TJ determina prisão do prefeito de Londrina, mas não de Barbosa Neto

por Fábio Silveira, via Gazeta do Povo

Prefeito de Londrina, José Joaquim Ribeiro. Gilberto Abelha /Jornal de Londrina.

O desembargador José Maurício Pinto de Almeida, da 2.!ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ), decretou ontem a prisão preventiva do prefeito de Londrina, José Joaquim Ribeiro (sem partido). O desembargador entendeu que ele, como prefeito, pode atrapalhar as investigações de corrupção na prefeitura. A prisão do prefeito foi pedida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), braço do Ministério Público Estadual (MP).

Ribeiro admitiu ter recebido propina de R$ 50 mil paga por empresários responsáveis pelo fornecimento de kits escolares para a prefeitura. Ele está licenciado do cargo há uma semana para fazer tratamento de saúde. Até o fechamento da edição, não havia informações se Ribeiro estaria preso ou não. A reportagem apurou que ele estaria em Camboriú, no litoral de Santa Catarina.

O Gaeco ainda havia pedido a prisão de outros investigados pelo caso da propina na educação municipal, incluindo o ex-prefeito Barbosa Neto (PDT), cassado pela Câmara Municipal há pouco mais de um mês. Mas o TJ não acatou a solicitação. Também foram beneficiados pela negativa da prisão os ex-secretários municipais Marco Cito e Lindomar dos Santos e o empresário Marcos Ramos.

O MP investiga um grupo de 17 pessoas pelo superfaturamento da compra de kits escolares entre 2010 e 2011. Segundo o Gaeco, o grupo teria recebido propina total de R$ 540 mil e provocado um prejuízo de R$ 3,7 milhões aos cofres públicos num contrato de 7,5 milhões para aquisição de material escolar.

Situação inusitada!

No caso do prefeito, o pedido de prisão foi acatado porque o desembargador entendeu que os autos bem demonstram que ele [Ribeiro] está causando uma inegável intranquilidade social, uma vez que confessou, inclusivamente em entrevista à  imprensa, ter participado de alguns dos crimes mencionados na denúncia!.

Almeida classificou essa situação como inusitada! e lembrou que o prefeito permanece no comando absoluto da administração pública, com acesso pleno a documentos que possam ser imprescindíveis à s investigações ou mesmo ao processo-crime!. O magistrado também levou em conta o fato de o prefeito não ser encontrado sequer para ser intimado a prestar esclarecimentos de sua conduta ilícita à  Câmara Municipal!. A Câmara abriu uma investigação e teve de notificar Ribeiro a se defender por meio de um edital publicado no jornal Folha de Londrina.

Almeida também afirmou que, ao convidar o filho da ex-secretária de Educação Karin Sabec para um cargo na administração municipal, Ribeiro se utiliza do cargo para atenuar sua situação! e para agradar uma importante testemunha e denunciada!. Todos esses fatos, segundo o desembargador, justificam a prisão preventiva do prefeito, pois a permanência dele no cargo poderia prejudicar o andamento das investigações.

Sem interferência

Com relação aos outros denunciados, o magistrado entendeu não existirem motivos para que eles sejam presos. Tudo que sobre eles se alegou pelo Ministério Público se situa no campo das presunções!, disse o desembargador.

Um dos argumentos citados pelo MP para justificar a prisão de Barbosa foram manifestações dos seus aliados contra o Gaeco. Logicamente que o ex-prefeito Barbosa Neto e seu partido (PDT) não têm simpatia pelo órgão que muito tem contribuído, no Paraná, no combate à  corrupção!, escreve Almeida, para depois completar: Mas tornar essa insatisfação como intimidação seria exagero, como a prisão por esse motivo!.

No caso de Barbosa e de outros denunciados, o entendimento é de que, apesar dos indícios contra eles, a possibilidade de eles intervirem nas investigações é pequena.

3 Comentários

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  1. SUPOSIÇÕES POLÍTICAS

    “Uma quadrilha composta por 19 pessoas e SUPOSTAMENTE chefiada pelo ex-prefeito de Londrina Barbosa Neto (PDT)”. Assim abre a reportagem tenedenciosa da Folha de Londrina baseada nas SUPOSIÇÕES do ‘Deus Gaeco’ que não dá trégua ao pedetista embora nada tenha provado contra ele após meses de investigações, anunciando em manchete que “Barbosa foi incluído como principal beneficiado de SUPOSTO esquema de corrupção”.

    Observa-se como as SUPOSIÇÕES se mostram na introdução da notícia para só depois anunciar, forma acanhada, o pedido de prisão preventiva contra Barbosa esperando com isto tirá-lo da disputa em Londrina, isto porque ele fez mandato implacável contra corruptos e corruptores e pode voltar nos braços do povo. “Barbosa, que TERIA cometido corrupção passiva por seis vezes, peculato em duas ocasiões, fraude à licitação por três vezes e lavagem de dinheiro por cinco vezes, SE CONDENADO, PEGARIA pena mínima de 43 anos e a pena máxima poderia chegar a 186 anos”, afirmam em esdrúxulas ilações como outras tantas que fizeram sem nada provar levando à cassação um dos melhores prefeitos de todos os tempos.

    Em meio a tanta SUPOSIÇÃO maldosa contra Barbosa Neto não custa registrar uma bela especulação que TERIA ocorrido há pouco tempo: o coordenador do Gaeco, Leonir Batisti (autor do livro “Presunção de Inocência”), foi SUPOSTAMENTE sondado para integrar a chapa de Luciano Ducci mas NÃO TERIA aceitado temendo que opositores explorassem no horário eleitoral a omissão do órgão em apurar denúncia contra a Prefeitura da capital por realizar contratos na ordem de R$ 600 milhões sem licitação… (além da extensa reportagem da revista Veja falando que o prefeito de Curitiba aumentou seu patrimônio de R$ 1 milhão para R$ 30 milhões nos últimos quatro anos, e nada de Gaeco pra cima dele).

  2. TP Paraná aplica Penicilina G Cristalina no PSC do Paraná.

  3. Parabéns ao TJ pela imparcialidade nesse caso!