Bancarrota: Espanha pede ajuda financeira de € 100 bi a zona do euro

da Folha.com, via agências

O ministro de Finanças da Espanha, Luis de Guindos, pediu neste sábado ajuda financeira à  zona do euro para fazer o resgate aos bancos do país, em entrevista coletiva após a reunião do grupo de ministros da área econômica em videoconferência.

Guindos afirma que as condições e as taxas de juros serão “favoráveis” e que “as exigências de austeridade serão feitas apenas ao setor financeiro”, sem afetar a sociedade espanhola.

O representante do governo diz que o valor pedido é suficiente para conseguir recuperar as instituições financeiras e ter uma margem caso a crise financeira nos bancos piore. Guindos nega que a Espanha tenha pedido um resgate.

“O que se pede é um apoio financeiro e não tem nada a ver com um resgate em absoluto. Irá dirigido ao FROB [Fundo de Reestruturação Ordenada Bancária] e este injetará nas entidades que o requiserem. Nem todos os bancos precisam de capitalização”.

O ministro ainda afirmou que o FMI (Fundo Monetário Internacional) prestará um apoio “estritamente de assessoramento do setor financeiro, de apoio e de implementação do programa”.

O titular das Finanças da Espanha disse que o país foi elogiado pelas medidas de austeridade e ajuste fiscal tomadas durante o governo do presidente de governo Mariano Rajoy, conseguindo o respaldo da zona do euro.

Guindos avalia que o acordo “ajudará a decolar a credibilidade da moeda única europeia”. “Hoje, o mecanismo construído é positivo para a economia espanhola e para o futuro da moeda única. As notícias que temos hoje são positivas para a economia espanhola”.

RESGATE

Mais cedo, os ministros de Finanças da zona do euro aceitaram a concessão de um resgate financeiro de até € 100 bilhões ao governo espanhol para que possa socorrer os bancos do país, de acordo com fontes das agências de notícias France Presse e Efe e o jornal “El País”

De acordo com a France Presse, a zona do euro não pedirá medidas de austeridade para a concessão do resgate.

O anúncio é feito após o FMI (Fundo Monetário Internacional) divulgar um documento na sexta-feira (8), afirmando que seriam necessários pelo menos € 40 bilhões para recuperar os bancos do país ibérico.

O resgate deverá ser autorizado pelo Fundo Europeu de Estabilidade Financeira e pelo grupo de ministros para que a verba total seja liberada. Para tanto, Madri teria que sanear as contas do setor financeiro.

Além dos ministros, a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, e o primeiro-ministro da Itália, Mario Monti, participam da reunião.

ESTUDOS

Na manhã deste sábado, o governo espanhol informou que estava estudando em profundidade o relatório do FMI a situação dos bancos espanhóis e ouvirá na tarde deste sábado a opinião dos membros da zona do euro antes de tomar qualquer decisão sobre sua recapitalização.

Fontes do Executivo asseguraram à  agência de notícias Efe que não foi a Espanha que solicitou a teleconferência dos ministros de Economia e Finanças da zona do euro, que foi convocada pela Presidência do Eurogrupo (fórum de ministros de Finanças da zona do euro).

O encontro de ministros foi convocado após um relatório do FMI, que divulgou a avaliação inicial sobre as necessidades do setor financeiro na Espanha e apontou que as entidades mais fracas necessitam aumentar suas reservas de capital “em cerca de € 40 bilhões” (aproximadamente R$ 100 bilhões).

O documento, divulgado dois dias antes do previsto, explica que “o núcleo do setor financeiro espanhol está bem administrado e resistiria a novos choques, mas ainda existem grandes vulnerabilidades no sistema”.

O exame do FMI “não teve por objetivo estabelecer um número definitivo para as necessidades de capital, mas detectar deficiências críticas em alguns segmentos e instituições determinadas”, disse o comunicado da instituição.

“Num cenário desfavorável, os maiores bancos estariam suficientemente capitalizados para resistir a novas deteriorações, enquanto que vários bancos necessitariam aumentar suas reservas de capital em cerca de 40 bilhões em termos agregados”.

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