Governador Beto Richa diz que ação da PF na Sanepar foi ‘policialesca’

por Estelita Hass Carazzai, via Folha.com

Beto Richa (PSDB).
O governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), saiu nesta sexta-feira (21) em defesa da estatal de saneamento do Paraná, a Sanepar, acusada pela Polícia Federal de ser “uma empresa de fachada” em relação ao tratamento de esgoto.

A PF desencadeou nesta quinta-feira (20) uma operação para investigar os níveis de poluição do rio Iguaçu, o maior do Paraná, e acusou a Sanepar de ser “a maior poluidora dos rios do Estado”.

Segundo a PF, há ligações clandestinas nas estações de tratamento da Sanepar e falta de tratamento do esgoto. A polícia fez 430 coletas de água no rio Iguaçu ao longo dos últimos três anos e concluiu que a Sanepar lançou “material sem qualquer tratamento” nos rios do Estado. A empresa nega todas as acusações.

“A Sanepar é reconhecidamente a melhor empresa de saneamento do Brasil”, disse Richa, em entrevista coletiva à  imprensa. “[A PF] mostrou imagens fortes, de sofás, garrafas, objetos no rio, sugerindo que a Sanepar foi quem jogou isso. A Sanepar nem lida com esses objetos, muito menos tem a obrigação e a atribuição de coletar esses objetos.”

MOTIVAà‡àƒO POLàTICA

O governador disse que a operação foi “policialesca” e também levantou a possibilidade de a ação ter motivação política, já que ocorre à s vésperas da eleição.

“Eu estranho que uma operação da Polícia Federal, que está em curso desde 2009, aconteça nesse momento”, disse Richa. “Acho muito curioso e tenho todo o direito, pela forma como foi deflagrada essa operação, de poder imaginar que houve outros objetivos que não investigar como está sendo feito o saneamento no Estado.”

O presidente da Sanepar (hoje licenciado), Fernando Ghignone, é coordenador da campanha do prefeito de Curitiba, Luciano Ducci (PSB) –que é apoiado por Beto Richa.

Questionado se a operação poderia ter como objetivo atingir Ghignone, Richa respondeu: “Da forma como se deu, tudo é possível”.

A PF informou, via assessoria de imprensa, que não iria comentar as acusações de cunho político.

PRISà•ES

No total, 30 pessoas da cúpula da Sanepar, incluindo os atuais dirigentes, foram indiciadas nesta quinta sob suspeita de crime ambiental e estelionato, já que a empresa cobrou por um serviço que, segundo a PF, não foi prestado.

Ainda nesta quinta, durante a operação, outras sete pessoas foram presas em flagrante por despejar, com caminhões, resíduos de fossas no rio Belém, em Curitiba. Uma delas era funcionário da Sanepar. Segundo a PF, ele supervisionava o trabalho.

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