Paraná tem 18 candidatos únicos

* Doze delas unem legendas conceitualmente rivais

por Fernando Castro, do G1 PR

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A disputa eleitoral em municípios de pequeno porte não costuma seguir necessariamente as diretrizes partidárias nacionais e estaduais. Em cidades que apresentam apenas uma candidatura esta tendência se mostra acentuada, na medida em que partidos historicamente adversários se apresentam coligados. No Paraná, das 18 coligações em torno de apenas um nome, 12 delas unem legendas conceitualmente rivais.

Essa união peculiar expõe a fragilidade dos partidos em âmbitos municipais, de acordo com a análise do cientista político Ricardo Oliveira, da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Ele critica a falta de enraizamento! das legendas, que leva à  personalização da política. O pequeno município quer ficar bem com o poder. Vai apoiar o governador, o presidente, são sempre situacionistas!, analisa. No caso específico do Paraná, onde o partido do governador Beto Richa (PSDB) é oposto ao da presidente Dilma Rousseff (PT), as miscelâneas partidárias nas pequenas cidades são veladamente liberadas.

Nestes locais, é comum observar PT, DEM e PSDB sob a mesma cabeça de chapa!, sem que isso cause necessariamente um estranhamento político e eleitoral. Pelo menos é o que garante o prefeito de Rancho Alegre d’Oeste, Valdinei Peloi (DEM), cuja vice, Suely Silva pertence ao PT. Em lugar pequeno nunca fala em partido, e sim em grupo politico!, justificou o chefe do Executivo, que tentará a reeleição em outubro.

O município comandado por Peloi, aliás, é um exemplo nítido do que o analista Ricardo Oliveira chama de salada política!. Entre 1997 e 2004, ele foi prefeito do município quando ainda integrava o PSDB. Nas eleições de 2004 ele apoiou o antigo vice, Aristeu, do mesmo partido. Houve então um rompimento entre os grupos políticos!. Pelo DEM, Peloi enfrentou o antigo aliado nas urnas em 2008, o derrotando com apoio da nova vice – petista.

Já em 2012, antes que um novo embate eleitoral se desenhasse, o prefeito tratou de aparar as arestas. Achamos por bem conversar, todo mundo conversou, dialogou, e decidiu manter o mesmo grupo que estava administrando!, explicou. Ele ressalta que nas cidades pequenas as eleições são planejadas ano a ano, sem comprometimento necessário com futuros pleitos. Nós só planejamos o futuro do município. O importante é pensar na eleição de agora!, justificou.

Essa visão não é compartilhada pelo cientista político, que crê no debate eleitoral uma ferramenta importante. Tendo uma candidatura da oposição você vai ter mais fiscalização. A candidatura única diminui a fiscalização, porque muitas vezes não existem vereadores de oposição, o que enfraquece essa importante atividade que é a oposição legislativa!, criticou Oliveira.

A análise do cientista encontra fundamento se observada a composição da Câmara de Vereadores do município. Quando houve enfrentamento nas urnas em 2008, cinco dos nove parlamentares eleitos eram da base de apoio do prefeito eleito, para quatro do adversário. No cenário de 2012, além dos nove atuais vereadores, todos os candidatos ao Legislativo pertencem à  coligação União Pela Paz e Progresso de Rancho Alegre d”Oeste-PR!, formada por DEM, PT, PSDB, PP, PDT, PMDB, PPS e PSD.

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