceitá-los como são, nos causa medo, nos apavora.

    Se considerássemos que o questionamento nos levará a avaliar nossas formas de vida, e que se forem, de fato, as melhores escolhas para nós, elas serão mantidas tal e qual se apresentam, não teríamos o que temer. Se considerássemos também que, caso descubramos que nossas formas de vida não são as melhores escolhas, teríamos a possibilidade de modificá-las, tornando nossas vidas melhores, esse seria um bom motivo para filosofar. E ainda, se lembrássemos que o fato de nossa escolha não ser a melhor não nos obriga a abandoná-la, isso seria acalentador para alguns. Para outros, mais assustador ainda, porque além de constatar que essa opção não é a melhor, constatariam ter a liberdade para escolher entre mantê-la ou modificá-la.

    Há ainda outro aspecto abordado por Jaspers, na seqüência do texto:

    Muitos políticos vêem facilitado seu nefasto trabalho pela ausência da filosofia. Massas e funcionários são mais fáceis de manipular quando não pensam, mas tão-somente usam de uma inteligência de rebanho. É preciso impedir que os homens se tornem sensatos. Mais vale, portanto, que a filosofia seja vista como algo entediante. Oxalá desaparecessem as cátedras de filosofia. Quanto mais vaidades se ensine, menos estarão os homens arriscados a se deixar tocar pela luz da filosofia.

    Antifilosofia

    Assim, a filosofia se vê rodeada de inimigos, a maioria dos quais não tem consciência dessa condição. A autocomplacência burguesa, os convencionalismos, o hábito de considerar o bem-estar material como razão suficiente de vida, o hábito de só apreciar a ciência em função de sua utilidade técnica, o ilimitado desejo de poder, a bonomia dos políticos, o fanatismo das ideologias, a aspiração a um nome literário ““ tudo isso proclama a antifilosofia. E os homens não o percebem porque não se dão conta do que estão fazendo. E permanecem inconscientes de que a antifilosofia é uma filosofia, embora pervertida, que se aprofundada, engendraria sua própria aniquilação.

    Não é à toa que em 1964, com o golpe militar, disciplinas como filosofia, sociologia e psicologia foram retiradas das escolas em nosso país e só retornaram, aos poucos e timidamente, a partir da abertura política, em 1985. Quando digo “timidamente”, refiro-me ao fato de somente agora, em junho de 2008, ter sido aprovada a lei que garante o retorno da filosofia e da sociologia como disciplinas obrigatórias no Ensino Médio.

    Muitas escolas já incluíram em seus currículos a disciplina filosofia, há até aquelas que já ampliaram a inclusão para o Ensino Fundamental, mas dada a não obrigatoriedade, muitas outras optaram por não tê-la na formação de seus estudantes. Hoje o quadro se reverte e a filosofia volta para as escolas.

    O medo da filosofia, no sentido proposto por Jaspers, seria agora o medo de uma população capaz de “pensar por si mesma”, capaz de refletir sobre seu processo social e de buscar caminhos para construir novas formas de vida.

    Para aqueles insatisfeitos com as formas presentes, uma reflexão bem-vinda. Para aqueles satisfeitos com as formas atuais, aqueles que se beneficiam com a estrutura vigente, um perigo, pois poderiam perder o poder que possuem. Assim, melhor colocar-se como inimigo da filosofia, não sem, contudo, estudá-la profundamente, para fazer uso de seus elementos de modo a manter-se no poder. Mas mais do que isso, é importante apresentá-la como algo complexo demais, desagradável, antipático, inútil e muitos outros adjetivos que distanciem as pessoas do filosofar.

    Filosofia in, elitização e banalização

    Também é importante lembrar aos leitores que a filosofia, no momento presente, está na moda, ela é incentivada. E esse é um ponto também destacado por Jaspers. Ele apresenta duas formas de destruirmos a filosofia: a elitização e a banalização.

    Elitizar e banalizar a filosofia – No primeiro caso a torna inviável e no segundo, inútil A elitização prega que a filosofia é complexa, difícil, inacessível. Um estudo para “eleitos”, que possuem uma “vocação natural” para esse tipo de saber. Dificultar ““ tanto com o uso de uma linguagem inacessível, quanto com restrições ao acesso ““ torna-se uma tarefa fácil e útil ao poder.

    O “filósofo”, ao deixar sua vaidade falar mais alto, poderá acreditar ser alguém diferenciado, um ser especial, e com isso tornar-se um propagador de uma antifilosofia.

    Por outro lado, a banalização é o movimento inverso. Tudo é filosofia. Minha filosofia de vida, filosofia de botequim. Perde-se, com essa postura, o rigor metodológico, a análise de contexto e a crítica, necessários ao filosofar. Se tudo é filosofia, então não é preciso uma postura investigativa, não é necessária a profundidade e, conseqüentemente, a filosofia perde seu papel.

    Talvez essas causas, apontadas por Jaspers, sejam alguns dos motivos que fazem a filosofia possuir essa “má fama”, talvez sejam razões que afastam algumas pessoas do filosofar. Contudo, a necessidade de pensar nossas formas de vida se faz, a cada dia, mais urgente. E com isso a filosofia se apresenta como um caminho. Mas qual filosofia?

    E agora encontramos outro aspecto a ser abordado. Poderíamos afirmar que para cada sistema filosófico encontramos uma diferente definição de filosofia. Algumas pessoas fixam-se de tal maneira a um sistema filosófico que passam a ver o mundo a partir dele, a responder tudo de acordo com ele e, com isso, deixam de filosofar para assumir uma postura dogmática, novamente, anti-filosófica.

    Um sistema filosófico é gerado a partir das necessidades e questões de uma época. Platão, por exemplo, construiu um sistema filosófico tendo por base o universo da Antiguidade Clássica, em Atenas. Muito do que foi proposto por ele dizia respeito apenas àquela sociedade. Se tomarmos os pensamentos expressos por ele como um caminho a ser trilhado, encontraremos elementos que poderão contribuir muito para as questões contemporâneas, mas também encontraremos elementos que não nos dizem respeito, ou elementos que não apenas seriam inúteis, como prejudiciais a nós.

    Diz Nietzsche que Platão foi um filósofo ao criar o conceito de Idéia, mas que fez uma coisa e nos disse para fazer outra: criou um conceito ““ e nesse sentido foi filósofo ““ e nos disse para que contemplássemos seu conceito. Segundo Nietzsche, o conceito platônico foi reluzido, lustrado, reproduzido por muitos séculos na História da Filosofia.

    Partindo dessa crítica nietzschiana, Deleuze e Guattari, em O que é a Filosofia?, apresentam como tarefa da filosofia tratar as questões que se colocam em nosso plano de realidade, conhecendo os elementos que o compõe, desconstruindo e construindo conceitos com esses e outros elementos, a fim de “responder” a tais questões e provocar um movimento, criando novos planos de realidade. Para quê? Para a construção do mundo no qual viveremos e que deixaremos como herança para as futuras gerações.

    Como você, leitor, vê a questão? Considerando as características do mundo no qual vivemos, a filosofia é necessária? Temos motivos para temê-la?

    Referências Bibliográficas:
    DELEUZE, G.; GUATTARI, F. O que é a Filosofia? Rio de Janeiro: Ed. 34, 1997.
    JASPERS, K. Introdução ao Pensamento Filosófico. São Paulo: Cultrix, 2006.
    NIETZSCHE, F. Para além de bem e mal. Col. Os Pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1974.

  4. A Filosofia também se conecta com a matemática!
    O campo da Lógica é fundamento do conhecimento matemático.

  5. “Corporativismo”; desarticulação da classe dos educadores; visão limitada do real quadro caótico da educação no estado do Paraná: Penso que tais fatores é que corroboram para essa tola “disputa” de disciplinas na matriz curricular. Enfrentamos uma das piores gestões da educação em nosso estado que comprovadamente desvaloriza a educação humanizadora, pensante, politizada, histórico-crítica, submetendo o ensino à estatísticas quantitativas e não qualitativas; tentando desmobilizar uma classe que, primeiramente deveria se reconhecer como classe, e no entanto, anulam-se em conflitos desnecessários e egoístas. Se conjuntamente “como classe” nos unissemos e de fato exigissemos uma competente administração da máquina pública, priorizando seriedade , investimentos na capacitação dos educadores, estruturação das escolas, e repensássemos a necessidade ou não de alguns conteúdos nas diversas disciplinas, que muitas vezes carecem de sentido, pois ninguém sabe explicar porque ensiná-los, com certeza teríamos possibilidades reais de avanço na educação, na formação de um verdadeiro cidadão preocupado com a polis, deixando de formar apenas mão-de-obra barata para a industria.

  6. Eu acredito que o ensino de filosofia nas escolas é totalmente indispensável se quisermos ter uma juventude que aprenda a pensar. É perfeitamente compatível ensinar filosofia juntamente com português. Aulas de interpretação de texto podem ser aplicadas concomitantemente à filosofia. A filosofia ensina a pensar e desperta o senso político. Relegar matérias como Filosofia e Sociologia a segundo plano, é querer ensinar apenas para o mercado de trabalho. O que nossos jovens precisam mesmo é aprender o sentido da vida e dar valor à essência do ser humano. E isso eles aprenderão estudando filosofia.

  7. É um grande erro pensar que tais disciplinas não tem importância, porém, dizer que “disciplinas como sociologia e filosofia tem uma articulação interdisciplinar com as demais disciplinas do currículo escolar, como por exemplo, Língua Portuguesa, Arte e Literatura” já é acreditar em papai noel e coelhinho da Páscoa, pois, não é o que acontece na prática.

    Tanto meus professores de Sociologia como os de Filosofia, estudei em colégio público, no então chamado segundo grau há 10 anos, eram “profissionais” formados em história, que não tinham noção nenhuma do que estavam lecionando.

    Melhor aumentar aulas de matemática e português, do que deixar a situação como estava quando eu passei pelo segundo grau.

    • Caro Marcelo Oliveira.
      Dizer que na prática não acontece a interdisciplinariedade é um erro grosseiro e um argumento tolo, que nada fala do que há na prática de fato. Parte de uma generalização apressada que perde de vista inúmeros casos em que isso dá certo no paraná.

      Quanto a realidade de que não são profissionais formados em filosofia que lecionam a disciplina, digo que este quadro ha muito vem mudando.

      Além disso, mesmo que os dois “argumentos” seus fossem verdadeiros (tentando acreditar que eles sejam argumentos) nada disso justifica a adoção de mais aulas de matemática e portugues em detrimento das outras. Imaginar que a implantaçao de uma nova disciplina requer tudo “redondo” é desconhecer a propria estrutura da educaçao e suas possiblidades. Há inúmeros resultados positivos da filosofia no ensino médio, assim como há uma boa aceitaçao por parte dos alunos e dos demais professores.

      • Da mesma forma, dizer que na prática acontece a interdisciplinariedade é um erro grosseiro e um argumento tolo, que nada fala do que há na prática de fato. Parte de uma generalização apressada que perde de vista inúmeros casos em que isso dá ERRADO, no paraná, e PRECISA sim ser repensado se vale a pena ainda ter tais matérias sendo lecionadas porcamente por profissionais despreparados e que nada vem a acrescentar à sociedade.

        Porém, se é como você disse, que o quadro vem mudando e atualmente são profissionais de filosofia que estão a dar aulas de filosofia, espero que assim esteja acontecendo com sociologia também.

        E que essa, tão falada, interdisciplinariedade, também esteja presente, eu acho muito proveitoso e importante para os alunos e consequentemente para a sociedade sim.

        Do contrário, se ainda acontece como aconteceu outrora, muito mais proveito terão os alunos ao receberem uma maior carga horária de português e matemática, lecionadas por profissionais, talvez por profissionais não tão bons mas ainda assim formados na área em que lecionam e a consequente diminuição das duas matérias acima citadas, com certeza, esta seria uma melhor realidade.

        O que não pode, é querer enfiar “trocentas” matérias na grade e acreditar que tudo tem o mesmo peso, deixar de concentrar-se no que realmente é importante e esquecer da qualidade.

        • Só um comentário, se o aluno chegar ao ensino fundamental sem saber ler e escrever, e quando sabe ler, le péssimamente, no ensino médio ele será atropelado, então, a culpa não é das matérias e sim lá na Educação Básica de 1º a 5º ano, pois muitas crianças chegam sem a minima condição, ai nem se aumentar para 10 aulas de portugues esse erro será corrigido…

    • Esse quadro onde professores sem especialização alguma na área de Filosofia e Sociologia lecionam, vem sim mudando pra melhor de 10 anos pra cá.
      E mesmo que não mude, é essencial que tenha aulas destas matérias, pois estudar Matemática e Português cada vez mais pra quê? Para os alunos passarem em um vestibular concorrido e futuramente ter um ”boa”$$$ profissão?