Deposto da presidência, Fernando Lugo cria gabinete paralelo

via CartaCapital

Lugo conversa com jornalistas em Assunção. Foto: Norberto Duarte / AFP.

O tom abatido e as palavras pacíficas da última sexta-feira, após seu governo ser derrubado por um impeachment relâmpago, foram deixados para trás pelo ex-presidente do Paraguai Fernando Lugo. Claramente encorajado pela reação dos países vizinhos a sua destituição, Lugo partiu para o ataque nesta segunda-feira 25. Após uma reunião com aliados, disse não reconhecer o governo de seu antigo vice Federico Franco, alçado à  presidência pelo Congresso, e anunciou a criação de um gabinete de governo paralelo.

Apesar da mudança de postura, Lugo reafirmou que não pretende recorrer à  violência. Acompanhamos todo tipo de manifestação pacífica para que a ordem constitucional interrompida na sexta-feira retorne!, disse Lugo. Ele reiterou que tudo se tratou de um golpe parlamentar! e negou qualquer possibilidade de ajudar o governo Franco. Interlocutores do novo presidente cogitaram a possibilidade de Lugo intermediar diálogos com governos regionais para reduzir o isolamento do Paraguai. Lugo disse que não faria isso pois se trata de um falso governo!. Os cidadãos não aceitam um governo que rompeu com a constitucionalidade da República, não se pode colaborar com um governo que não tem a legitimidade!, afirmou.

Ao negar a legitimidade do governo Franco, Lugo tomou para si esse conceito. Em entrevista nesta segunda, Lugo usou o termo presidente! para designar a si mesmo e disse que o gabinete paralelo vai servir para fiscalizar a gestão de Franco. Segundo ele, os membros deste grupo serão fiscais, observadores e vão monitorar tudo o que (os novos ministros) fizerem quando assumirem!, disse. Parte do novo ministério de Franco tomou posse nesta segunda-feira. O presidente destituído, inclusive, não descartou a possibilidade de retomar o poder. Na política tudo pode acontecer!, disse, segundo o jornal ABC Color.

Lugo afirmou ainda que estará na próxima reunião do Mercosul, marcada para esta semana em Mendoza, na Argentina.

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  1. Sobre o golpe no Paraguai, o colunista Celso Nascimento comentou o seguinte em sua coluna da Gazeta do Povo: A defesa do prefeito de Londrina Barbosa Neto (PDT) afirma que os vereadores da cidade queriam fazer com o pedetista mais ou menos o que o parlamento paraguaio fez com o presidente Lugo ““ tirá-lo da cadeira com argumentos contra os quais o alcaide não tivesse defesa e por meio de um processo que esperavam tão rápido quanto o do país vizinho. Na última quinta-feira, Barbosa prestou depoimento à comissão processante dos vereadores londrinenses. Ele é acusado de pagar com recursos da prefeitura dois vigilantes que, teoricamente, prestavam serviços de guarda na emissora de rádio da família do prefeito. O advogado Rodrigo Sanchez, que atua na defesa de Barbosa Neto, sustenta que na verdade o que ocorreu foi uma artimanha da empresa de vigilância Centronic. Segundo ele, a empresa enfiava na fatura contra a prefeitura nomes estranhos ao seu quadro de vigilantes ou que nem sequer trabalhavam em Londrina, sem o conhecimento do prefeito. A Centronic já havia sido considerada inidônea pela prefeitura de Curitiba por motivos semelhantes e teve o mesmo destino em Londrina por ato de Barbosa 11 meses após sua posse. Segundo a defesa, como o contrato de prestação de serviços da Centronic com a prefeitura foi firmado em 2006, é possível que irregularidades do tipo viessem ocorrendo desde a gestão anterior à de Barbosa Neto, eleito em 2009. Segundo Sanchez, os vigias que cuidavam da rádio também tiveram seus nomes indevidamente incluídos na fatura contra a prefeitura. Com o detalhe, porém, de que a emissora fazia pagamentos à Centronic em separado e de acordo com contratos de publicidade privados entre as duas partes, ressalta Sanchez.