Dilma Rousseff revela detalhes do sofrimento vivido nos porões da ditadura

por Sandra Kiefer, via Correio Braziliense

"Me deram um soco e o dente deslocou-se e apodreceu", conta Dilma Rousseff.

A presidente Dilma Vana Rousseff foi torturada nos porões da ditadura em Juiz de Fora, Zona da Mata mineira, e não apenas em São Paulo e no Rio de Janeiro, como se pensava até agora. Em Minas, ela foi colocada no pau de arara, apanhou de palmatória, levou choques e socos que causaram problemas graves na sua arcada dentária. à‰ o que revelam documentos obtidos com exclusividade pelo Estado de Minas , que até então mofavam na última sala do Conselho dos Direitos Humanos de Minas Gerais (Conedh-MG). As instalações do conselho ocupam o quinto andar do Edifício Maletta, no Centro de Belo Horizonte. Um tanto decadente, sujeito a incêndios e infiltrações, o velho Maletta foi reduto da militância estudantil nas décadas de 1960 e 70.

Perdido entre caixas-arquivo de papelão, empilhadas até o teto, repousa o depoimento pessoal de Dilma, o único que mereceu uma cópia xerox entre os mais de 700 processos de presos políticos mineiros analisados pelo Conedh-MG. Pela primeira vez na história, vem à  tona o testemunho de Dilma relatando todo o sofrimento vivido em Minas na pele da militante política de codinomes Estela, Stela, Vanda, Luíza, Mariza e também Ana (menos conhecido, que ressurge neste processo mineiro). Ela contava então com 22 anos e militava no setor estudantil do Comando de Libertação Nacional (Colina), que mais tarde se fundiria com a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), dando origem à  VAR-Palmares.

As terríveis sessões de tortura enfrentadas pela então jovem estudante subversiva já foram ditas e repisadas ao longo dos últimos anos, mas os relatos sempre se referiam ao eixo Rio-São Paulo, envolvendo a Operação Bandeirantes, a temida Oban de São Paulo, e a cargeragem na capital fluminense. Já o episódio da tortura sofrida por Dilma em Minas, onde, segundo ela própria, exerceu 90% de sua militância durante a ditadura, tinha ficado no esquecimento. Até agora.

Com a palavra, a presidente: Algumas características da tortura. No início, não tinha rotina. Não se distinguia se era dia ou noite. Geralmente, o básico era o choque!. Ela continua: (…) se o interrogatório é de longa duração, com interrogador experiente, ele te bota no pau de arara alguns momentos e depois leva para o choque, uma dor que não deixa rastro, só te mina. Muitas vezes usava palmatória; usaram em mim muita palmatória. Em São Paulo, usaram pouco este “método”!.

Bilhetes

Dilma foi transferida em janeiro de 1972 para Juiz de Fora, ficando presa possivelmente no quartel da Polícia do Exército, a 4!ª Companhia da PE. Nesse ponto do depoimento, falham as memórias do cárcere de Dilma e ela crava apenas não ter sido levada ao Departamento de Ordem e Política Social (Dops) de BH. Como já era presa antiga, a militante deveria ter ido a Juiz de Fora somente para ser ouvida pela auditoria da 4!ª Circunscrição Judiciária Militar (CJM). Dilma pensou que, como havia ocorrido das outras vezes, estava vindo de São Paulo a Minas para a nova fase do julgamento no processo mineiro. Chegando a Juiz de Fora, porém, ela afirma ter sido novamente torturada e submetida a péssimas condições carcerárias, possivelmente por dois meses.

Nesse período, foi mantida na clandestinidade e jogada em uma cela, onde permaneceu na maior parte do tempo sozinha e em outra na companhia de uma única presa, Terezinha, de identidade desconhecida. Dilma voltou a apanhar dos agentes da repressão em Minas porque havia a suspeita de que Estela teria organizado, no fim de 1969, um plano para dar fuga a à‚ngelo Pezzuti, ex-companheiro da organização Colina, que havia sido preso na ex-Colônia Magalhães Pinto, hoje Penitenciária de Neves. Os militares haviam conseguido interceptar bilhetinhos trocados entre Estela (Stela nos bilhetes, codinome de Dilma) e Cabral (à‚ngelo), contendo inclusive o croqui do mapa do presídio, desenhado à  mão.

Seja por discrição ou por precaução, Dilma sempre evitou falar sobre a tortura. Não consta o depoimento dela nos arquivos do grupo Tortura Nunca Mais, nem no livro Mulheres que foram à  luta armada, de Luiz Maklouf, de 1998. Só mais tarde, em 2003, ele conseguiria que Dilma contasse detalhes sobre a tortura que sofrera nas prisões do Rio e de São Paulo. Em 2005, trechos da entrevista foram publicados. Naquela época, a então ministra acabava de ser indicada para ocupar a Casa Civil.

O relato pessoal de Dilma, que agora se torna público, é anterior a isso. Data de 25 de outubro de 2001, quando ela ainda era secretária das Minas e Energia no Rio Grande do Sul, filiada ao PDT e nem sonhava em ocupar a cadeira da Presidência da República. Diante do jovem filósofo Robson Sávio, que atuava na coordenação da Comissão Estadual de Indenização à s Vítimas de Tortura (Ceivt) do Conedh-MG, sem remuneração, Dilma revelou pormenores das sessões de humilhação sofridas em Minas. O estresse é feroz, inimaginável. Descobri, pela primeira vez, que estava sozinha. Encarei a morte e a solidão. Lembro-me do medo quando minha pele tremeu. Tem um lado que marca a gente pelo resto da vida!, disse.

Humilde

Apesar de ser ainda apenas a secretária das Minas e Energia, a postura de Dilma impressionou Robson: A secretária tinha fama de durona. Ela já chegou ao corredor com um jeito impositivo, firme, muito decidida. à€ medida que foi contando os fatos no seu depoimento, ela foi se emocionando. Nós interrompemos o depoimento e ela deixou a sala com uma postura diferente em relação ao momento em que entrou. Saiu cabisbaixa!, conta ele, que teve três dias de prazo para colher sete depoimentos na capital gaúcha. Na avaliação de Robson, Dilma teve uma postura humilde para a época ao concordar em prestar depoimento perante a comissão. Com ou sem o depoimento dela, a comissão iria aprovar a indenização de qualquer jeito, porque já tinha provas suficientes. Mas a gente insistia em colher os testemunhos, pois tinha a noção de estar fazendo algo histórico!, afirma o filósofo.

Nem os amigos sabiam da tortura sofrida por Dilma em Minas Gerais

O depoimento de Dilma Rousseff é parte do processo aberto em março de 2001 no Conselho dos Direitos Humanos de Minas Gerais (Conedh-MG), criado por determinação do então governador Itamar Franco para indenizar presos políticos mineiros. O nome de Dilma foi o 12!º da primeira leva de 53 militantes a receber R$ 30 mil a título de reparação por torturas impostas por agentes do Estado. Na documentação, consta que o valor foi depositado na conta de Dilma em março de 2002, exatos 10 anos e dois meses antes da instalação da Comissão Nacional da Verdade. Recentemente, ainda foi paga a indenização pelo Conedh do Rio de Janeiro, reivindicada em 2004. A presidente divulgou que vai doar a importância de R$ 20 mil ao Tortura Nunca Mais.

O promotor de Justiça de Juiz de Fora (MG), Antônio Aurélio Silva, foi o relator do processo de Dilma por Minas. Avesso a entrevistas, diz apenas que o processo correu à  revelia da presidente, que inicialmente resistiu a entrar com pedido de reparação por ter sofrido tortura. Sua inscrição foi feita sob pressão de representantes mineiros do grupo Tortura Nunca Mais. Eles conseguiram colher a assinatura da mãe dela, Dilma Jane. No primeiro momento, Dilma foi contra, mas depois entendeu a importância histórica do ato e acabou colaborando no processo!, afirma.

Até então, o episódio da tortura de Dilma em Minas permanecia desconhecido entre os próprios militantes estudantis de esquerda de Belo Horizonte, acusados de subversão na época da ditadura. Não sabia que ela tinha sido torturada em Juiz de Fora!, surpreende-se Gilberto Vasconcelos, o Ivo, presidente do Diretório Acadêmico da Faculdade de Direito de Uberaba e principal contato da organização Colina na cidade. Em janeiro de 1972, Gilberto foi transferido de São Paulo para Juiz de Fora com Dilma, dentro do mesmo camburão. Não posso testemunhar sobre a tortura de Dilma em Juiz de Fora, porque, chegando lá, fomos separados e não tive mais contato com ela. Só voltaria a vê-la no dia do julgamento!, completa.

Aquele abraço

Gilberto é conterrâneo de Dilma. Na época, ela tinha 22 anos e ele, 23. Ambos militavam no setor estudantil da organização de luta armada Colina, batizada em homenagem à s montanhas de Minas. Mais tarde, na clandestinidade, os dois se tornariam amigos de Carlos Alberto Soares de Freitas, o Beto, de codinome Breno, que chegaria a ser dirigente nacional da VAR-Palmares. Não há melhor lugar para se esconder do que na praia. Ficávamos eu, ela e o Beto sentados na praia, cantando as músicas da revolução. Um dia, chegou o Beto cantando Aquele abraço, do Gilberto Gil, que eu nunca tinha ouvido. Dilma cantou junto. Ela gostava de cantar e isso nos unia além das convicções ideológicas!, lembra.

Em fevereiro de 1971, Beto seria morto em combate, assassinado com três tiros na Casa da Morte de Petrópolis, no Rio, segundo consta no livro A vida quer é coragem, lançado em janeiro por Ricardo Amaral, ex-assessor de imprensa de Dilma, que trabalhou em Belo Horizonte como repórter do antigo Diário do Comércio. Em homenagem ao amigo de lutas, Gilberto batizou seus filhos como Beto e Breno.

Duas perguntas para//Gilberto Vasconcelos

Como foi sua passagem por São Paulo?

Eu já estava no presídio Tiradentes. Uns seis meses depois, chegou o Max, codinome do Carlos Franklin Paixão Araújo, pai da filha de Dilma. Nós ficamos presos na mesma cela, no mesmo beliche durante um ano e meio. O Max se comunicava com ela através de bilhetinhos escritos com caneta Bic de ponta fina e enrolados no durex, escondidos na obturação do dente. O dentista era um preso político e fazia a troca dos papeizinhos entre a ala feminina e a masculina. Ele era apaixonado pela Dilma e os dois se gostavam mesmo.

E quanto à  jovem militante Dilma?

Não estou cometendo nenhuma inconfidência, pois os dois são grandes amigos até hoje, isso é notório. Max sempre foi um cara extraordinário, de raciocínio rápido. Engraçado como as pessoas mudam pouco com o tempo. Estive com Max no casamento da Paula (filha de Dilma), em Porto Alegre, e ele continua do mesmo jeito. Dilma também. Ela estava cercada de amigos e me tirou para dançar na festa. Apesar de ter uma imagem que não reflete isso, é uma pessoa sensível, carinhosa, afável e uma das pessoas mais generosas que conheço. Muito antes de ela se tornar ministra, de ser presidente, sempre disse isso.

“Me deram um soco e o dente deslocou-se e apodreceu”, conta Dilma Rousseff

Dilma chorou. Essa é uma das lembranças mais vivas na memória do filósofo Robson Sávio, que, ao lado de uma outra voluntária do Conselho de Direitos Humanos de Minas Gerais (Conedh-MG), foi ao Rio Grande do Sul coletar o testemunho da então secretária de Minas e Energia daquele estado sobre a tortura que sofrera nos anos de chumbo. Com fama de durona, moradora do Bairro da Tristeza, Dilma tirou a máscara e voltou a ter 22 anos de idade. Revelou, em primeira mão, que as torturas físicas em Juiz de Fora foram acrescidas de ameaças de dano físico deformador: Geralmente me ameaçavam de ferimentos na face!.

Não eram somente ameaças. Segundo fez constar no depoimento pessoal, Dilma revelou, pela primeira vez, ter levado socos no maxilar, que podem explicar o motivo de a presidente ter os dentes levemente projetados para fora. Minha arcada girou para outro lado, me causando problemas até hoje, problemas no osso do suporte do dente. Me deram um soco e o dente se deslocou e apodreceu!, disse. Para passar a dor de dente, ela tomava Novalgina em gotas, de vez em quando, na prisão. Só mais tarde, quando voltei para São Paulo, o Albernaz (o implacável capitão Alberto Albernaz, do DOI-Codi de São Paulo) completou o serviço com um soco, arrancando o dente!, completou.

Mais tarde, durante a campanha presidencial, em 2009, Dilma faria pelo menos três correções de ordem estética para se candidatar, que incluíram uma plástica facial, a troca dos óculos por lentes de contato e a chance de, finalmente, realinhar a arcada dentária. Na mesma época, Dilma combateu e venceu um câncer no sistema linfático. Guerreira, a presidente suavizou as marcas deixadas pelo passado na pele. Não tocou, porém, nas marcas impressas na alma. As marcas da tortura sou eu. Fazem parte de mim!, definiu Dilma, em 2001, no depoimento emocionado à  comissão mineira, 11 anos antes de ser criada a Comissão Nacional da Verdade, em maio, 13 anos depois da Constituição Cidadã de 1988.

Fuga pela Rua Goiás

Eu comecei a ser procurada em Minas Gerais nos dias seguintes à  prisão de Angelo Pessuti. Eu morava no Edifício Solar, com meu marido, Cláudio Galeno de Magalhães Linhares, e numa noite, no final de dezembro de 1968, o apartamento foi cercado e conseguimos fugir, na madrugada. O porteiro disse aos policiais do DOPS de Minas Gerais que não estávamos em casa. Fugimos pela garagem que dá para a rua do fundo, a Rua Goiás!

Ligações com Angelo

Fui interrogada dentro da Oban por policiais mineiros que interrogavam sobre processo na auditoria de Juiz de Fora e estavam muito interessados em saber meus contatos com Angelo Pessuti, que, segundo eles, já preso, mantinha comigo um conjunto de contatos para que eu viabilizasse sua fuga. Eu não tinha a menor ideia do que se tratava, pois tinha saído de BH no início de 1969 e isso era no início de 1970. Desconhecia as tentativas de fuga de Angelo Pessuti, mas eles supuseram que se tratava de uma mentira, talvez uma das coisas mais difíceis de você ser no interrogatório é inocente. Você não sabe nem do que se trata!

Local da tortura

Acredito hoje ter sido por isto que fui levada no dia 18 de maio de 1970 para MG, especificamente para Juiz de Fora, sob a alegação de que ia prestar esclarecimentos no processo que ocorria na 4!ª CJM. Mas, depois do depoimento, eu fui levada (ou melhor, teria de ser levada para SP), mas fui colocada num local (encapuzada) que sobre ele tinha várias suposições: ou era uma instalação do Exército ou Delegacia de Polícia. Mas acho que não era do Exército, pois depois estive no QG do Exército e não era lá!

Nesse lugar fiquei sendo interrogada sistematicamente. Não era sobretudo sobre minha militância em MG. Supuseram que, tendo apreendido documentos do à‚ngelo (Pessuti) que integram o processo, achavam que nossa organização tinha contatos com a PM ou PC mineira que possibilitassem fugas de presos. Acredito ter sido por isso que a tortura foi muito intensa, pois não era presa recente; não tinha “pontos” e “aparelhos” para entregar!

Dente podre
Uma das coisas que me aconteceu naquela época é que meu dente começou a cair e só foi derrubado posteriormente pela Oban. Minha arcada girou para outro lado, me causando problemas até hoje, problemas no osso do suporte do dente. Me deram um soco e o dente deslocou-se e apodreceu. Tomava de vez em quando Novalgina em gotas para passar a dor. Só mais tarde, quando voltei para SP, o Albernaz (capitão Alberto Albernaz) completou o serviço com um soco, arrancando o dente!

Pau-de-arara
…Algumas características da tortura. No início, não tinha rotina. Não se distinguia se era dia ou noite. O interrogatório começava. Geralmente, o básico era choque. Começava assim: “em 1968 o que você estava fazendo?” e acabava no Angelo Pessuti e sua fuga, ganhando intensidade, com sessões de pau-de-arara, o que a gente não aguenta muito tempo!

Palmatória
Se o interrogatório é de longa duração, com interrogador “experiente”, ele te bota no pau-de-arara alguns momentos e depois leva para o choque, uma dor que não deixa rastro, só te mina. Muitas vezes também usava palmatória; usava em mim muita palmatória. Em SP usaram pouco esse “método”. No fim, quando estava para ir embora, começou uma rotina. No início, não tinha hora. Era de dia e de noite. Emagreci muito, pois não me alimentava direito!.

Tortura psicológica
Tinha muito esquema de tortura psicológica, ameaças. Eles interrogavam assim: “me dá o contato da organização com a polícia?” Eles queriam o concreto. “Você fica aqui pensando, daqui a pouco eu volto e vamos começar uma sessão de tortura”. A pior coisa é esperar por tortura!.

Ameaças
Depois (vinham) as ameaças: “Eu vou esquecer a mão em você. Você vai ficar deformada e ninguém vai te querer. Ninguém vai saber que você está aqui. Você vai virar um “presunto” e ninguém vai saber”. Em SP me ameaçaram de fuzilamento e fizeram a encenação. Em Minas não lembro, pois os lugares se confundem um pouco!

Sequelas
Acho que nenhum de nós consegue explicar a sequela: a gente sempre vai ser diferente. No caso específico da época, acho que ajudou o fato de sermos mais novos; agora, ser mais novo tem uma desvantagem: o impacto é muito grande. Mesmo que a gente consiga suportar a vida melhor quando se é jovem, fisicamente, a médio prazo, o efeito na gente é maior por sermos mais jovens. Quando se tem 20 anos, o efeito é mais profundo, no entanto, é mais fácil aguentar no imediato!

Sozinha na cela
Dentro da Barão de Mesquita (RJ), ninguém via ninguém. Havia um buraquinho, na porta, por onde se acendia cigarro. Na Oban, as mulheres ficavam junto à s celas de tortura. Em MG, sempre ficava sozinha, exceto quando fui a julgamento, quando fiquei com a Terezinha. Na ida e na vinda todas as mulheres presas no Tiradentes sabiam que estavam presas: uma, por exemplo, Maria Celeste Martins, e Idoina de Souza Rangel, de São Paulo!

Visita da mãe
Em MG, estava sozinha. Não via gente. (A solidão) Era parte integrante da tortura. Mas a minha mãe me visitava à s vezes, porém, não nos piores momentos. Minha mãe sabia que estava presa, mas eles não a deixavam me ver. Mas a doutora Rosa Maria Cardoso da Cunha, advogada, me viu em SP, logo após a minha chegada de Minas. Hoje ela mora no Rio e posso contatá-la!

Cena da bomba
Em MG, fiquei só com a Terezinha. Uma bomba foi jogada na nossa cela. Voltei em janeiro de 1972 para Juiz de Fora (nunca me levaram para BH). Quando voltei para o julgamento, me colocaram numa cela, na 4!ª Cia. de Polícia do Exército, 4!ª RM, lá apareceu outra vez o Dops que me interrogava. Mas foi um interrogatório bem mais leve. Fiquei esperando o interrogatório bem mais leve. Fiquei esperando o julgamento lá dentro!

Frio de cão
Um dia, a gente estava nessa cela, sem vidro. Um frio de cão. Eis que entra uma bomba de gás lacrimogênio, pois estavam treinando lá fora. Eu e Terezinha ficamos queimadas nas mucosas e fomos para o hospital. Tive o “prazer” de conhecer o Comandante General Sylvio Frota, que posteriormente, me colocará na lista dos infiltrados no poder público, me levando a perder o emprego!

Motivos
Quando eu tinha hemorragia, na primeira vez foi na Oban (!¦) foi uma hemorragia de útero. Me deram uma injeção e disseram para não bater naquele dia. Em MG, quando comecei a ter hemorragia, chamaram alguém que me deu comprimido e depois injeção. Mas me davam choque elétrico e depois paravam. Acho que tem registros disso no final da minha prisão, pois fiz um tratamento no Hospital das Clínicas!

Morte e solidão
Fiquei presa três anos. O estresse é feroz, inimaginável. Descobri, pela primeira vez, que estava sozinha. Encarei a morte e a solidão. Lembro-me do medo quando minha pele tremeu. Tem um lado que marca a gente o resto da vida!

Marcas da tortura
As marcas da tortura sou eu. Fazem parte de mim!

19 Comentários

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  3. muito obrigada por republicar. abraço
    Essa Mulher é uma guerreira.
    Bandidos a tem como ameaça. A querem destruir.

  4. FORA DILMA! FORA COMUNISTAS!
    Aprendam a refletir lendo e assistindo verdades, não aceitando qualquer papo furado de terrorista:
    http://movimentoordemvigilia.blogspot.com.br/2013/11/araguaia-genoino-aquele-rapaz-foi.html

    • Solange minha cara, torço por vc, mesmo sabendo que a luta não é fácil, e de fato depender desses políticos que hoje nos representa é de fato quase impossível acreditar no raiar da luz do dia seguinte. Mas continua nessa tua força e garra, vc sim merece o meu respeito e admiração, pois esta lutando pela vida, acreditando em vc, e infelizmente esperando que essa massa corrupta faça algo. Mas de qq forma peço a Ele, a Deus para dar-te forças…abraços

  5. presidenta sua luta e a demonstração da força e resistência da mulher que dá a vida à menina e ao menino preservando-os e cuidando de seu futuro sabendo que ainda vivemos em uma sociedade patriarcal e contra uma parcela de uma elite escravizadora mas a maioria do povo está consigo apesar da mídia distorcer seus feitos todos os dias.

  6. Minha Presidente, sou um de seu povo quem lhe escreve, seja forte sempre, não se deixe levar por opiniões de pessoas que não tem compromisso algum com o nosso Brasil, seja forte, estamos aqui para lutarmos juntos.

    • Marcio, quem não tem compromisso algum com o “nosso Brasil” é ela mesma, a Dilma. Acaso só para ter uma pequenina ideia do que o povo está sofrendo, vc tem alguma pessoa com câncer na família? Se tem morreu ou está tratando em particular, por que eu meu caro Marcio, estou nesta luta tentando terminar meu tratamento pelo SUS com muito custo e desgaste, por que o descaso é muito grande… Reflita, saia pelos postos de saúde, hospitais públicos e faça uma pesquisa de como anda a nossa saúde pública, a falta de remédios até para dor de cabeça…!!!! Vc não passa de um analfabeto funcional, massa de manobra. Vá para Cuba ou Venezuela, lá é o lugar certo para quem gosta de comunista, por que aqui não aceitaremos que chegue a tal ponto!

  7. Querida Dilma.
    Em fevereiro/14 tive a oportunidade de falar com vc, na reinaguracao di Beira Rio. E o que mais me
    prensionou foi sua expressão facial. Lhe achei atenciosa mas seu olhar era triste e agora talvez eu entenda porque. Mais uma vez Guerreira temos uma luta pela frente. Força

    • Janete, vc é a favor de assassinatos de bebes inocentes? Sei… Fácil ser a favor quando não se está no ventre, não é mesmo, querida? Vc não passa de massa de manobra analfabeta funcional que mal sabe a diferença entre alfafa e capim. Pelo visto a lavagem cerebral chegou em vc.

      • Chama aos outro de analfabetos funcionais manipulados e não tem a mínima capacidade de interpretar um texto simples? Em que lugar do comentário da Janette está explícito que ela defende o assassinato de bebes? Vivemos numa democracia queridinha,e isso prevê que todo mundo tem o direito a opinião, contanto, é claro, que não lese a honra do próximo. O que, obviamente, não é o seu caso. És uma sem educação, sem respeito que se julga letrada e possuidora de um conhecimento superior aos demais. Horrificante constatar que não aprendeu nem o mais simples: Respeito e Educação se aprendem em casa, e esses valores não se ganham com diplomas. Tenha mais respeito! E a propósito, muito cuidado com acusações levianas pois são cabíveis de processo… mas como estás protegida pelo anonimato, fica aí se escondendo em comentários de blogs, num discursinho apocalíptico, satanizando a tudo e a todos.

      • Nossa, que coração desumano, como pode se referir dessa maneira sobre nossa Presidenta. Pelo jeito deve ser nova, não conhece a história do Brasil.

  8. Sra. Dilma,

    Siendo que usted fue torturada por Militares, porque apoyo usted el Gobierno represor y criminal de Nicolás Maduro en Venezuela ante sus comprobadas y reiteradas violaciones a los Derechos Humanos, así como las agresiones y torturas de fuerzas militares y paramilitares a los estudiantes Venezolanos. No hay ninguna justificación moral para su encubrimiento de un Gobierno dedicado a oprimir a su pueblo, con el único fin de permanecer en el poder mediante el control de todos los poderes del estado.

    Al menos pronunciese para que los derechos humanos de los ciudadanos sean incuestionables.

    • Venezolano, parabéns pelo comentário! E acrescento ainda que, se Dilma tanto como Genuino tivessem sofrido torturas não estariam tão bem psicológicamente e no entanto não é isto que vemos. Sem dizer que os dedos, orelhas, estão todos em seus corpos, cicatrizes eles não tem, com isto só tenho a acreditar que foi uma grande mentira contada para enganar o povo que não é capaz de refletir… E o João Pereira de 17 anos que foi esquartejado no Araguaia sem nada ter feito de errado? Pergunte ao Genuino e ao seu bando… Toda Xambioá sabe disso: http://movimentoordemvigilia.blogspot.com.br/2013/11/araguaia-genoino-aquele-rapaz-foi.html

      • Meu pai é militar e esteve em Xambioá. Não é soldadinho raso, é oficial e esteve lá recolhendo os corpos dos jovens brasileiros assassinados pelos colegas dele, militares. É tudo verdade. Idiota quem não acredita.

      • Tu solange es uma safada .kanalha e golpista igusl esses bando de ladroes q estao no golpe .lava a tua boca de merda pra ousar falar de Dilma .sua infeliz.

  9. presidenta eu não votei na senhora prar relembrar ,mas escrever um novo capitulo da nossa historia .o brasil precisa de mais dinamica .os espertalhões estão vendo que a senhora esta se deixando levar por rssentimento.mas os torturadores a maioria ja acertaram suas contas com Deus…A maior vitoria que a senhora tem e o povão ao seu lado.de chance para os generais que são patriotas ,se preciso for eles derramam seus proprios sangue pelo brasil.não deixe essa rio +20 levar o nosso direito de nação,e viver seguros.o general heleno e um grande brasileiro,eu ouvi que ele fala do brasil com o coração,sem pretedencia nenhuma .não escute essa molecada presidenta por favor ,mas esteja bem acompanhada de autoridades que tem compromisso com o brasil,essa molecada são puchasaco dos americanos ,não todosmas no meio da molecada tambem tem gente de juizo!

    • A dilma vai acabar com o brasil, ela foi torturada porque mereceu por seus atos no seu passada contra a sociedade, agora quer trazer os israelitas para o brasil para matarem e exterminarem com os evangélicos que maioria na sociedade brasileira.